quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Entrevista com ator Sean Kanan, o Mike Barnes de Karate Kid 3. Conversamos sobre Bullying e CyberBullying


Olá Karatecas! esse mês trago uma entrevista muito especial com ator Sean Kanan que interpretou o personagem Mike Barnes no filme Karate Kid 3. 

Tive a felicidade de conseguir esta entrevista para o Blog, e assim aproveitar todo contexto desse personagem, e ainda falar sobre um tema muito complexo que assola milhões de pessoas em todo mundo, falaremos também sobre Bullying e Cyberbullying. 

Nesta entrevista quis trazer a vocês um pouco sobre o ator Sean Kanan e a complexidade do personagem por ele interpretado. 

Mike Barnes era extremamente mal educado e personificou a imagem de um jovem problemático e truculento. O que vimos no filme vai na contramão do que pressupõe o aprendizado da arte marcial, particularmente o Karate. 

Em breve passagem vou deixar aqui a minha visão sobre o personagem: 

Ele realmente machucou Daniel Larusso (Ralph Machio) em Karate Kid 3, não o venceu por ser debochado e prepotente, um rapaz desequilibrado, muito ambicioso, sempre pensou na compensação financeira pela vitória, nas palavras de Sean: “lutou sem honra”. 

Desse personagem podemos aprender boas lições de vida, e por isso acredito que esse trabalho além de prazeroso por poder falar com um ídolo da infância no caso o Sean Kanan, é relevante nos tempos atuais. Estou falando de vidas humanas que sofrem com agressões das mais diversas, e tudo se propaga em uma velocidade fora do comum. 

Quanto a Sean Kanan posso descrever como sensacional e muito humilde. 

Vou deixar aqui apenas alguns dados para analisarmos e percebermos o quanto é grave esse tema levantado. 

Bullying: 1 em cada 5 crianças pensa em suicídio depois da agressão. Um estudo recém-publicado indicou que adolescentes entre 12 e 15 anos que sofrem bullying na escola apresentam risco até três vezes maior de tentar o suicídio. Agora, uma nova pesquisa fortalece a relação entre a prática violenta no ambiente escolar e o pensamento suicida. 

O levantamento, realizado no Reino Unido, indica que na faixa etária de 11 a 16 anos, pelo menos 17% dos adolescentes vítimas de bullying consideram tirar a própria vida para fugir da perseguição. Além disso, 78% afirmaram que o problema causa ansiedade e pode fazê-los perder noites de sono (56%). Os novos dados ainda mostram que 57% das crianças já sofreram bullying em algum momento da vida escolar e 74% testemunharam alguém sendo intimidado. 

Sobre o suicídio diz a OMS: “Apesar do progresso, uma pessoa ainda morre a cada 40 segundos por suicídio”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “ 


Hello! This month I bring a very special interview with actor Sean Kanan who played the character Mike Barnes in the movie Karate Kid 3. 

I was fortunate to get this interview for the Blog, and thus take advantage of the whole context of this character, and still talk about a very complex topic that plagues millions of people worldwide, we will also talk about Bullying and Cyberbullying. 

In this interview I wanted to bring you a little bit about the actor Sean Kanan and the complexity of the character he played. 

Mike Barnes was extremely rude and personified the image of a troubled and troubled young man. What we saw in the film goes against what presupposes the learning of martial art, particularly Karate. 

Soon I will leave here my view on the character: 

He really hurt Daniel Larusso (Ralph Machio) in Karate Kid 3, he didn't beat him for being debauched and boastful, an unbalanced, very ambitious guy, always thinking about financial compensation for the victory, in Sean's words: “he fought without honor”. 

From this character we can learn good life lessons, and for this reason I believe that this work, besides being pleasant to be able to talk to a childhood idol in the case of Sean Kanan, is relevant nowadays. I am talking about human lives that suffer from the most diverse aggressions, and everything is spreading at an unusual speed. 

As for Sean Kanan I can describe it as sensational and very humble. 

I will leave here just a few data to analyze and understand how serious this issue is. 

Bullying: 1 in 5 children thinks about suicide after the aggression. A recently published study indicated that teenagers between 12 and 15 years of age who are bullied at school are up to three times more likely to attempt suicide. Now, new research strengthens the relationship between violent practice in the school environment and suicidal thinking. 

The survey, carried out in the United Kingdom, indicates that in the 11 to 16 age group, at least 17% of adolescent victims of bullying consider taking their own lives to escape persecution. In addition, 78% stated that the problem causes anxiety and can make them lose nights of sleep (56%). The new data also shows that 57% of children have been bullied at some point in school life and 74% have witnessed someone being bullied. 

About suicide the WHO says: "Despite progress, a person still dies every 40 seconds from suicide," said WHO Director-General Tedros Adhanom Ghebreyesus. “


VAMOS Á NOSSA ENTREVISTA... LET'S GO TO OUR INTERVIEW ...

Jefferson Oliveira: Sean Kanan, aqui no Brasil somos apaixonados por Karate Kid, eu particularmente comecei a praticar Karate por influência do filme Karate Kid de 1984. Como você vê a influência desse filme naquela geração? E como você acha que pode influenciar agora estando novamente em evidência Cobra Kai? (Sean Kanan, here in Brazil we are passionate about Karate Kid, I particularly started practicing Karate under the influence of the 1984 film Karate Kid. How do you see the influence of this film on that generation? And how do you think you can influence now with Cobra Kai in evidence again?) 

Sean Kanan: Olá a todos do Brasil. É tão incrível que as pessoas do Brasil sejam tão fans de Karate Kid, os filmes de Karate Kid foram incríveis para as artes marciais, foi o ressurgimento completo em todo mundo. 

As pessoas estavam interessadas em artes marciais, em filmes de artes marciais. Agora temos Cobra Kai e agora está no Netflix e se espalhou pelo mundo. A mesma coisa está acontecendo de novo com essa geração de pessoas que estão conhecendo os personagens do universo de Karate Kid, se familiarizando com as artes marciais o que eu acho fantástico. 

Hello everyone from Brazil. It is so incredible that the people of Brazil are so fans of Karate Kid, the films of Karate Kid were incredible for the martial arts, it was a complete resurgence in everyone. 

People were interested in martial arts, in martial arts films. Now we have Cobra Kai and now it's on Netflix and has spread around the world. The same thing is happening again with this generation of people who are getting to know the characters of the Karate Kid universe, becoming familiar with the martial arts which I think is fantastic. 



Jefferson Oliveira: Ao assistir ao filme é possível ver que você tem conhecimento da arte marcial, qual é a sua experiência? Você já treinou Karate ou treina atualmente alguma arte marcial? (When watching the movie you can see that you have knowledge of martial art, what is your experience? Have you ever trained Karate or currently train some martial art?) 

Sean Kanan: Acho que muitos de vocês querem saber sobre a minha formação em artes marciais. Comecei a treinas Karate Shotokan bem no estilo japonês quando eu tinha cerca de 14 anos de idade e fiz isso por vários anos depois. 

Vários anos depois passei a estudar Kickboxing americano, estudei um pouco de Jiu-Jitsu brasileiro e agora estou estudando luta com bastão Filipino com o Grão Mestre Gerald que está no primeiro Karate Kid. 

Então as artes marciais sempre foram algo muito importante para mim, sempre muito próximo em meu coração. Definitivamente me ajudou a conseguir o papel de Mike Barnes em Karate Kid 3. Acho que é algo que continuará a ter um lugar na minha vida, isso fez uma grande diferença em quem eu sou. 

I think many of you want to know about my martial arts background. I started Karate Shotokan training in the Japanese style when I was about 14 years old and did it for several years afterwards. 

Several years later I started to study American Kickboxing, I studied a bit of Brazilian Jiu-Jitsu and now I am studying Filipino baton with Grand Master Gerald who is in the first Karate Kid. 

So martial arts have always been something very important to me, always very close to my heart. It definitely helped me get the role of Mike Barnes in Karate Kid 3. I think it's something that will continue to have a place in my life, it made a big difference in who I am. 



Jefferson Oliveira: No Karate tradicional existe um aspecto de dureza e disciplina, e muitos praticantes se identificam com parte da metodologia aplicada pelo ensino do Karate proposto pela Cobra Kai no filme. Como você acha que o personagem Mike Barnes poderia influenciar nos dias de hoje os jovens? (In traditional Karate there is an aspect of hardness and discipline, and many practitioners identify with part of the methodology applied by teaching Karate proposed by Cobra Kai in the film. How do you think the character Mike Barnes could influence young people today?)
 

Sean Kanan: Então! Como Mike Barnes poderia influenciar os jovens estudante de Karate? Alunos turbulentos devem servir como exemplo de tudo que é errado nas artes marciais. 

Ele não lutou com honra. 

O Karate é sobre força, disciplina, humildade. Também há espiritualidade, de finalmente se tornar uma pessoa melhor. 

So! How could Mike Barnes influence young Karate students? Turbulent students should serve as an example of everything that is wrong with martial arts. 

He did not fight with honor. 

Karate is about strength, discipline, humility. There is also spirituality, of finally becoming a better person. 


Jefferson Oliveira: Afinal como foi para você a preparação para interpretar o jovem Mike Barnes? E você chegou a se machucar durante as filmagens? (After all, how did you prepare to play young Mike Barnes? And did you ever get hurt while filming?) 

Sean Kanan: Então! Quando eu estava filmando Karate Kid 3, eu fiquei gravemente ferido. Tive hemorragia interna por causa de umas acrobacias, nada a ver com o Karate. Tinha a ver com o fato de eu pular no chão e já estar sagrando a vários dias. Desmaiei, quase morri, tive que me reconstruir para voltar ao filme. 

Razão pela qual Karate Kid 3 sempre terá um lugar em meu coração e minha carreira. 

So! When I was shooting Karate Kid 3, I was seriously injured. I had internal bleeding because of acrobatics, nothing to do with Karate. It had to do with the fact that I jumped on the ground and had been sacred for several days. I passed out, almost died, I had to rebuild myself to get back to the film. 

Which is why Karate Kid 3 will always have a place in my heart and my career.
 

Jefferson Oliveira: Antes na década de 80 e 90 era comum as brincadeiras em escolas, as coisas se resolviam na hora. Hoje temos o Cyberbullying que se propaga em uma velocidade extrema? Você acredita que hoje é mais cruel e dura esta nova forma de agressão as pessoas? (Before in the 80s and 90s it was common to play in schools, things were resolved on the spot. Today we have Cyberbullying that is spreading at an extreme speed? Do you believe that this new form of aggression against people is more cruel and harsh?) 

Sean Kanan: A próxima pergunta é sobre Bullying e Cyberbullying. É algo que realmente varreu o mundo inteiro. Você sabe que quando era criança na escola, você sofria bullying verbal, antes da escola ou depois no parque, e agora é com as redes sociais e computadores e smartphones. 

As crianças sofrem Bullying 24 horas por dia, 7 dias por semana. É horrível! O suicídio é a quarta causa de morte de adolescentes. E todos nós temos que trabalhar juntos para impedir isso. 

The next question is about Bullying and Cyberbullying. It is something that really swept the whole world. You know that when you were a child at school, you suffered verbal bullying, before school or afterwards in the park, and now it is with social networks and computers and smartphones. 

Children are bullied 24 hours a day, 7 days a week. It's horrible! Suicide is the fourth leading cause of adolescent death. And we all have to work together to prevent this. 


Jefferson Oliveira: Se você fosse convidado a interpretá-lo novamente em Cobra Kai como gostaria de apresenta-lo hoje as pessoas?( If you were asked to play it again on Cobra Kai, how would you like to introduce it to people today?) 

Sean Kanan: Então! A última pergunta é se eu estivesse no show Cobra Kai. Onde eu vejo Mike Barnes 30 anos depois? 

Então! Eu Sempre achei que se ele fosse para uma prisão se tornou uma pessoa pior, ou talvez se tornou militar, se endireitou, uma pessoa melhor. 

Talvez conseguiu gerenciar sua raiva, é meio que um Hippie. Muito metido. 

So! The last question is if I was at the Cobra Kai show. Where do I see Mike Barnes 30 years later? 

So! I always thought that if he went to prison he became a worse person, or maybe he became a military man, he straightened up, a better person. 

Maybe he managed to manage his anger, he’s kind of a hippie. Very involved. 



Jefferson Oliveira: Deixe uma mensagem para os Fans do Brasil 

Sean Kanan: O povo do Brasil tem um lugar especial em meu coração. Fui ao Brasil com 15 anos e me apaixonei pelo país. Uma coisa muito bonita e aconchegante, além das praias lindas é o coração das pessoas no Brasil. 

Muito obrigado 

The people of Brazil have a special place in my heart. I went to Brazil when I was 15 and fell in love with the country. A very beautiful and cozy thing, besides the beautiful beaches is the heart of the people in Brazil. 

Thank you very much 



AGRADECIMENTO

Á Sean Kanan deixo meus sinceros agradecimentos, principalmente ao grande trabalho realizado em Karate Kid 3, incentivando assim á pratica do Karate em todo mundo.

Parabéns Sean!

Seja sempre essa pessoa generosa e educada, uma honra poder conversar com você.

Sucesso! Espero te ver em breve em Cobra Kai

To Sean Kanan I offer my sincere thanks, especially to the great work done in Karate Kid 3, thus encouraging the practice of Karate worldwide.

Congratulations Sean!

Always be that generous and polite person, it is an honor to be able to talk to you.

Success! I hope to see you soon in Cobra Kai



CONSIDERAÇÕES FINAIS

Atualmente a prática de Bullying tem causado danos irreversíveis para muitas pessoas, e tocar nesse assunto dentro do Blog, foi muito oportuno ainda mais pegando nesses tempos do ressurgimento de Cobra Kai uma série que está se popularizando muito rápido.

Individualmente cada um deve refletir sobre essa questão pois ao falarmos publicamente sobre as pessoas temos que estar atentos pois é uma via mão única, uma palavra ou ofensa pode levar as pessoas a depressão.

O exercício é quando adulto dar bons exemplos aos mais jovens, sempre mostrando que somos todos iguais e que devemos procurar as qualidades no ser humano e não os defeitos.

Currently the practice of Bullying has caused irreversible damage to many people, and touching on this subject within the Blog, it was very opportune even more catching in these times of the resurgence of Cobra Kai a series that is becoming very fast.

Individually, each one must reflect on this issue because when we speak publicly about people we have to be aware that it is a one-way street, a word or offense can lead people to depression.

The exercise is as an adult to set good examples for the youngest, always showing that we are all equal and that we should look for the qualities in the human being and not the defects.


OSS! OSU! OSSU!

By: Jefferson Oliveira
Professor de Educação Fisíca e Estudante de Karate-do



#RalphMacchio #WilliamZabka #XoloMaridueña #RickPerez #MaryMouser #TannerBuchanan #MartinKove #JacobBertrand #CourtneyHenggeler #PeytonRoiList #GianniDeCenzo #NicoleBrown #VanessaRubio #RobGarrison #JoeSeo #TheBig3 #JonHurwitz #JoshHeald #HaydenSchloshberg #cobrakai #cobrakaidojo #SeanKanan


FONTE:

https://veja.abril.com.br/saude/alerta-1-em-cada-5-criancas-pensa-em-suicidio-por-causa-do-bullying/) 

http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/809-um-suicidio-ocorre-a-cada-40-segundos-no-mundo-diz-organizacao-mundial-da-saude 

https://www.jaacap.org/article/S0890-8567(19)30209-6/fulltext

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

O KARATECA GILBERTO, O DEFICIENTE VISUAL QUE ENXERGA O MUNDO ALÉM DAS CORES E DAS FORMAS.


Olá Karatecas há três anos iniciamos a campanha #SetembroInclusaoNoKarate com o objetivo principal de promover a pratica do karate para os PcD (Pessoa com deficiência). Já mostrei por aqui, neste blog, grandes histórias de superação, são pessoas que realmente melhoraram sua condição de deficiente através da pratica da arte marcial, no caso o Karate-do. 
Embora eu tenha plena convicção que exista muito trabalho pela frente, percebe-se que frutos foram colhidos em prol dos PcD e isso é um motivo de satisfação para todos aqueles que junto com este o blog se propuseram a divulgar a causa. 

Esse mês minha tarefa é falar sobre um problema que afeta milhões de pessoas em todo mundo. Cerca de 39 milhões de pessoas em todo mundo são afetados pela cegueira, estima-se que em torno de 246 milhões de pessoas sofram de perda moderada ou severa da visão. Os dados são da OMS - Organização Mundial da saúde em 2019. 

Enfim, o que quero apresentar esse mês a vocês é a perspectiva de um deficiente visual em sua incessante luta para treinar Karate, suas necessidades e anseios, além de mostrar os outros sentidos que são aprimorados em consequência a ausência de visão. 

Hoje trago como convidado o Karateca Gilberto dos Santos Silva, que é deficiente visual e que treina de forma ininterrupta já a muitos anos, atualmente ele é faixa preta 1º Dan de Karate pela Federação Paulista de Karate (FPK). 

Vamos a nossa entrevista... 


Jefferson Oliveira: Gilberto conte-nos como surgiu a sua deficiência e como você lidou com isso no início? 

Gilberto Silva: Nasci com um grau muito alto de miopia, que com o tempo pode ocorrer o descolamento de retina e foi o que ocorreu comigo. A visão esquerda foi afetada aos 7 anos e a visão direita aos 10 anos, mesmo com algumas cirurgias para tentar corrigir, não houve como reverter, pois tive hemorragia e ocorreu o descolamento total da retina. Naquela época, anos 90, os recursos eram mais escassos e não teve mais como mexer. 

Ainda fiquei um tempo em casa para ver se havia outro recurso a ser explorado, mas um tempo depois comecei a fazer os cursos de reabilitação, aprendi a mexer com a bengala para a mobilidade e tive a oportunidade de aprender o braile, que é a forma de registro dos deficientes visuais. Aos poucos tentando reabilitar, esse processo de adaptação é constante, todos os dias temos que aprender algo novo. A reabilitação ocorre todos dos dias. 


Jefferson Oliveira: E o Karate como surgiu em sua vida? Conte-nos um pouco de sua história no Karate. 

Gilberto Silva: Nunca tinha tido contato com outro esporte, já tinha assistido futebol pela TV, mas nunca praticado e quando perdi a visão com 10 anos, na minha reabilitação precisei mudar de colégio, onde tive um colega que praticava karate há 6 meses e me chamou para conhecer. Foi em 2003, e naquela época o projeto era na Unicastelo e na minha primeira visita eu disse assim: “Isso é o que eu quero fazer até o fim da vida”. Já me apaixonei pelo karate e como dizem, foi “paixão à primeira vista”, não teve jeito (risos). 

O karate foi algo que complementou em minha vida e sempre vou praticar, não pretendo parar não. 

Desde 2003 nunca tinha parado, apenas para me recuperar de alguma lesão ou em período de férias, o que é natural. Só agora mesmo por causa da pandemia que tivemos que ficar em casa e nos resguardar. Foi a primeira vez que tive que parar com os treinos. 


Jefferson Oliveira: Ouvi coisas boas falando sobre seu esforço para treinar Karate. Fale para nós qual a sua rotina para conseguir ir ao DOJO? 

Gilberto Silva: Desde 2003 é a mesma rotina, sempre morei aqui no Capão Redondo, zona Sul de São Paulo. 

Durante vários anos o projeto tinha a sua sede em Itaquera na zona leste e depois passou a ser realizado próximo à estação Patriarca do metrô. 

Para realizar esse trajeto de ida e volta pego dois ônibus, metrô e faço baldeação e quando era em Itaquera pegava outro ônibus para chagar até o dojo que eu treinava. Atualmente, desço na estação Patriarca e de lá o dojo é pertinho da estação, um trajeto de aproximadamente 1 hora e meia a duas horas dependendo de como está o trânsito. Faço esse percurso de duas a três vezes por semana para treinar karate. 

No começo lá em 2003, minha mãe ia comigo para que eu pudesse aprender o caminho, pouco tempo depois já estava indo sozinho. 


Jefferson Oliveira: O que o Karate representa para você hoje? Como o Karate te ajuda a superar limites no dia-a-dia? 

Gilberto Silva: O karate para mim, além da melhora da parte física, é claro, é uma filosofia de vida. Me ensinou muita coisa, me ensinou a crescer a ver coisas importantes em nossa vida, o que é importante mesmo. 

Nos traz um equilíbrio mental, porque muitas vezes quando você é jovem você se estressa por qualquer coisa e quando pratica o karate você aprende a se controlar emocionalmente. Você foca a sua força para os pontos corretos, você aprende muita coisa com o karate. 

Isso me ajuda nos desafios do dia a dia e a superar cada vez mais meus limites. 

Então o karate é muito importante para a parte física, mental, educacional e todo mundo que eu conheço eu sempre indico... Faça uma arte marcial, conheça o karate, para que outras pessoas possam desfrutar dos benefícios do esporte. Isso é muito importante. 


Jefferson Oliveira: Vejo que o Para Karate no estado no caso SP particularmente tem crescido bastante, qual a sua opinião sobre as competições? Qual foi a sua sensação quando entrou pela primeira vez em um Koto para competir? 

Gilberto Silva: Eu acredito que as competições são muito importantes, primeiro para incentivar os atletas a continuar treinando e em segundo para demonstrar para todas as pessoas que independente da sua condição, idade, se tem deficiência ou não, todos são capazes, basta ter força de vontade e o preparo correto para você chegar onde quer. Também dá visibilidade para a categoria Para Karate. 

Me senti muito bem na primeira competição, mas sempre dá aquele friozinho na barriga, cada competição é como se fosse à primeira. E acho muito importante sentir essa emoção, caso contrário perde o foco. Acho muito importante sentir essa emoção, significa que estamos nos dedicando de verdade àquilo que nos dispomos a fazer. 


Jefferson Oliveira: Fiquei sabendo da iniciativa da FPK em criar um Departamento PcD para ajudar os Para Karatecas e uma das ajudas foi trazer a isenção aos exames para faixa preta naquela ocasião, como você recebeu essa notícia? Afinal como foi seu exame de faixa preta? 

Gilberto Silva: O Departamento foi um divisor de aguas dentro da FPK, através deste departamento que tem a Coordenação Geral de um Para atleta o Sr. Oscar Garcia que cuida dos interesses dos Para desportistas de Karate a visualização e interesses foram interpretados de maneira mais transparentes e assim muitos Para atletas como eu tivemos nossos direitos defendidos e a fomentação nacional e internacional no Para karate de São Paulo e Brasil. 
O exame de faixa eu também acredito ser muito importante, assim como as competições, mostra que você é capaz porque também é um incentivo para continuar seguindo em frente. Essa iniciativa da FPK foi muito importante e fiquei feliz em realizar o exame, esse apoio é fundamental, esse reconhecimento é muito legal. 

Assim como na competição, há a questão do frio na barriga, mas para mim o mais difícil é a parte emocional. Me preparei de dois a três meses para realizar o exame e me senti bem, estava tranquilo. Saí satisfeito da minha apresentação. 

Agradeço ao Presidente da FPK o Sr. José Carlos de Oliveira (Zeca) por criar o Departamento PcD e a todos que apoiam e incentivam as pessoas a realizarem os exames, isso é muito importante. 


Jefferson Oliveira: Apesar do seu problema com a visão, imagino que você tem aguçados outros sentidos, quais são eles? 

Gilberto Silva: Sim, isso é verdade. Após perder a visão, um dos sentidos que normalmente mais fica aguçado é a audição. Que você tem uma percepção maior de localização, de alguém que está se aproximando, de algum barulho na rua, então a audição é em primeiro lugar. Em segundo, vem o tato, especialmente para as pessoas que começam a aprender o braile, você tem um ganho maio de percepção do tato também, principalmente para pessoas que perdem a visão mais jovens. Para quem perde a visão com a idade mais avançada é mais difícil do tato ficar mais aguçado. O próprio olfato também pode ficar mais aguçado. 


Jefferson Oliveira: Metaforicamente falando sabemos que a humanidade cada vez mais está se perdendo, digo nas relações com as pessoas, com a questão da solidariedade. Se você pudesse ter a sua visão de volta, o que você gostaria de enxergar no ser humano? 

Gilberto Silva: É complicado! A gente estuda a história humana e a gente vê que o ser humano se degrada cada vez mais com o passar do tempo, infelizmente. A tecnologia avança, mas o ser humano é complicado. 

Se eu pudesse voltar a enxergar, eu gostaria de ver mais paz no mundo, é algo muito importante que todos estamos precisando cada vez mais. 

Acredito que é mais paz, para o futuro, porque para nós muitas coisas já passaram, mas para outros ainda a tempo, então um pouco mais de paz seria o ideal. 


Deixe uma mensagem para os Karatecas. 

Gilberto Silva: Todos nós estamos passando por esse período de pandemia e isolamento social, em alguns momentos nos sentimos tristes, isso é normal, mas nós temos que estar focados no que é realmente importante e nas pessoas especiais que estão em nossa vida e nas coisas que nos completam. 

Eu acredito que o karate é um dos melhores companheiros para nos ajudar a superar esse momento. Então, gente, não vamos desanimar, vamos passar por isso. Vamos continuar nos guardando para quando chegar o momento de voltar aos treinos estarmos bem para treinar. 

O karate está com a gente, vamos continuar com ele, não vamos largar não (risos). 


Agradecimento 

Quero manifestar aqui o agradecimento ao Gilberto, desejando-lhe muitos anos de treino, e que ele ainda que metaforicamente possa de fato um dia ver o mundo melhor, paz, como bem disse durante a entrevista. 

Sucesso em sua vida, muita saúde, quero lhe dizer que foi um privilégio contar a sua história. 

Quero agradecer ao meu amigo Oscar Garcia que atua como grande líder da comissão de Para Karate da FPK e que há três anos acreditou nesse projeto de inclusão e foi à luta. 

Todo mérito a você guerreiro. Além do fato de me ajudar muito na concepção desta matéria. 


Considerações finais 

E hoje será bem curta! 

“Você não deve ter a pretensão de fazer com que as pessoas enxerguem o seu interior, lá só você sabe o que tem. Você pode apenas agir para buscar o bem, o que já é muito melhor do que não fazer nada”. 


Oss! Osu! Ossu! 
Jefferson Oliveira
Professor de Educação física e estudante de Karate-do



Fonte:


www.com/portuguese/geral-48634186


Créditos finais:

Oscar Garcia Braga Neto, Jefferson Oliveira

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

ENTREVISTA COM O ATOR RICK PEREZ DA TERCEIRA TEMPORADA DA SÉRIE COBRA KAI

 


Olá Karatecas, hoje vou trazer uma entrevista exclusiva com o ator que interpreta o personagem Roger, nesta série que já é sucesso mundial chamada de COBRA KAI. Ele aparecerá na terceira temporada com um papel importante na história.

Devo fazer uma breve passagem aqui para você que pode não conhecer todo universo da franquia Karate Kid, onde temos uma continuação dessa obra que foi um motor que impulsionou a pratica do Karate no mundo nos anos 80. 

A série Cobra Kai explica um pouco da origem de personagens que apontávamos como os vilões. 

Será mesmo que Dojo Cobra Kai é do mal? Ou seria a filosofia do sensei Jonh Kresse? 

Muitos iniciaram no Karate por causa desses filmes, e muitas outras pessoas começaram agora por conta da série, que trás a tona como tema o Bullying e muitos temas sociais. Além é claro do Karate como autodefesa. 

Trarei aqui para esta entrevista o ator Rick Perez estreante na terceira temporada de Cobra Kai, ele que mostrou muita empatia e solidariedade para com a causa levantada pelo terceiro ano consecutivo: #SetembroInclusaoNoKarate, e percebo em suas respostas uma sinceridade e carinho muito grande pelos fans aqui no Brasil. 

Rick Perez trabalhou em grandes produções e seus últimos trabalhos foram: 
22 Milhas 2018,  Blood On Her Name 2019, The Resident 2020 e Cobra Kai 2021.   

Hello Karatecas, today I will bring an exclusive interview with the actor who plays the character Roger, in this series that is already the worldwide success called COBRA KAI. He broke in the season with an important role in the season. 

I must make a brief passage here for you who may not know the entire universe of the Karate Kid franchise, where we have a continuation of this work that was an engine that propelled the practice of Karate in the world in the 80s. 

The Cobra Kai series explains a little about the origin of characters that we pointed out as the villains. 

Is Dojo Cobra Kai really evil? Or is it the philosophy of sensei Jonh Kresse? 

Many started Karate because of these films, and many other people disseminate it because of the series, which brings up Bullying and many social themes. Besides, of course, Karate is self-defense. 

I will bring here for this interview the actor Rick Perez debuting in the third season of Cobra Kai, he who shows a lot of empathy and solidarity with the cause raised for the third consecutive year: #SetembroInclusaoNoKarate, and I perceive in his answers a great sincerity and affection for the fans Here in Brazil. 

Rick Perez worked in great productions and his last works were:
22 Miles 2018, Blood On Her Name 2019, The Resident 2020, Cobra Kai 2021.


Vamos a nossa entrevista... Let's go to our interview... 

Jefferson Oliveira: Rick conte-nos o resumo de sua história como ator? Como surgiu a vontade de atuar? (Rick, please tell us about your journey in becoming an actor. Where did the love for acting come from?) 

Rick Perez: My journey to becoming an actor started at the early age of five years old. My Father was a tremendous part in fostering my drive in pursing a career in acting. Always taking me to the movies every week became the norm while growing up. The genesis was when he had taken me to see my first movie, Star Wars, on its opening day in 1977. As I looked around the movie theater my heart raced as I saw the raw emotions and excitement of the audience as they watched a piece of cinematic history unfold. It was at that very moment that I wished to someday spread that same positive energy through my own contribution in cinema. 

Minha jornada para me tornar um ator começou na idade de cinco anos. Meu pai desempenhou um papel importante no incentivo à minha busca pela carreira de ator. Sempre me levar ao cinema todas as semanas se tornou a norma enquanto eu crescia. A gênese foi quando ele me levou para ver meu primeiro filme, Star Wars, no dia de sua estreia em 1977. Enquanto eu olhava ao redor do cinema, meu coração disparou ao ver as emoções cruas e a empolgação do público ao assistir a uma peça da história cinematográfica se desdobrar. Foi nesse momento que quis um dia divulgar essa mesma energia positiva através da minha própria contribuição para o cinema. 


Jefferson Oliveira: No Brasil sempre fomos apaixonados pelos filmes da série Karate Kid, e agora não é diferente, pois amamos Cobra Kai. Como foi para você ter a oportunidade de atuar na série Cobra Kai? (Brazilians have always had a love affair for movies such The Karate Kid sequels and now is no different the way we love Cobra Kai. What was it like for you to be casted in Cobra Kai?) 

Rick Perez: It was a dream come true and truly surreal for me. Being a huge fan of the original franchise I was truly awestruck upon hearing the news that the original actors, Ralph Macchio and Williams Zabka, were the reprising their roles in the expanded storyline with the birth of Cobra Kai. When the series came out on YouTube I was an instant fan. I was thrilled to be offered the opportunity to audition for the role of Roger. It was a truly surreal moment upon hearing the news that I had landed the role. 

Foi um sonho tornado-se realidade e verdadeiramente surreal para mim. Sendo um grande fã da franquia original, fiquei verdadeiramente pasmo ao ouvir a notícia de que os atores originais, Ralph Macchio e Williams Zabka, estavam reprisando seus papéis no enredo expandido com o nascimento de Cobra Kai. Quando a série foi lançada no YouTube, eu era um fã instantâneo. Fiquei emocionado ao receber a oportunidade de fazer um teste para o papel de Roger. Foi um momento realmente surreal ao ouvir a notícia de que consegui o papel. 




Jefferson Oliveira: Você tem alguma relação ou experiência com arte marcial ou qualquer tipo de luta? Como é a relação com o elenco? (Do you have prior training in Martial Arts? How did you and the cast get along?) 

Rick Perez: During my youth I had audited many classes that trained Karate but wasn’t able to fully commit at the time. Having been raised in the tough streets of Brooklyn New York in the early 80’s, one had to quickly adopt street fighting as the more popular mode for self defense. The cast was truly like a family. They were all extremely warm, convivial, and caring as they welcomed each additional actor brought into the fold. 

Durante minha juventude, eu havia auditado muitas aulas que treinavam Karate, mas não era capaz de me comprometer totalmente na época. Tendo sido criado nas ruas difíceis do Brooklyn, em Nova York, no início dos anos 80, era preciso adotar rapidamente as lutas de rua como o modo mais popular de autodefesa. 

O elenco era realmente como uma família. Todos foram extremamente calorosos, sociáveis ​​e atenciosos ao dar as boas-vindas a cada ator adicional trazido para o set. 


Jefferson Oliveira: O que podemos esperar de Cobra Kai particularmente de sua participação na 3º Temporada? (What should we expect from Cobra Kai? Particularly, what can we expect to see from you in the third season?) 

Rick Perez:Fans throughout the world should expect to see an exciting and thought provoking S3 that will continue to raise the bar with additional twists thrown in. While I cannot discuss the nature of my character, due to signed non-disclosure acts, I can only say that Roger will fit quite well with the overall excitement that this sought after show brings to its millions of fans. 

Fans de todo o mundo devem esperar para ver um S3 empolgante e instigante que continuará a elevar a barra com reviravoltas adicionais. Embora eu não possa discutir a natureza do meu personagem, devido aos atos de não divulgação assinados, eu só posso dizer que Roger vai se encaixar muito bem com a empolgação geral que esse show tão procurado traz para seus milhões de fãs. 


Jefferson Oliveira: Estamos durante o mês de setembro, sempre falando com ênfase sobre inclusão no Karate e no esporte. Como você vê essa questão? (During the month of September we emphasizing the importance of inclusion in Karate and in sports. How do you feel about this?) 

Rick Perez: Inclusivity should be the ethical foundation in all sports especially Karate. It is the unique contributions from those that deal with adversities through disabilities that should be recognized as symbols of strength and perseverance. Rather than looked upon as a hindrance. 

A inclusão deve ser a base ética em todos os esportes, especialmente no Karate. São as contribuições únicas daqueles que lidam com as adversidades por meio de deficiências que devem ser reconhecidas como símbolos de força e perseverança. Em vez de ser visto como um obstáculo. 


Jefferson Oliveira: Fiquei sabendo da admiração pelo atleta Jonas Amaral, conte-nos como você o conheceu. Você pode deixar uma mensagem para os fans no Brasil? (We’ve heard about your admiration for Jonas Amaral, tell us how you two met? Any words of wisdom for your Brazilian fans?) 

Rick Perez: Being an avid follower of the Cobra Kai Series, Jonas came across the news of my character. Shortly after, I received an overwhelming support from Jonas. I try to stay very engaged with my fan base through social media communications. After reviewing his social media page, I discovered that he was a black belt in karate and had accomplished this with the use of only having one leg. I was truly in awe of his courage and perseverance. He is an inspiration to me and should be to many others for his courage, dedication, and passion for the art of Karate. He is a true Cobra Kai and the consummate example of what karate truly represents. His unwavering and selfless acts towards gaining much needed attention for inclusion within the Karate community should be applauded and mirrored by all. 

To my growing number of wonderful fans throughout Brazil, I send my most heartfelt thanks and love for your support despite having even seen my contribution to the show. I hope to someday have the opportunity to visit Brazil and celebrate the success of CK with you all. I am very blessed to have been selected to be a small part of such a great vision. The writers of Cobra Kai known as The Big 3 (Jon Hurwitz, Josh Heald, and Hayden Schloshberg), are true visionaries. 

They deserve our thanks for paying true homage to the original Karate Kid cannon by bringing a timeless beloved story back into the mainstream with a fresh new direction that has captivated a worldwide audience. 

Sendo um ávido seguidor da Série Cobra Kai, Jonas se deparou com as novidades do meu personagem. Pouco depois, recebi um apoio esmagador de Jonas. Tento me manter muito envolvido com minha base de fans por meio de comunicações nas redes sociais. Depois de revisar sua página de mídia social, descobri que ele era faixa preta em Karate e tinha feito isso usando apenas uma perna. Fiquei realmente maravilhado com sua coragem e perseverança. Ele é uma inspiração para mim e deveria ser para muitos outros por sua coragem, dedicação e paixão pela arte do Karate. Ele é um verdadeiro Cobra Kai e o exemplo perfeito do que o Karate realmente representa. Seus atos inabaláveis ​​e altruístas no sentido de obter a atenção necessária para inclusão na comunidade do Karate devem ser aplaudidos e refletidos por todos. 

Para o meu número crescente de fans maravilhosos em todo o Brasil, eu envio meus mais sinceros agradecimentos e amor pelo seu apoio, apesar de ter visto minha contribuição para o show. Espero um dia ter a oportunidade de visitar o Brasil e comemorar o sucesso da Cobra Kai com todos vocês. Eu sou muito abençoado por ter sido selecionado para ser uma pequena parte de uma visão tão grande. Os escritores de Cobra Kai, conhecidos como The Big 3 (Jon Hurwitz, Josh Heald e Hayden Schloshberg), são verdadeiros visionários. 

Eles merecem nossos agradecimentos por prestar uma verdadeira homenagem ao canhão original do Karate Kid, trazendo uma história amada e atemporal de volta ao mainstream com uma nova direção que cativou um público mundial. 


Agradecimento 

Gostaria de agradecer á Rick Perez, pela gentileza em conversar conosco, trazendo boas vibrações para a causa da inclusão. Gostaria de desejar todo sucesso profissional e pessoal. Que seja um sucesso esse novo trabalho com Cobra Kai. 

Rick quero lhe dizer que foi uma honra ter conhecido você, e saber que mesmo tão longe, e com os seus compromissos você mostrou um carinho enorme por todos nós. Desejo saúde irmão.    

Sou um fan aqui do Brasil, gostaria de enaltecer o grande trabalho realizado pelos escritores de Cobra Kai, conhecidos também como The Big 3: Jon Hurwitz, Josh Heald e Hayden Schloshberg. 
Com um enredo atual, e temas relevantes trás para todos nós essa obra capaz de envolver as pessoas, as trazendo para dentro dos Dojos de Karate no Brasil e no mundo. Parabéns!  

Um grande Abraço! 

I would like to thank Actor Rick Perez, for his kindness in talking to us, bringing good vibes to the inclusion cause. I would like to wish every professional and personal success. May this new work with Cobra Kai be a success. 

Rick I want to tell you that it was an honor to have met you, and to know that even so far, and with your commitments, you showed a great affection for all of us. I wish health brother.

I'm a fan here in Brazil, I would like to praise the great work done by the writers of Cobra Kai, also known as The Big 3: Jon Hurwitz, Josh Heald and Hayden Schloshberg.
With a current plot, and relevant themes, this work is capable of involving people for all of us, bringing them into the Karate Dojos in Brazil and in the world. Congratulations!

A big hug! 

Oss! Osu! Ossu!
Jefferson Oliveira Estudante de Karate e Professor de Educação Física


 
Créditos: Jonas Amaral e Jefferson Oliveira

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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

RAIO-X da WTKO, o mestre Stan Schmidt e suas facetas e uma história com o mestre Taketo Okuda

Mestre Stan Schmidt á esquerda e Sensei Roberto Sant Anna á direita

Olá Karatecas, trago aqui a terceira entrevista especial do PROJETO RAIO-X DO KARATE NO BRASIL. 

E hoje vamos conhecer um pouco da WTKO, e das histórias especiais narradas pelo Sensei Roberto Sant Anna que é representante oficial desta escola no Brasil. 

Atualmente o que há, é esta barreira invisível, denominado como Covid-19, e que nos distancia. A nosso favor temos outras ferramentas, as tecnológicas, que são acessórios de comunicação, mediante ao problema do distanciamento social e que em alguns casos até nos aproxima. 

Hoje além do tema alvo que é conhecer a WTKO, pedirei licença para você leitor para falarmos sobre duas lendárias figuras do Karate: 

O mestre Stan Schmidt e o mestre Taketo Okuda. O primeiro não mais entre nós e o segundo uma figura lendária do Karate no Brasil. 

E para falarmos sobre todos esses assuntos preciso recorrer ao sensei Roberto Sant Anna, uma figura para alguns polêmica e para outros espontâneo. 

Atenho-me a dizer que foi um prazer e uma grata surpresa falar com ele e trazer a vocês mais alguns trechos da história do Karate no Brasil. 


APRESENTAÇÃO DO CONVIDADO  

Sensei Roberto Sant Anna 


6º Dan de Karate estilo Shotokan 
Representante da WTKO no Brasil e grande estudioso do Karate no Brasil e no mundo. 

Participou de cursos e seminários em todo mundo, tendo como importante marca 42 viagens a África do Sul.    



Vamos a nossa entrevista... 


Jefferson Oliveira: Sensei conte-nos em síntese um pouco de sua história inicial com o Karate. 
Roberto Sant Anna: Comecei em 1975 no Karate, e foi logo após treinar um pouco de Judô, com um professor chamado Osawa, ele que dava aulas de Judô e também de Karate. Em seguida conheci Okuyama Sensei que foi um dos primeiros alunos do Sensei Okuda. 
Quando Okuyama veio para Ribeirão Preto senti logo de cara que o Karate dele era mais forte. Fui com ele de 1979 até 1984, e foi quando eu comecei a treinar com sensei Okuda todas as sexta-feira, e isso logo após meu exame de shodan, e seguimos juntos até 1994. Desliguei-me por problemas pessoais. 
Foi quando acabei me filiando ao Sensei Stan Schmidt da África do Sul onde permaneci até o ano passado, que foi o ano de seu falecimento. Passei a ir todos os anos a África do Sul, e inclusive tiveram anos que cheguei a ir duas vezes. 
Senti no Sensei Stan, algo diferente, e era na relação pessoal, ele era muito diferente de dos professores japonês, ele compartilhava o conhecimento, eu sentia que não existia assunto proibido para falarmos. Além disso, o sensei sempre foi uma pessoa que treinou e estudou outras artes marciais, realmente tínhamos algo em comum, penso ser um encontro de almas. 


Jefferson Oliveira: Qual a organização você representa aqui no Brasil? Como surgiu a oportunidade de representá-la? 
Roberto Sant Anna: Hoje represento a WTKO que é liderada por Sensei Richard Amos, com sede em Nova York EUA, e foi uma indicação do próprio sensei Stan Schmidt. 
Posso dizer que a WTKO, não oficialmente, é um braço da JKA do Japão, pois sensei Richard Amos foi um dos poucos ocidentais a concluir o curso de Kenshusei na JKA, embora tenha se desligado da escola pouco depois. Além disso, temos a diretoria técnica com o Sensei Steve Ubel que foi professor de Richard Amos, sobre o Sensei Steve Ubel tenho que dizer que foi o primeiro aluno ocidental de Nakayama Sensei na Hoitsugan, esteve com ele por quatro anos, ele chegou a escrever um livro sobre anotações de Nakayama, acredito que ele tenha o maior acervo desses conteúdos no mundo, além de um nível técnico genial. 

Nota: O curso Kenshusei foi instituído em consonância com o ministério de cultura e educação do Japão a pedido do Sensei Funakoshi, organizado por Nakayama, Okazaki e Nishiyama no intuito de preparar instrutores de elite para difusão do Karate no Japão e mundo a fora nesta ocasião pela NKK. O curso tinha duração de 1 ano para Full Time ou 2 anos Half time para quem não podia treinar o período todo. Podemos dizer que ali se forjaram grandes mestres de Karate devido ao nível de exigência, na época pensava-se nos desafios que surgiriam para testar a eficiência do karate perante as outras lutas nativas em outros países. 


Jefferson Oliveira: Como está organizada a WTKO no Brasil? Para quem tem o interesse como pode fazer parte? 
Roberto Sant Anna: A WTKO é uma escola de Karate Shotokan onde trocamos experiências em cursos, seminários, treinamentos especiais, e não necessariamente há competições. 
Somos um grupo menor aqui no Brasil, porém já estamos expandindo, estamos em alguns estados. Para fazer parte pode me procurar pessoalmente que estarei estudando caso a caso. 


Jefferson Oliveira: Passei a conhecer melhor sobre uma lenda do Karate justamente ao ouvir algumas de suas entrevistas. Afinal quem é o mestre Stan Schmidt? E como você o conheceu? 
Roberto Sant Anna: Em 1984 eu comprei um livro escrito por sensei Stan Schmidt, um belo dia apareceu o Ícaro me dizendo sobre um filme que o sensei estava estrelando, e era um filme de Hollywood, ao ver esse filme me impressionei. 
Resolvi escrever uma carta direcionada ao sensei Stan Schmidt na JKA da África do Sul, e aguardei ansioso por essa resposta, e depois de dois meses aproximadamente, ao chegar à academia vejo um envelope picado no chão pelo meu cachorro, logo pensei: Tomara não seja do Sensei Stan Schmidt pois eu poderia perder alguma informação, e realmente era, tive que remontar a carta para poder ler. 
Nesta carta ele relata que foi colega do sensei Okuda no Kenshusei da JKA, e me tratou super bem, inclusive me convidando para ir à África do Sul, ele dizia que eu seria seu hóspede. Foi quando eu fui escalado para disputar o campeonato mundial. Pensei que poderia aproveitar esta oportunidade. Ao chegar ele me levou direto para seu Dojo a Escola de Karate Stan Schmidt. Posso dizer que foi o maior dojo que já vi na vida. 

Carta recebida do Mestre Stan Schmidt
Quanto ao Sensei Stan posso dizer que era uma pessoa muito generosa, bondosa, adorado na África do Sul, um líder de verdade. 
Vou relatar até uma história aqui. Saímos pela África do Sul, eu e ele de carro, e um guarda rodoviário nos parou, espantosamente viu que era o Sensei Stan, ele só dizia com muita empolgação: Mestre Stan Schmidt! 
O sensei fazia questão de dizer: Mestre que nada, então ele perguntou ao rapaz se treinava Karate, o mesmo disse que treinava Kyokushin, isso devido a sua condição financeira, por que Shotokan era muito caro e o dinheiro não dava. Espantosamente o mestre disse que Kyokushin era o mais forte de todos os estilos de Karate, mostrando assim uma gentileza sublime. 

Conversávamos de madrugada sobre as histórias de Karate no Brasil, e ele me contava sobre suas lutas com grandes mestres da JKA. 
O sensei Stan era considerado no mesmo nível de Shirai, Enoeda, e apesar disso ele sempre foi muito humilde. 
No dia de sua morte havia um pedido especial para mim para que dentre as seis pessoas que compunha sua família e alunos antigos, eu fosse um dos que segurasse a alça de seu caixão, logo no dia seguinte a sua morte, fui às pressas a fim de cumprir seu desejo. 


Jefferson Oliveira: Qual a história mais inusitada você viveu na prática com o mestre Taketo Okuda? 
Roberto Sant Anna: Teve um dia que fui a São Paulo, buscar um Kimono para o Sensei Okuda, da marca Hachiman a qual pertencia ao Sensei Johannes, fui pegar esse kimono para presentear o sensei Okuda pois sabia que ele gostava muito desta marca. Foi quando Johannes me pediu para ir ao treino, eu logo disse que o Sensei Okuda era muito sistemático. 
Então eu disse: não posso convidar você porque eu sou um convidado por lá. 
Ao subir as escadas era comum subirmos já com as pernas trêmulas. Com um olhar fulminante Sensei Okuda me olhou e ali percebi que eu tinha um grande problema. 
Ele me disse: Quem mandou trazer amigo? É aluno de outro professor e que seria falta de respeito ele treinar ali e o professor dele poderia ficar chateado. 
O sensei Okuda chamou frente a frente logo o Johannes, esse treino foi muito forte com agachamento e com a bola de medicine Ball, eram centenas de repetições com cada perna. 

Sensei Roberto á esq e Sensei Taketo Okuda á dir

Vale uma nota: O Sensei Okuda só treinava frente a frente com o Sensei Carlão ou Sensei Chicão e por isso o meu espanto. 
Acabou o treino e sensei Okuda disse que depois fosse a mesa dele para conversar. 
Sensei Okuda me disse: Se você trouxer mais alguém aqui na minha academia vou matar você! Você nunca mais traga ninguém aqui sem minha permissão. 
Eu sai triste e chateado, mais tive que absorver isso. Passado algum tempo ele chegou até a mim e me perguntou: 
Quanto tempo demorou para você entrar no meu coração? Você quer que eu aceite outra pessoa em meu coração na mesma hora, isso é impossível. 
E foi uma das maiores aulas que tive na vida. Sensei Okuda era o mestre da gente, meu sensei mesmo foi Okuyama, eu treinava aos finais de semana com Okuda. 
Sensei Okuda nunca me cobrou nada pelo treinamento, e eu sempre tentei pagar, porém, ele se recusava sempre. 
O sensei Okuda tinha como virtude seriedade e atitude dele em relação ao Budo, ele parece um samurai mesmo, na essência, ele tem algo que nunca senti em ninguém, uma energia diferente. 


Jefferson Oliveira: Ouvi ainda sobre o encontro de Sensei Taketo Okuda com Sensei Stan Schmidt na sede da JKA, acho que nossos telespectadores gostariam de ouvir novamente. O senhor poderia nos contar essa história? 
Roberto Sant Anna: O Sensei Stan Schmidt sempre foi autodidata, ele era judoca e um campeonato de Judô acabou quebrando a perna, quando ele recebeu de seu professor de Judô, dois livros de Karate e começou a estudar. Incrivelmente seis meses depois ele começou a ensinar Karate e já tinha cerca de 80 alunos. Nesse momento o dono da academia pediu que ele fosse ao Japão para se aperfeiçoar e aprender o Karate corretamente. 
Chegando ao Japão, logo o sensei já com o livro debaixo do braço, e cito era o Livro do Sensei Nishiyama, foi a JKA, e ao bater na porta, quem o atendeu foi justamente o mestre Taketo Okuda, e nesse momento havia um impasse: um falava inglês e outro japonês, e um ficou empurrando a porta, e o outro segurando. Quando sensei Stan empurrou a porta, foi logo entrando, e foi quando sensei Nakayama veio e pediu que ele aguardasse ali sentado, que depois ele conversaria com ele, por que estava ocorrendo um treino especial. 
Acabou o treino, o Sensei Nakayama veio até ele, e perguntou o que ele desejava, e com quem ele treinava Karate, logo o sensei Stan mostrou o livro de Nishiyama e disse que veio até ali para treinar Karate. O mestre Nakayama disse para que sensei Stan que voltasse no dia seguinte para treinar junto com os demais estrangeiros, e o sensei Stan retrucou e disse que queria treinar com gente boa e não com qualquer um. 
O mestre Nakayama dizia que aquele treino era para profissionais, para instrutores da JKA. 
Sensei Stan disse: Eu aguento qualquer coisa porque vou ser profissional, na sequência foi se trocar, e na cintura veio amarrado com a faixa verde. 
Espantoso mestre Nakayama perguntou que faixa era aquela. Foi quando Sensei Stan disse que era uma faixa de iniciante. 
Nakayama pediu que ele executasse alguns fundamentos como oi zuki, por exemplo, e foi notório que ele já se destacava pela qualidade técnica. 
Nakayama sensei perguntou qual Kata ele sabia. Sensei Stan só sabia o 4º Kata que era o kata ensinado no livro de Nishiyama. Nakayama o colocou para lutar com instrutores fortes da JKA, o sensei Stan perguntou a Nakayama como ele deveria lutar, pois até então, ele nunca havia lutado Kumite, pois em seu livro não haviam ensinamentos específicos sobre Kumite. 
Foi quando Nakayama disse que ele poderia lutar como briga de rua mesmo, porque ali todos estavam preparados para essa situação. Nakayama disse: Você pode tentar qualquer coisa com eles (japoneses). 
Foi colocado logo de cara o Sensei Shirai atual campeão japonês para lutar com sensei Stan, foi quando espantosamente com um ushiro gueri o sensei Stan nocauteou Shirai. Na sequência veio Sensei Enoeda que também sofreu bastante, o pessoal falava que ele era um gênio, e que isso não era possível. 
Passado um tempo Nakayama o nomeou como instrutor da JKA na África do sul, sensei Enoeda foi à África do sul para prepará-lo, e cerca de 1 ano depois foi agraciado logo de cara com o 3º DAN. 


Jefferson Oliveira: Vamos esquentar um pouco a conversa por aqui. Qual a sua visão sobre o Karate proposto por mestre Nakayama? E em sua opinião o que fez com que vários senseis da NKK logo após a sua morte desvincularem para formar a própria organização? 
Roberto Sant Anna: O sensei Nakayama sempre foi líder nato, ele falava mandarim e sempre foi uma pessoa muito inteligente por isso Sensei Funakoshi delegou a ele essa missão de liderar. 
Para mim o que mudou foi à atitude de treinamento, hoje no Japão por exemplo só vemos essa atitude em Dojos de Kendo ou Aikido, é difícil enxergar isso em outras modalidades. 
Essa atitude dos anos 70 anos 80, podia dizer que era ameaçadora, porque era perigoso treinar Karate nessa época, os mestres eram muito fortes, e os treinos com muitas repetições o que levava a exaustão. 
Hoje o Karate está mais Soft, hoje o pessoal pensa em treinar por exemplo e não sente mais aquele frio na barriga, começa pelos professores com aquele cronômetro pendurado no pescoço. Hoje penso por exemplo que não vemos como era antes, aquele treino duro e ostensivo. 
Sensei Nakayama morreu de repente, ele morreu em uma semana que estava acontecendo um gashuko internacional e tinham pessoas de todo mundo, ele fez uma reunião na noite anterior a sua morte e ele chamou os professores que participaram do Kenshusei ele chamou cada um dos instrutores individualmente, e começou a falar sobre as qualidades de cada um. Naquela noite ele faleceu. 
O Sensei Stan por exemplo, que também esteve lá na época, disse que imagina que Nakayama tivesse tido um tipo de premunição, porque ele se despediu de todos naquela noite. 
Sensei Nakayama não deixou alguém oficialmente para sucedê-lo, quem deveria ser seu sucessor,  penso eu deveria ser Kanazawa Sensei, porém o mesmo já havia se desvinculado da JKA para formar sua organização SKIF e que a essa altura já estava crescendo muito. 
Kanazawa conta em sua biografia que Nakayama o chamou para uma reunião que nunca ocorreu, imaginava-se que o assunto poderia ser a sucessão e o possível retorno, para possivelmente liderar a JKA no futuro. 
Após a morte de Nakayama, montou-se uma comissão técnica, e sensei Asai não aceitou isso e não participou dessa comissão técnica, foi quando se dividiu o dojo da JKA literalmente em 2 grupos: O primeiro liderado por Tanaka, Siguiura e Osaka o segundo grupo por Asai, Kagawa, Yahara. E na justiça ficou definido a saída de Asai que após formou sua própria organização. 


Jefferson Oliveira: Pensando historicamente, cite alguns mestres que influenciaram sensivelmente o Karate pelo Mundo, e mestres do cenário nacional em sua opinião. 
Roberto Sant Anna: Para mim Nakayama e Funakoshi foram os grandes mestres em nível mundial. 
Aqui no Brasil nos tempos grandes professores japoneses e acho que todos já conhecemos. 
Prefiro falar dos Brasileiros como: Ugo Arrigoni, Robson Maciel, Kazuo Nagamine, Ricardo D’Elia etc. Para mim essas pessoas são os responsáveis por manter o legado a eles passado, caso contrário correremos risco de no futuro termos só atletas. 
Acho que falta cultura, que se leia mais livros para ser um diferencial. Percebo que há falta reconhecimento para esses professores citados e na medida em que você começa a ler mais você se torna um responsável para que toda essa história não morra. 


Agradecimento 

Gostaria de manifestar minha gratidão ao Sensei Roberto Sant Anna por compartilhar conosco essas grandes histórias, principalmente pelo fato de ser um grande estudiosos e historiador. 
Sucesso! Saúde! 


Jefferson Oliveira                                                                                                                              Professor de Educação Física e Estudante de Karate-do estilo Shotokan 
OSS! OSU! OSSU! 

sexta-feira, 5 de junho de 2020

APESAR DAS DIFICULDADES DO ISOLAMENTO SOCIAL, UMA DAS MISSÕES DO SENSEI É MANTER AS MEMÓRIAS DO KARATE.

                     
Convidado entrevista do mês: Sensei Gerson Almeida 5º Dan JKA 

Olá Karatecas, esse mês resolvi falar sobre isolamento social e seus efeitos no que tange a manutenção da estrutura de um Dojo, também desejo trazer aqui um exemplo dos esforços empregados por parte do Sensei, nessa missão sem fim de manter ativas as memórias do Karate-do.

Embora o isolamento social e seus efeitos econômicos seja comummente discutidos sob duas vertentes: a economia e a saúde.

O fato é que nesse caso realmente não podemos ver o inimigo, no caso o COVID-19.

Não estou aqui para falar sobre minha visão particular, tampouco influenciar pessoas a tomar partido, ou mesmo propor uma forma milagrosa de conciliar economia e saúde.

Logo quero lhes contar uma história de vida dedicada ao estudo e ensino do Karate Shotokan no Brasil. Ao mesmo tempo quero falar sobre o sentimento envolvido, sobre alguns aspectos do isolamento social, quero lhes apresentar a perspectiva do sensei quando reconhece as cicatrizes e marcas da sua história para justamente encontrar a força necessária para superar essa crise, seja pelo aspecto: Psicológico, físico e econômico.

Hoje trago aqui a participação do Sensei Gerson Carlos de Almeida em uma entrevista especial.


APRESENTAÇÃO DO CONVIDADO

Sensei Gerson Carlos de Almeida

É praticante de Karate-Do estilo Shotokan desde a década de 70, iniciou na academia Botokukan, com o Sensei Taketo Okuda.

Atualmente é 5º Dan da JKA Japão e faz parte da comissão técnica da JKA Brasil, é vice-presidente da JKA São Paulo.

Participa de vários cursos e campeonatos nacionais e internacionais, entre eles; os mais marcantes foram os mundiais de 2004 no Japão, 2006 na Austrália, 2011 na Tailândia, 2014 no Japão e 2017 na Irlanda, também participou de 8 campeonatos Sulamericanos.
Sensei Gerson Almeida com a Seleção Brasileira JKA

Vamos à entrevista...

Jefferson Oliveira: 
Sensei conte-nos um pouco sobre seu início no Karate.
Sensei Gerson Almeida: Ingressei nas artes marciais por acaso, um amigo que já era praticante me convidou para conhecer o Dojo do Sensei Okuda, participei de uma aula teste e me apaixonei pelo karate, depois disso nunca mais deixei de aprender, e treinar. Posteriormente tendo a honra de ministrar aulas para meus queridos alunos.


Jefferson Oliveira: Sensei ouvi sobre sua vivencia no Karate no começo com Sensei Taketo Okuda. Conte-nos como você o conheceu? E como é a sua relação com o mestre?
Sensei Gerson Almeida: Como já escrevi acima, foi uma afortunada coincidência, eu vim a conhecê-lo por acaso como um aluno comum. Com o passar do tempo fui me dedicando muito aos treinos e admirando cada vez mais o trabalho do Sensei. Com os anos de convivência estreitamos laços de amizade através do amor ao Karate Do, ele é um grande mestre e o considero um grande amigo.


Jefferson Oliveira: Sensei você veio de uma geração fantástica do Karate no Brasil e para mim particularmente, é uma referência histórica, sendo um dos percussores do Karate JKA no Brasil, logo gostaríamos de saber quais foram suas referências no Karate em todos os tempos.
Sensei Gerson Almeida: Minhas referencias vieram do karate mais tradicional. Através do Sensei Okuda aprendi muito sobre a história do karate e também sobre grandes mestres do passado como Sensei Funakoshi considerado o pai do karate e o Sensei Nakayama que difundiu a arte para todo o mundo e foi o Mestre do Sensei Okuda.

Também conheci o trabalho de muitos outros mestres entre eles, Masahiko Tanaka, Takemori Imura, Fumio Demura, Stan Schmidt, Ueki Masaaki, Tetsuohiko Asai, Yasuyuki Sasaki, Yoshizo Machida.


Jefferson Oliveira: Acredito que o Karate precise constantemente remontar suas raízes históricas, principalmente para os iniciantes na arte. Para mim é uma lição diária buscar reconhecer esses personagens e buscar mostrar suas histórias, me emocionou ao ver algumas fotos suas na rede social, referenciando toda uma história de vida dedicada ao Karate, no caso a sua. Fale sobre seus sentimentos nessa relação de isolamento social, como você tem lhe dado com essa crise?
Acervo histórico do Sensei Gerson
Sensei Gerson Almeida: Vivemos um momento histórico onde a humanidade precisa se reinventar, é uma hora de reavaliação, e muita dor, essa doença mudou a vida de todos, fomos pegos de surpresa e temos que nos adaptar as mudanças com o máximo de equilíbrio possível.

Para o karate esta sendo muito sacrificante, pois as academias estão fechadas pelo mundo, cursos e campeonatos cancelados e até mesmo a apresentação de nossa arte marcial nas olimpíadas do Japão foi adiada.

Soube com pesar que muitos companheiros não estão conseguindo passar por esse período sem ter dificuldade, tendo problemas para manter seus Dojos e alunos, passamos por tempos de incertezas e crise financeira.

Em minha academia tentamos manter o vinculo de amizade e companheirismo. Bolamos atividades para estimular os alunos a continuar treinando mesmo em casa e agora também estamos iniciando aulas online para manter nosso corpo saudável e nosso espírito forte, usando a ferramenta que mais nos une atualmente a internet.


Jefferson Oliveira: Algumas pessoas ilustres do Karate estiveram em seu Dojo: Sekaikan. Você pode citar algumas delas? Particularmente gostaria de saber mais sobre a visita do lendário sensei Fumio Demura a seu Dojo. O senhor pode nos contar como ocorreu essa visita?
Sensei Gerson Almeida: Foram muitos grandes mestres que tive a honra de receber em meu Dojo, mas acho que o mais famoso deles, inclusive para as pessoas que não são praticantes ou conhecedoras do karate foi o Sensei Demura, ele se tornou mundialmente conhecido pela sua participação no cinema norte americano, o filme mais conhecido acho que foi o clássico Karate Kid, ele é considerado o responsável pela popularização do karate no ocidente por muitas pessoas.

Em 1999 o Sensei Demura veio ao Brasil por convite da CBKI (Confederação Brasileira de Karate Interestilos) para uma apresentação no Campeonato Brasileiro de Karate Interestilos daquele ano, que aconteceu no Ginásio do Ibirapuera.

Durante sua visita passou por meu Dojo para treinar para sua apresentação e também nos mostrou sua técnica e contou um pouco de sua história, um grande Mestre e um homem extremamente humilde e alegre. Foi uma honra e um grande prazer conhecê-lo


Jefferson Oliveira: Como você tem feito para buscar manter a Sekaikan pronta para a continuidade após essa Pandemia?
Sensei Gerson Almeida: Eu não comecei minha carreira de trabalho no karate, meu trabalho como professor veio muitos anos depois, e por muito tempo mantive duas formas de renda em minha vida, sou aposentado do antigo banco do estado de São Paulo e por isso tenho uma segunda renda o que me ajuda muito a manter a academia viva, além-claro, do generoso apoio de meus queridos alunos que colaboram para as despesas do Dojo. Eu sempre visito o dojo e tento manter o espirito de nossa arte vivo, logo estaremos treinando de novo.

Jefferson Oliveira: Muitos professores vivem das aulas de Karate, e para alguns é sua renda única. Para você as aulas de Karate tem qual impacto financeiro em termos de renda familiar?
Sensei Gerson Almeida: Claro que sofri o impacto dessa quarentena em minha vida financeira e de minha família, mas como já escrevi, tenho uma segunda profissão que me ajuda nesse momento, como todos os brasileiros; não só os professores de karate; estou aprendendo a me adaptar a atual realidade e esperando por tempos melhores.


Jefferson Oliveira: Como tem sido sua rotina nesses tempos? O senhor poderia nos deixar aqui algumas dicas de como manter a mente sadia diante de tantas notícias ruins dos últimos tempos?

Sensei Gerson Almeida: Tento manter a mente ocupada com leituras e estudos de todos os tipos, mas principalmente dentro do mundo do Karate.

Momentos de descanso e lazer são importantes também, me alimento bem e mantenho meu corpo ativo com pequenos treinos e exercícios de respiração.


O RECADO DO SENSEI

Deixo minha mensagem de esperança, estimulo e força.

Estamos todos passando por uma época muito triste em nosso país e também no mundo todo, mas como tudo na vida, este momento é passageiro, tenho fé que vamos superar as dificuldades e nos reerguer.

Devemos nos apoiar em nossas famílias e amigos. Como karatecas não podemos deixar de lutar! Venceremos!

OSSU!


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Independentemente de uma suposta condição financeira seja ela ruim ou previlegiada, uma coisa temos em comum a vontade de manter essa tradição da pratica do Karate mesmo que precisemos lutar com adversário invisível 24 horas por dia, e assim como exemplo é o que pressupõe a prática dos kata.

Nossa mente passa por situações de extremo stress emocional e nosso corpo sofre os efeitos, pois assim como no Karate devemos preparar-nos sempre para o próximo nível de esforço. Assim aperfeiçoamos nossa técnica, assim superamos os limites e assim venceremos essa batalha pela saúde.

Se não puder golpear estude o golpe. Não deixe de imaginar o golpe perfeito e de planejar a melhor forma de executá-lo em breve na prática.


AGRADECIMENTO

Que imenso prazer senti ao ter o senhor como convidado Sensei Gerson penso que não se aprende tão somente pela prática e fundamental a reflexão.

Quero demonstrar aqui minha admiração e todo respeito a sua história magnifica de dedicação ao Karate.

Muito obrigado por essa aula especial.

Desejo o bem fundamental: Saúde!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física
Estudante de Karate-do estilo Shotokan
OSS! OSU! OSSU!

UMA EXPERIÊNCIA COM UM ESTILO DE KARATE DE OKINAWA E ENTREVISTA COM O MESTRE TAKESHI MIYAGI

Olá, Karatecas, Este mês quero deixar aqui registrado, uma nova experiencia que vivi ao treinar um outro estilo de Karate: o Shorin Ryu, é u...

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