terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O DESAFIO DE TREINAR KARATE-DO NO JAPÃO


Hoje trago no blog um tema bastante interessante e que desperta muita curiosidade na comunidade Karateca do Brasil e no mundo. Vamos falar sobre treinar Karate-do no Japão, e para isso trago como convidado o Sensei Daniel Veríssimo Pinto (Pinto San) natural de Recife/PE, Brasil, que começou a treinar Karate aos 16 anos de idade, ele que há cerca de 12 anos atrás resolveu ir morar no Japão, onde reside até hoje. 

Sensei Daniel que mantem o site pintokaratedojo, sempre com conteúdo atualizado, além de apresentar a rádio Karate que cresce cada vez mais devido a qualidade de seu trabalho em prol da divulgação do Karate-do. Todas as semanas e normalmente aos domingos traz muitos temas para discussão além de grandes mestres e convidados. 

Em nossa entrevista o sensei Daniel me contou que sempre manteve desde muito cedo o sonho de ir para o Japão em uma busca afim de desbravar a cultura japonesa e posteriormente de treinar Karate-do.

Ao longo da entrevista fui conduzido a compreender como é o treinamento e a rotina frenética do povo japonês e as possibilidades de treinar Karate-do no Japão, partindo desde as questões de socialização e passando por fatores culturais e as experiências que esse longo período trouxe ao sensei Daniel.


Apresentação do convidado


Sensei Daniel Verissimo Pinto 

2º Dan pela JKA Japão 
3º Dan pela Karate No Michi KWF Japão.

Praticante de Karate-do estilo Shotokan há 23 anos. 
Estudante de Naginata (lança Japonesa) e do estilo Shito Ryu. 
Além de pesquisador e um amante de Kobudo. 

Apresentador da Radio Karate e idealizador do site Pintokaratedojo.com


Fomos adiante com a entrevista... 

Jefferson: Sensei há quanto tempo você treina Karate e como surgiu a ideia de ir para o Japão?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Treino karate há aproximadamente 23 anos. Comecei com 16 anos de idade por incentivo de amigos de infância e o meu objetivo com os treinos sempre foi a defesa pessoal. Desde meus 8 anos de idade sempre tive um sonho de conhecer o Japão. Sempre fui apaixonado pela história, mitologia e costumes desse país. Minha esposa é filha de japonês, e depois de 1 ano de casados decidimos vir morar no Japão. No meu caso com o objetivo de treinar e estudar karate no seu berço.


Jefferson: Além dos fatores culturais como você descreve o povo japonês e particularmente o karateca?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: O povo japonês é conhecido por sua disciplina e pensamento coletivo, além do seu vício em trabalho, o que chega a ser um problema para o País, por incrível que pareça. São condicionados desde pequenos a pensarem de uma forma homogênea, particularmente não gosto muito disso, mas podemos aprender muita coisa boa observando-os.
Os karateka não são diferentes, sempre disciplinados e focados durante o treino, mas a forma de pensar chega a atrapalhar um pouco o desenvolvimento do karate como arte marcial (goshijutsu). É claro que outros fatores também influenciam, tal como a sociedade pacífica. Lembro-me que uma vez Ubusuki sensei, aluno direto de Gichin Funakoshi sensei e um dos meus professores no Honbu dojo da Karate No Michi, falou durante um treino que o karate japonês perdeu um pouco da sua essência como arte marcial devido à segurança do país. O Japão é um país tranquilo, onde ainda posso andar numa rua escura às 00:00h a noite escutando música no meu smartphone sem me preocupar com assalto. Diferente de nós brasileiros que somos acostumados com a violência do dia a dia, e que sempre buscamos uma forma de nos proteger.


Jefferson: Como o “estrangeiro” deve se comportar no antes, durante e pós sessão de treinamento em um dojo tradicionalmente japonês?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Como um karateka japonês, ainda mais se você estiver treinando em um dojo de alguma cidade pequena, os mais tradicionais. Obedecer ao Reigi Saho (normas e etiquetas do dojo), o que inclui respeitar os mais velhos (senpai), manter-se sempre atento as explicações, não conversar paralelamente, respeitar as regras cerimoniais e servir de exemplo no caso de ser graduado.


Jefferson: Como é a relação kohai, senpai, sensei e shihan no Japão?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: A relação senpai/Kohai é comum não somente nos dojo, mas em toda a sociedade japonesa. É mais uma das coisas que o karate de Okinawa tomou emprestado para se transformar em karate japonês. 
É uma relação como a de irmãos, o mais novo sempre obedecendo ao mais velho, e esse por sua parte instruindo e auxiliando o seu kohai na melhor forma. Em certos casos, isso se torna meio que uma estrutura militar e acaba dando brechas para alguns senpai, não muito educados, usar esse “poder” a seu favor e causando abusos, que aliás é comum no Japão. 
No caso de sensei e Shihan, eu não conheço muito bem pois no meu estilo de karate (Shotokan) não usamos os títulos de shihan ou kyoshi, exceto alguns karateka oriundos de outros estilos, onde é comum o uso desses títulos. Mas acredito que a relação não seja muito diferente da que existe entre senpai e kohai.


Jefferson: Existe preconceito em relação á brasileiro? Se sim, consegue nos contar um episódio que pode ver ou quem sabe presenciar?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Sim, existe preconceito por parte dos japoneses, não somente com os brasileiros, mas como todos os estrangeiros, até mesmo com os naturalizados ou com dupla cidadania. Mas isso também não é algo somente dos japoneses, acho que em todos os países existem pessoas preconceituosas.
No caso do Japão, é histórico, uma herança que alguns japoneses insistem em manter. Já vi muitos casos, pois moro em uma das maiores comunidades de Brasileiros no Japão. Alguns por culpa dos japoneses, outros, por culpa do comportamento de alguns brasileiros, mas não vale à pena citar já que acredito que não é esse o objetivo desse site.


Jefferson: Em sua viagem a Okinawa poderia nos contar como foi a emoção de ver peças e arquivos que remetem as origens do karate-do?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Eu era uma criança na Disneylândia. Meu sonho de conhecer Okinawa começou quando tinha 12 anos de idade ao assistir Karate Kid 2 na TV e prometi a mim mesmo que iria conhecer o berço do karate. A emoção começou desde que eu vi as ilhas que formam o antigo reino de Ryukyu pela janela do avião. Okinawa transpira karate em todos os lugares. É comum você encontrar algum vendedor de loja ou atendente que treina ou treinou karate. Placas com desenhos de karateka, indicando locais onde você pode treinar ou visitar, dojo em todos os bairros, é maravilhoso. O Museu do karate é um sonho para quem gosta da história da nossa arte. O prédio é lindo e as “relíquias “do museu é de fazer você chorar de emoção. Livros raros. Armas que foram usadas por mestres há 100 anos atrás, fotos históricas, uma maravilha. Me tornei amigo de alguns funcionários do Museu, e consegui mais informações. Infelizmente não pude filmar dentro por que não é permitido. A maioria das peças são de acervo particular das famílias dos mestres, e eles proíbem. Mas o pouco que deu para filmar está nos últimos vlogs no meu site.
Tive a oportunidade de treinar kobudo com um senhor de quase 90 anos de idade que contava histórias sobre o karate e kobudo nas pausas do treino, Yogi sensei (9º dan), um verdadeiro “Sr. Miyagi”. Fiz amigos, conheci muitos estrangeiros que dão aulas e tem dojo em Okinawa. Aquilo é um paraíso!
Por isso, decidi ir periodicamente (3 vezes ao ano) para treinar kobudo, karate e estudar mais a cultura local e sua influência no karate. 
Uma coisa interessante é que Okinawa não parece o Japão, já viajei por muitos lugares do arquipélago e, praticamente, é a mesma coisa em todo o País, mas lá parecia que eu estava em outro país, tudo é diferente. Culturalmente, eles têm laços e traços muitos fortes com a China.
Se você quer mesmo ir para um lugar onde karate está em tudo, esse lugar é Okinawa.


Jefferson: Você pretende retornar ao Brasil? E na sua opinião, na hipótese de um retorno, o que traria de mais precioso na bagagem como herança cultural e marcial?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Não pretendo voltar a morar no Brasil. Sou inquieto e gosto de me movimentar. Meus planos é morar em outro País ou possivelmente em Okinawa, mas isso é para um futuro distante. 
Devo ir ao Brasil para ministrar alguns cursos de karate pela organização que faço parte (KWF) e por insistência de meus amigos no Brasil. 
Acredito que o mais precioso que levaria do Japão para o Brasil seria minha experiência em lutar contra japoneses em competições, pois fui atleta no Japão por 8 anos dos quais 2 foram pela seleção do Estado de Shizuoka. E para os não-atletas, o mais precioso acredito que seria o meu conhecimento vivido, digo, o convívio na sociedade japonesa no dia a dia, trabalhando e estudando junto com eles e como isso influenciou e influencia dentro do karate japonês. Existem muitas lacunas nos treinos e entendimento do karate por parte dos estrangeiros e só são preenchidas depois que você passa a conhecer e conviver dentro da sociedade que o originou.


Jefferson: Como surgiu a ideia de propagar o Karate-do através das mídias sociais e da Rádio Karate?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Sempre gostei de escrever, ainda mais sobre karate. Meu primeiro site foi ainda na época da internet discada no antigo Geocite.
No Japão, o acesso fácil à internet banda larga deu mais possibilidade de criar conteúdo.
Em 2007 minha esposa me incentivou a criar um site pessoal para colocar minhas experiências e ideias sobre o karate. Criei meu primeiro site no blog spot, sem muita pretensão e comecei a postar minhas experiências com o karate japonês. No começo do Youtube, ainda em 2007, surgiram alguns projetos próprios para um canal sobre karate, mas desisti por que ainda não tinha material suficiente para isso.
Mas em 2008, depois de enviar um vídeo para um kohai meu de Pernambuco, vi que poderia ajudar outras pessoas com esse material e resolvi compartilhar. Na época os vídeos sobre karate no Youtube era partes de DVD ou VHS de competições ou treinamentos. Eu me orgulho de dizer que estou entre os pioneiros na internet com esse material próprio.
A ideia foi amadurecendo e vieram os podcast, que foi criado depois de um encontro de blogueiros no Japão em 2010 e de uma entrevista para um programa de TV do Brasil, com filial aqui no Japão.
Hoje, o site possui outras mídias sociais, como o Vlog ( programa no youtube), página no facebook, Instagram, WhatsApp, além de postagens de meus sócio/ colaboradores ( Tiago Frosi, Roberto Sant´anna e José Pedro Leal) , e nosso estagiário Giovani em nosso site. Todos karatekas.


Jefferson: Quais são os projetos para os próximos anos em relação ao Karate-do?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Me empenhar mais no desenvolvimento do Karate No Michi na minha região. Sou aluno e representante de Yahara sensei (8º Dan) e de sua organização (KWF) aqui na minha cidade e Estado. Pretendo me dedicar mais a isso.
Além disso, estudar mais o karate de Okinawa e Kobudo, através das periódicas viagens que estou fazendo para lá, treinando sob a tutela de Yogi sensei (9º dan de kobudo Renseikai) e Onaga sensei (8º Dan shito ryu). E mais uma viagem à China para estudar as raízes do karate de Okinawa através de alguns estilos de kung Fu. Morei em Beijing por 3 meses em 2015, onde dei algumas aulas de karate, mas não tive muito tempo para conhecer bem as artes marciais chinesas. Pretendo fazer isso em breve.
Ainda pretendo realizar mais um sonho, treinar Muay Thai na Tailândia. Existem vários ginásios de MT em que você pode ficar hospedado para treinar 2 a 4 horas por dia, além de ter a oportunidade de conhecer a cultura local, o que na minha opinião é essencial para entender melhor qualquer arte marcial que você venha a treinar. Conhecer a cultura japonesa e de Okinawa me ajudou muito e ainda me ajuda, a entender o karate.



Considerações finais

Treinar Karate-do já é um grande desafio, o mais importante não deve ser somente o local, devemos nutrir ter uma motivação própria, seja em um Dojo local ou até mesmo dentro de nossa própria residência. O Karate-do não está em um único local. 

No Japão sim existe diferenças culturais relevantes, porém grande parte de nós Karatecas herdamos algumas dessas características que nos fazem mais fortes seja fisicamente e mentalmente.

Aquele que busca novas experiências de vida deveria sim experimentar essa imersão na cultura Japonesa, porém nunca deverá se esquecer que o Karate-do quando é bom está dentro de cada um. 

Buscar dentro de si próprio o seu melhor Karate, esse deve ser o objetivo principal, certamente o lugar será apenas um detalhe. Inspire-se no exemplo das cerejeiras japonesas, valorize seu treinamento de Karate no dia a dia pense como se fosse um momento único, a certeza é que se você encarar o Karate-do com amor e dedicação tudo será melhor amanhã. 



Agradecimentos

Sensei Daniel Veríssimo Pinto sabendo da grande dificuldade e falta de tempo gentilmente respondeu nossas perguntas, enriquecendo o contexto da matéria com suas experiências.

Deixo aqui a meu humilde e sincero agradecimento ao Sensei Daniel. 

E claro faço um convite para os amigos Karatecas ouvirem a Rádio Karate e acessarem o site pintokaratedojo. 

Eu...Não perco um programa. 

SUCESSO SENSEI !!!



Contatos:

https://pintokaratedojo.com/category/radio-karate/






OSU! 
                        
Jefferson  Oliveira                                                                                                                                   Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan


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"Compartilhamos o mesmo amor pelas artes marciais"

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O KARATECA OBSERVADOR TRANSFORMA DIFICULDADES EM OPORTUNIDADES



Olá Karatecas, recentemente realizei a leitura de um livro da qual pude extrair ótimas aprendizagens para minha caminhada seja como ser humano ou como Karateca. Fui conduzido a uma viagem temporal sob a perspectiva dos fatos históricos narrados por um grande sensei em sua busca pelo autoconhecimento.

Ao chegar nas ultimas páginas do livro, percebi que queria ler mais, igual a quem não é capaz de saciar-se com um copo de água logo deseja outro e outro. Comparei com o Karate-do que vivo e compreendo melhor hoje, onde desejo sempre a próxima sessão de treinamento. 

Não adianta treinar várias vezes na semana se você não entende a importância e principalmente as razões para aplicação de socos e chutes. Os movimentos podem perder a expressão e o pior até sua  sua eficiência, por isso antes de ter uma grande técnica é preciso que você se torne um bom observador.

Como diria Augusto Cury: “Grandes professores são os melhores contadores de histórias." 

Vivenciei algo marcante a 12 anos atrás e hoje resolvi compartilhar por pensar ser importante afim transformar dificuldades em oportunidades. Penso que foi uma das maiores lições de superação que pude vivenciar.


Era uma época de estágio para o curso de Educação Física, quando entro na quadra, e em uma das turmas vejo uma criança de uns 12 anos aproximadamente sentado do lado de fora da aula, enquanto os amigos de turma se divertiam jogando basquete. Havia um menino que não podia andar, e mesmo assim sorria ao ver os amigos correndo e competindo, esse menino sentado tinha uma doença que causará atrofia nas pernas, em um grau de atrofia aparentemente irreversível. 

Logo senti um aperto no peito pensando sobre o que é verdadeiramente dificuldade na vida das pessoas, e pensei sobre o que é realmente encontrar a felicidade para algumas pessoas. 

Pensei muito e encontrei uma forma de realmente proporcionasse as condições de igualdade dentro dessa aula e que permitisse aquele garoto sentir a sensação de arremessar a bola. Tive a ideia de diminuir a altura da cesta em improviso e colocar todos os outros meninos em condição de igualdade e foram todos em posição sentados no chão da quadra. Fui surpreendido pois aquele menino com suas limitações se tornará imbatível quando ao arremesso da cesta, o mesmo era um grande observador, logo o desafio agora era para os outros vence-lo, e ele que na teoria não participava das aulas se mostrou um bom observador. 

Fica uma boa lição seja um observador e no momento certo você estará apto. E você poderá passar de um ator comum a protagonista ou vice-versa. 

Quando você se contenta apenas com 1 copo de água, jamais terá a sensação plena de realização. Penso que o importante é ter uma fonte para beber sua água, e que você cuide para que essa fonte esteja sempre ao seu alcance para que possa usufruir.

Não pense que treinar é simples, quando você diz para si mesmo que sua vida é pautada por capítulos e principalmente pela superação de desafios, aí você está pronto de verdade para reconhecer OSU, ao invés de tantos porquês em suas tarefas de Karateca. E é nesse ponto que você começa se preparar para ler novos livros e acumular novas experiências.

Os livros têm diferentes assuntos e muitas vezes tratam de conflitos e anseios, assim como os treinos, porém ambos têm por primícias proporcionar informações e conhecimentos. Pense que seu próximo treino é um capitulo e que por mais que você ache que já entendeu constantemente precisará retornar ao início e ler novamente. 

Va treinar pensando que seu soco não é bom o suficiente e seu chute não está adequado, e como certeza você sairá com a sensação querer mais.

Penso que o Karate-do é como uma obra aberta, e chegara a hora em que você verá o quanto é importante deixar para segundo plano o papel de protagonista. Deve-se cultivar o espirito de aprendiz no dia a dia. 

Em relação aos golpes, se você não cuidar do constante aperfeiçoamento, o seu soco de hoje será apenas só mais um soco amanhã. Busque ter o melhor soco, porém é muito importante que você mostre uma capacidade de vencer estando imóvel. 

Esteja pronto para viver muitas histórias diariamente isso só poderá se concretizar através de seu suor e dedicação, e também pela característica de ser um bom observador.

O aprendiz é sedento do conhecimento quando adota a pratica regular do Karate-do em sua vida e principalmente quando entende o quão ignorante é em relação a arte. Buscar superar sempre as limitações e soluções diárias para conclusão de tarefas. 

Você aprende na medida que testa suas limitações e busca diariamente novos desafios, constantemente se coloque na posição do menino, porque quando estiver de pé certamente vivenciará maior sucesso, seja na condição de estudante ou professor. 

OSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do Shotokan


Referência Bibliográfica

CURY, A.J. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante / GMT Editores. (2003)

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

EXISTE RIVALIDADES ENTRE OS SENSEIS E DOJOS?


Hoje gostaria de trazer à tona um assunto bastante importante para discussão: A rivalidade e competitividade entre senseis e dojos. 

Como na imagem de ilustração da matéria a vida real parece copiar a ficção em muitas das situações, e as rivalidades ocorrem unilateralmente. Por isso precisamos refletir se quando ocorre a união é mais por conveniência ou se é de forma espontânea. 

Atualmente existem diversos estilos de Karate-do bem como muitos professores dentro desses estilos, e até pouco tempo atrás me deparei com essa questão na pratica, e como estudante apenas me reservei a analisar esta situação e resolvi trazer no blog para discutirmos o assunto.

Não é meu intuito aqui promover discussões acaloradas e tampouco fomentar ainda mais rivalidades, se faz necessário entender os mecanismos que geram essas chamadas rusgas entre os professores de Karate e que por osmose podem posteriormente se propagar entre os discípulos, o intuito é realmente entender se há rivalidades entre os dojos e estilos.

Para falarmos a respeito desse tema trago aqui meu convidado o Sensei Allan Franklin. Ele que é um produtor de conteúdo sobre o Karate-do nas diversas mídias sociais e que tem uma visão bastante particular sobre nosso tema de hoje.

Apresentação de nosso convidado:

Faixa preta 1º Dan de Karate-Do Shotokan Ryu 
Foi aluno do Sensei Kung (Kyoshi) primeiro discípulo do já falecido Kyoshi Benedito Nelson o "Mão de Ferro" que foi discípulo do grande Sensei Juichi Sagara.
Sensei Allan Franklin é formado pela FKERJ, CBK e WKF.
Seguidor da linhagem dentro da prática do estilo Shotokan ensinada pela SKIF de Hirokazu Kanazawa.
Possuo na internet o Programa Karate-Do no YouTube onde passa independente desse ensino formal, seus pensamentos, reflexões e possibilidades técnicas.
Possuo um blog do Programa Karate-Do e sua página de divulgação do seu trabalho e do Karate-Do Shotokan Ryu no Facebook chamada Sensei Allan Franklin.

Vamos a entrevista... 


Jefferson: Sensei a quanto tempo você pratica Karate? e como surgiu a ideia de produzir textos e conteúdo? 
Sensei Allan Franklin: Comecei a quase 11 atrás a estudar o Karate-Do com o Kyoshi Kung primeiro discípulo do já falecido Benedito Nelson o "Mão de Ferro", pois comecei com 28 anos a estudar essa arte marcial maravilhosa que sempre namorei mesmo quando estava praticando outras artes marciais. Com ele tive autênticos estudos de Karate-Do Shotokan Ryu tradicional. O interessante é que muitos anos antes ele já havia sido meu vizinho em um condomínio da zona norte do Rio De Janeiro. 
Quanto a minha iniciativa de fazer o Programa Karate-Do no Youtube, o blog do programa e minha página Sensei Allan Franklin no Facebook, foi totalmente com intuito de divulgar a arte, o valor da mesma e contribuir com meus estudos particulares com outros estudantes como eu, pois independente da graduação, somos todos eternos estudantes de Karate-Do. Mas o meu interesse maior foi em ajudar a divulgar o trabalho de vários profissionais do Karate-Do e até de outras artes marciais, que talvez não tivessem jamais voz para não só divulgar seus respectivos trabalhos, como poderiam passar pela vida desconhecidos do público. Esse foi o objetivo principal. 

Jefferson:  O que você acha sobre enorme quantidade de ramificações de estilos, de federações e escolas de Karate? E se isso ajuda ou atrapalha o desenvolvimento da arte marcial? 
Sensei Allan Franklin: A existência de muitas federações e escolas de Karate-Do denota claramente o quanto essa arte marcial é dividida a décadas e a política acaba reinando. Mas devemos ser lúcidos e enxergarmos que a realidade jamais irá comportar uma única liderança no universo do Karate-Do em virtude das variadas formas diferentes de pensar e quererem conduzir o Karate-Do. Por isso eu realmente não creio que um dia haja união no Karate-Do ao ponto de existir uma única federação para todos nós. Soube que um grande mestre do Rio de Janeiro a pouco tempo atrás tentou reunir vários veteranos da arte com apoio até do Japão para tal, ou seja, para organizarem nesse sentido o Karate-Do no Rio, mas até onde eu sei, nada mudou. 
Agora a existência de vários estilos de Karate eu particularmente não vejo como algo necessariamente negativo para o Karate em si, muito pelo contrário! Com isso o Karate mostra uma versatilidade e ser completo como poucas artes, mas o problema é que diante da existência de tantos, cada um acaba defendendo com tanta paixão seu estilo, que acaba trazendo uma cegueira no sentido de que em realidade, o Karate-Do é um só. Observemos os trabalhos deixados em vida pelo saudoso Tetsuhiko Asai Sensei e em juventude, o magnífico e extenso trabalho deixado por Hirokazu Kanazawa Sensei. Eles foram formalmente representantes do estilo Shotokan durante toda a vida deles, mas isso não impediu de eles estudarem outros estilos de Karate e até outras artes marciais e nem por isso afirmaram terem inventado cada um deles um novo estilo de Karate. E diante dos estudos desses dois mestres a mensagem que eu entendo que deixaram é que o Karate-Do Shotokan Ryu pode ser fluido, rico, rápido e nem por isso deixa de ter kime, ou seja, não deixa de ser forte! Agora, a tendência de muitos por exemplo que preferem a imagem e modo de praticar de mestres como Masahiko Tanaka entre outros, acaba sendo de rejeitar o modo fluído desses dois mestres citados por mim. Então só aí Jefferson, nós vemos uma divisão grande em termos de modo de pensar dentro apenas de um único estilo. 
Portanto quando pegamos esse tema e colocamos de modo mais abrangente, ou seja, falando dos variados estilos, a problemática aumenta. Daí ninguém entende que por exemplo, cada estilo que existe hoje, foi resultado dos estudos dos mestres contemporâneos de Gichin Funakoshi que por sua vez, cada um deles incluindo o próprio Gichin Funakoshi Sensei, estudou mais de um estilo de Karate em Okinawa para então ter todo o conhecimento que levaram para o Japão. Assim fez Kenwa Mabuni do Shito Ryu Chojum Miyagi do Goju Ryu. Mas hoje muitos condenam você estudar mais de um estilo, pois querem manter determinados ensinamentos e estilos intactos separadamente, mas não percebem com isso, que estão dividindo o Karate-Do. 
Então os estilos dividem as pessoas? Não necessariamente, mas sim as pessoas é que se limitam a eles não enxergando assim, que todos eles praticamente possuem as mesmas técnicas praticadas e executadas de modo distinto e segundo cada fundador, mas ainda assim possuem as mesmas técnicas. Partindo daí, vemos que se no Shotokan Ryu por exemplo existem as mesmas técnicas e bases que existem no Shito Ryu ou Goju Ryu, por que não explorar essas técnicas no Shotokan Ryu e sim deixa-las de lado por medo de entrarem mais na área de outro estilo de Karate? Eis aí o problema criado pelas divisões, pois se você é do Shotokan Ryu, acaba sendo visto como alguém que buscou no Goju Ryu se encurtar a distância! Isso para mim é besteira, pois se existem recursos, técnicas e bases para um combate real fora das regras competitivas no próprio Shotokan Ryu para situações de perto, por que não as usas? 

Jefferson: Existe desunião no Karate-do? E você já sentiu na pele a rivalidade entre Senseis ou Dojos? E se puder conte-nos como ocorreu. 
Sensei Allan Franklin: A declaração da minha parte que existe muita desunião no universo do Karate-Do é uma constante em meu trabalho de divulgação do pouco que aprendi desta arte marcial a ponto de alguns temerem eu estar gerando uma imagem negativa da arte. Mas devo dizer que por justamente existir tamanha desunião no Karate-Do e por vezes rivalidades ou mesmo antipatia de Sensei para com outro Sensei é que enfraquece muito mais o Karate-Do. 
Infelizmente por vezes quis me aproximar de determinados profissionais do Karate-Do e não fui feliz, pois os mesmos não fizeram questão alguma de ter amizade comigo. Inclusive Jefferson, tem profissional de Karate-Do que possui também trabalho e destaque na internet divulgando o Karate-Do que por pensar diferente de mim e crer estar anos luz, ao invés de somar, prefere fingir que não existo. Por outro lado, existem pessoas mais graduadas que eu mesmo e mais graduadas que esses que não concordam com a minha visão sobre o Karate-Do Shotokan Ryu, que são também do Shotokan Ryu e outros que são de Goju Ryu, que estão do meu lado me apoiando e me incentivando. 
Muitos não se pronunciam publicamente, por medo de serem prejudicados em suas federações, pois nesse meio de profissionais citados, alguns tem cargos em escolas e federações. 
E lhe respondendo a respeito de se já senti a rivalidade na pele, devo lhe dizer o seguinte. Não me desliguei necessariamente do Dojo do meu mestre ou fui desligado do mesmo por pensar diferente a respeito do Karate-Do embora de fato meu Sensei e colegas de treino, pensassem que eu estava destoando no modo de pensar da escola, mas sim por outro motivo. Mas pelo fato deu pensar diferente, expor ideias diferentes do habitual da escola e ter a ousadia de possuir um programa na internet e expor meus estudos particulares de possibilidades de aplicação das técnicas saindo do apenas ensinado no Dojo, fui realmente criticado por trás e principalmente quando sai da escola. 
Então quando a pouco tempo atrás anunciei um futuro livro meu que em realidade embora eu possa ensinar técnicas de Karate-Do em qualquer livro dentro do meu grau e grau de entendimento, pois sou formado faixa preta de Karate-Do e meu diploma vale no mundo todo, ele não se trata disso, mas fui procurado por um antigo aluno do meu mestre que apesar de ter feito de amigo, quis desvalorizar meus conhecimentos por notoriamente achar um absurdo eu fazer um livro de Karate-Do! O discurso deles provavelmente é que dei as costas para o nosso Sensei porque sou vaidoso e quis aparecer na internet. 
Tirando esse e outros acontecimentos, percebi que a desunião realmente sempre existiu na minha própria escola. Então se você pensa diferente em qualquer detalhe, para os outros você já está se sentindo o tal e daí acaba sendo isolado pelos próprios amigos de Dojo. Por isso sim, acredito que há muita desunião e em alguns casos a rivalidade exista e isso para mim é uma grande contradição com o que é pregado no Karate-Do como Budo. 

Jefferson: Na sua opinião como deveria ser a conduta do Karateca em relação aos seus colegas de prática? 
Sensei Allan Franklin: Penso que a conduta do Karateca diante da vida e colegas de estudo independentemente de serem ou não do mesmo Dojo, deve ser autêntica e andar alinhada com o Budo mencionado agora na outra pergunta. 
Nessa minha caminhada na internet, conheci muitos estudantes de Karate-Do temporariamente menos graduado que eu e você meu amigo, mas conheci não só outros faixas pretas no mesmo grau que eu, como a maioria mais graduados e nesse contexto ao menos diante de mim e do que conheci dessas pessoas, vi budo vivido e exemplificado por eles. Existe uma gama de profissionais de ponta no Karate-Do que fazem por onde serem reconhecidos como o meu amigo até então virtual Sensei Kleber Nicacio (Shotokan Ryu e Shorin Ryu) Sensei Ricardo Aquino Amaro (Shotokan Ryu), Sensei Maxssuel Carlos (Shotokan Ryu e Goju Ryu), etc. 
Todos esses profissionais precisam de voz, todos eles precisam ser conhecidos e reconhecidos por terem boa conduta no Karate-Do diante da vida, seus alunos e amigos. 

Jefferson: É possível apontar o(s) motivo principal para as mudanças de dojo ou até mesmo o abandono precoce do Karate-do, se sim qual seria, em sua opinião? 
Sensei Allan Franklin: Se entendi bem a pergunta, você me perguntou se existem motivos que justifiquem a saída de alguém de um Dojo ou abandono por parte de um indivíduo do Karate-Do. 
Eu lhe diria que sim, existem motivos concretos e lamentáveis que fazem com que o indivíduo se desligue da sua escola, professor e por vezes do próprio Karate-Do quando o problema é grave. Acredito que cada caso seja um. Até porque já vi alguns bons relatos que me fizeram enxergar muito tristemente uma realidade a qual eu ignorava alguns anos atrás. 
Me refiro a verdade de que o relacionamento humano é delicado e por mais que haja uma hierarquia no universo do Karate-Do, as vezes não só o aluno magoa o professor, como muitas vezes o contrário ocorre. E nesse contexto Jefferson, o Dan do professore histórico nada disso conta diante da mágoa que o aluno sente. 
Já vi muitos casos assim e diante disso refleti que sim, deve haver uma hierarquia nas escolas e no Karate-Do, mas isso não muda o fato de aluno e professor assim como os colegas a sua volta, todos são serem humanos que possuem total potencial de se machucarem emocionalmente diante de frases, atitudes e atos uns dos outros. 
Então nesse caso muitas vezes há sim o afastamento do aluno da escola que estudava ou até mesmo em alguns casos a mágoa ou frustração é tamanha, que até da arte ele se desliga. 

Jefferson: Gostaríamos de saber mais sobre esse assunto bastante controverso que é tempo treino efetivo e tempo de Karate. Poderia nos passar a sua ideia a respeito? 
Sensei Allan Franklin: Bom, um tempo de treino no dia a dia e diante dos anos bem gasto, pode fazer a diferença na vida do estudante de Karate-Do. Posso dar um exemplo acontecido comigo mesmo. Se eu pensar no meu tempo de estudo prático de Karate-Do diante de muitas pessoas, tenho pouco tempo. Mas existem alguns detalhes que devem ser levados em consideração. O primeiro deles é que quando entrei na escola de Karate-Do do meu Sensei, haviam alguns faixas marrons, outras faixas roxas, alguns outros faixas verdes e faixas laranjas. 
Todos esses por motivos diversos se afastaram do Dojo. Quando voltaram alguns deles, me viram na mesma graduação que eles estavam quando entrei. Logo se afastaram novamente e quando voltaram, eu estava na faixa preta. Posso dizer que diante disso infelizmente aquela problemática do incômodo dos colegas e rivalidade pode ter ocorrido também em alguns casos ali, mas eu digo o seguinte. Quem parou não pode se irritar com aquele que não parou de seguir a diante e chegou com dignidade e dentro de um tempo certo e normal a faixa preta. 
Mas infelizmente isso ocorre, pois novamente estamos falando aí, da problemática do relacionamento humano que nessas horas, cega aquele que é tomado da inveja ou ciúmes do outro com o professor. Se isso ocorre nas religiões, por que no Karate-Do não? 
Quando cheguei a faixa preta, obviamente não cheguei 100% perfeito em tal graduação. E certamente também hoje sou melhor que ontem e amanhã serei melhor que hoje, pois se eu aproveitar bem o tempo de prática, terei uma maturidade real no estudo do Karate-Do. 
Devo ressaltar também caro amigo Jefferson, que cada caso de fato é um, e quando eu entrei para a escola de Karate-Do Shotokan Ryu, eu já trazia uma bagagem de casa, pois meu pai havia estudado um pouco de algumas artes marciais e principalmente o Tai Chi Chuan e havia me passado uma visão muito interessante das artes marciais em geral. E ainda assim, pratiquei alguns anos também Tae Kwon Do. Por isso meu desenvolvimento no Karate-Do fluiu bem, pois eu não era zerado em artes marciais. Então isso era uma cosia que eu via dentro de casa desde sempre. 

Jefferson: Como conquistar e principalmente manter a maior harmonia e colaboração entre os professores e alunos de karate-do? 
Allan Franklin: Acredito que para manter e conquistar a harmonia e colaboração dos professores e alunos de Karate-Do, seja necessário apenas a materialização do Budo. Enquanto a essência do Budo for rejeitada pela ânsia de vender a própria visão do Karate-Do de modo que isso ofusque ou deprecie a concepção do que seja o Karate-Do para os outros, ou enquanto cada um tiver interesse em exaltar a própria imagem e não a da arte em si, nada disso será conquistado e possível. 
Tenho visto muita preocupação em se formar imagens de trabalhos na internet a respeito do Karate-Do, a visão da pessoa e por aí vai, mas não tenho visto um respeito mútuo entre os profissionais de maneira real. 
A exemplo disso posso dizer o seguinte. Eu não sou adepto do Karate-Do esportivo. Não gosto de competir por ser meu jeito, mas jamais posso criticar aquele que compete ou vive apenas o Karate esportivo, pois a minha concepção da arte não o agrada ao esportista tão quanto o Karate esportivo também não me atrai. E se por um lado não agrado o esportista do Karate, também não agrado alguns karatecas tradicionais mais radicais que não veem possibilidade de nada que flua de forma distinta do habitual visto em federações renomadas. 
Então penso que se todos nós nos respeitássemos e colaborássemos mutuamente para que o Karate-Do crescesse, o contexto seria oposto ao do tema dessa entrevista, ou seja da desunião no universo do Karate-Do. 
A minha visão embora eu afirme ser a mesma principalmente dos karatecas do tradicional, ou seja, concepção marcial, não será jamais a daqueles karatecas tradicionais mais radicais como também não será aceita pelos esportistas. Assim como a visão dos karatecas tradicionais não será totalmente a minha e nem a visão da arte que os esportistas possuem. 
Não há o que fazer a não ser todos se respeitarem mutuamente. Se assim não for não haverá harmonia, colaboração nem nada entre nós a não ser a já citada rivalidade e desunião. 


Agradecimentos 

Ao Sensei Allan Franklin que que respondeu às perguntas proporcionando um grande tema de debate e reflexão para estudantes e senseis 

Contatos: Professor de Karate Allan Franklin 



Facebook: www.facebook.com/allanfranklin.pinheiro 

SUCESSO SENSEI!!!


Considerações Finais 

Observou-se através de nossa entrevista, que realmente pode ocorrer rivalidade exagerada entre as partes. 

Competir é parte do processo de aprendizagem, porém não pode jamais ser a nível pessoal. Quando se aponta excessivamente para a casa do outro, pode indicar um possível descuido e consequente grandes problemas em sua própria casa. 

Já ouvi de um sensei o seguinte pensamento: 

Que é comum um aluno abandonar dojo. O incomum é o sensei abandonar o seu aluno. 

Aos estudantes mantenham sempre o respeito a seu sensei ainda que não concordem plenamente com as convicções passadas. Porém não se esqueça que o aluno de hoje poderá se tornar o sensei do amanhã, é bom despertar o senso crítico, sempre respeitosamente é claro. 

Aos Senseis, estamos sempre ansiosos por aprender e quem sabe nos tornar 50% do que nosso sensei é hoje. Se persistimos e seguimos dia-a-dia é porque sempre temos com referência aquele sensei faixa preta que deixou sua faixa desbotar e desgastar pelo treinamento, e sua dedicação. A sua maior produção na vida de Karateca é o aluno. 

Aos leitores deste estudo conte-nos sua experiência, deixe suas impressões e considerações que respeitosamente irei ouvir aprender com todos vocês. 

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan 
OSU!

domingo, 24 de dezembro de 2017

BOAS VIBRAÇÕES NATALINAS



Está chegando o Natal e com a alegria imensa que nem cabe no peito venho pedir a Deus que possa proporcionar a realização dos sonhos de todos os meus  amigos (as).

Um amigo vale muito na vida. E digo é melhor ter 1 milhão de amigos do que ter 1 milhão em dinheiro, e por isso agradeço por muitos e muitos amigos que conquistei nesse ano e que verdadeiramente torcem por mim e que estimulam a minha caminhada pessoal. 

Cada pessoa tem uma missão nessa vida, e luto todo dia para encontrar meu caminho, ainda que existam os maiores obstáculos, a vontade de transpor deve maior do que medo tentar. 

Tentar é metade do caminho para se conquistar algo, e digo com toda sinceridade na minha pequenez e ignorância estarei sempre aqui para ajudar e estender minhas mãos aos meus amigos e incentiva-los a tentar. 

Um amigo sabe que não precisa pedir desculpas, pois nas tentativas de acertar passará por muitos erros e poderá ferir pessoas ainda que não seja sua intenção. Porém à vontade de melhorar é o que motiva e dá um sentido à vida. 

Sei que você meu amigo (a) tem o coração bom e por isso se preocupou em ouvir minhas palavras, por que se importa com seus amigos e provou mais uma vez ser um amigo sincero. 

Deseja que você e sua família sejam abençoados com os maiores presentes: A SAÚDE, ALEGRIA, CONQUISTAS, HARMONIA, PAZ E MUITO KARATE-DO. 

Não poderia deixar de dizer para que você cuide do bem mais precioso, a sua vida. 

Lembre-se que se você não cuidar bem de si, e com prioridade, não terá forças para estender as mãos a sua família e a seus amigos quando precisarem. 

FELIZ NATAL!!!
FELIZ 2018!!!

OSU! 

Jefferson Oliveira 
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do Shotokan

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

KARATE-DO UMA FERRAMENTA MOTIVACIONAL DENTRO DAS EMPRESAS



Atualmente estamos inseridos em uma sociedade moderna que vive em um ritmo acelerado, e que cada vez menos encontra o tempo necessário para cuidar da saúde física e mental. E entre as possibilidades de atender a essa demanda e publico especifico, resolvi falar sobre o ensino do Karate-do dentro das empresas.

Hoje trago no blog uma entrevista especialíssima com um profissional de alto gabarito para falar sobre um nicho de atuação muito promissor para os profissionais que trabalham ensinado Karate-do. 

Antes de apresentar meu convidado, gostaria de ressaltar que já vivenciei algo parecido. Tive a oportunidade de desenvolver um trabalho dessa natureza e posso afirmar que o Karate-do realmente é capaz de modificar a rotina desgastante do ambiente de trabalho, e melhorar consideravelmente as relações de respeito ao próximo e socialização dentro do ambiente corporativo. 

Ele que desenvolve seu trabalho na empresa LOG FRIO uma gigante em seu ramo de atuação. Vale ressaltar que eu pude comprovar o trabalho que é oferecido pelo Sensei e gostaria de parabenizar a empresa LOG FRIO que valoriza sobretudo o bem-estar e qualidade de vida de seus colaboradores, e que resolveu proporcionar as aulas de Karate no ambiente de trabalho. 

Meu convidado de hoje é o Sensei Rodrigo Arita 

Suas experienciais no ensino de Karate-do e como um atleta de sucesso:

· 3° Dan JKA e 3° Dan ITKF
· Prof. de Karatê há mais de 10 anos;
· Técnico e Preparador Físico de Karatê do Barueri Esporte Forte, e Professor de Karatê na Empresa Log-Frio Logística;
· Licenciado e Bacharel em Educação Física e Pós-Graduado em Treinamento e Preparação Física.
· Atleta da Seleção Brasileira JKA
· Hepta Campeão Paulista e Brasileiro JKA
· Campeão Sulamericano JKA
· Best Eight Mundial JKA

Vamos a nossa entrevista... 

Jefferson: Sensei como foi início do trabalho ensinando Karate dentro da empresa?

Sensei Rodrigo Arita: Bom, acho pertinente falar como me deparei dando aulas de Karatê dentro de uma empresa (fato este que não é muito comum).
Há mais de um ano atrás, fui comunicado pela chefia do local onde dou aulas, de que uma empresa situada nas proximidades de Alphaville–Barueri, havia entrado em contato e estava interessada em oferecer aulas de karatê para seus colaboradores, sendo assim, houve interesse em me entrevistar para uma possível prestação de serviços na referida empresa.


Jefferson: Quais os principais benefícios os alunos (colaboradores) podem perceber em suas vidas após iniciar as aulas de Karate?

Sensei Rodrigo Arita: Sabemos que o Karatê Marcial é uma ferramenta que auxilia no desenvolvimento das pessoas, haja visto, que dentro das aulas são trabalhados diversos aspectos Marciais que formam e auxiliam as pessoas no seu desenvolvimento, dentro e fora do Dojo sendo alguns deles como: autodisciplina, confiança, superação, respeito, hierarquia, fortalecimento muscular, e outros mais, conceitos esses que são indispensáveis na convivência nesta atual sociedade.


Jefferson: Você acredita que as aulas de Karate podem melhorar o comportamento, e principalmente o relacionamento das pessoas entre si nesse ambiente? Se sim, como? 

Sensei Rodrigo Arita: Certamente. O karatê é uma ferramenta disciplinadora, o fato de seguir orientações do professor, e ao mesmo tempo ser responsável em ajudar os mais novos, ajuda o praticante á respeitar os pares, e entender que tanto no karatê, como na sua empresa, cada um tem um papel importante no processo independente do seu cargo ou função.


Jefferson: No quesito saúde mental como o Karate atua no combate ao stress?

Sensei Rodrigo Arita: A aula de Karatê serve como ferramenta para o aluno liberar toda a tensão do dia –a-dia, através de exercícios físicos, de respiração e meditação.
No Karatê não se trabalha somente o corpo, mais sim a Tríade que conhecemos por Shin, Gi, Tai ( Shin kokoro/ mente, "espírito"- Gi/ waza, técnica e Tai/ karada, corpo).


Jefferson: Como você enxerga esse nicho de atuação dentro mercado de trabalho? Você acredita que pode aumentar mais a procura do ensino de Karate por parte de grandes empresas?

Sensei Rodrigo Arita: Vejo como uma área pouco explorada, porém com um potencial enorme de sucesso. Creio que tudo isso depende primeiramente de interesse, tanto das empresas, quanto do profissional que deseja atuar neste seguimento. Muitas empresas não conhecem ou não entendem quais os benefícios que á pratica da arte marcial pode proporcionar para seus colaboradores, cabe ao profissional qualificado apresentar argumentos para convencer a empresa dos muitos benefícios que o Karatê irá gerar para a empresa, não só no aspecto da saúde, mais também no aspecto atitudinal. 


Jefferson: O que o empresário pode esperar em retorno ao proporcionar a seus colaboradores as aulas de Karate a seus colaboradores?

Sensei Rodrigo Arita: A melhora da qualidade de vida dos colaboradores, e juntamente com isso, uma maior disposição para efetuar suas funções na empresa com mais vigor e vontade.
Pessoas felizes, trabalham felizes, isso se nota na qualidade de tudo que é feito dentro da empresa.


Jefferson: Na chamada era da informação que vivemos atualmente onde as pessoas buscam as coisas com o mínimo de esforço. Sabendo que as pessoas também não reservam o tempo para exercitar-se. Você acredita que ao propor o ensino dentro de empresas você aproxima as pessoas de uma pratica regular da atividade física e principalmente do Karate? 

Sensei Rodrigo Arita: Claro. Cada um tem um motivo para praticar o karatê, uns querem melhorar a aptidão física e sair do sedentarismo, outras querem aumentar a prática regular de atividades, outras buscam um lugar de convívio e amizade e outros buscam o aprendizado marcial, a filosofia da arte. Independente dos seus objetivos, o karatê pode proporcionar tudo isso e muito mais ao praticante.


Jefferson: Qual a principal mudança você percebe no comportamento das pessoas em relação ao antes e depois de iniciar esse trabalho com o Karatê nesse ambiente?

Sensei Rodrigo Arita: Certamente as questões que mais se acentuam após o início da prática são a conduta e disciplina e posteriormente a melhora das condições físicas. 




Imagem da entrega de certificados empresa Log Frio

Considerações finais

Na sociedade atual as pessoas necessitam cada vez de praticar atividade física, seja por motivos de estética ou saúde. Estar motivado para todas as tarefas diárias é utopia, entretanto através da prática das artes marciais em especial o Karate-do é possível conquistar condicionamento físico e mental além dos trabalhar os aspectos sociais no que abrange a comunicação e relações entre as pessoas.

O professor de Karate-do pode e deve procurar alternativas para realização de trabalhos dessa natureza, cada vez mais as pessoas precisam buscar melhorar a qualidade de vida. 

Hoje em dia as pessoas têm cada vez menos tempo de deslocar-se aos dojos e academias devido a rotina desgastante do trabalho.

Se você tem a capacitação e segurança para desenvolver esse tipo de trabalho, deve sim propor as empresas e oferecer pacotes para aulas coletivas e assim reduzir a dificuldade que as pessoas relatam para praticar o Karate-do assim como outras atividades.

As empresas cada vez mais buscam oferecer um ambiente favorável para que seus colaboradores possam potencializar suas capacidades revertendo assim em constantes melhorias nos processos produtivos.

Agradecimentos

Ao Sensei Rodrigo Arita que gentilmente pode nos ajudar com essa matéria e a Empresa Log Frio por permitir e apoiar esse belo trabalho dentro de suas instalações.


Contatos:

As empresas ou instituições de ensino que desejarem informações sobre o trabalho do Professor de Karate Rodrigo Arita 



Instagram: @rodrigo_arita

SUCESSO SENSEI!!!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan
OSU!

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

KARATE-DO NÃO É SÓ FAIXA E GRADUAÇÃO.


Há algum tempo tenho refletido sobre o perfil de estudantes de Karate-do, onde muitos treinam somente pensando na faixa-preta. E até poucos anos atrás confesso que eu de certa forma ambicionava demasiadamente passar de faixa. O motor pode até estar funcionando, porém tudo está relacionado no uso combustível certo. 

Talvez você ouça do seu sensei: Vamos treinar firme, o Karate-do é para o dia-a-dia,  e que o propósito é sempre a próxima sessão de treinamento.

Resolvi abordar esse tema por achar muito importante compartilhar com os estudantes que assim como eu podem ter passado por essa fase de treinar em busca das faixas. Certamente isso é um objetivo, e não deve ser desconsiderado, porém esse objetivo é muito curto para quem deseja efetivamente trilhar o caminho das mãos vazias.

Já ouvi de muitos amigos Sensei que o perfil do jovem aprendiz é treinar assiduamente no início pois é tudo novo, e o espirito de aprendiz move seu corpo proporcionando a combustão necessário para buscar as primeiras faixas.

Enfim uma faixa nova é apenas um pedaço de tecido que sem o suor do treinamento só oferece a beleza superficial.

Já quando você treina firme o suor e dedicação parecem impregnar nas fibras do tecido é nesse ponto que você começa a se credenciar a novos níveis. Antes de almeja-los esteja atento a sua faixa se a mesma tem as características de desgaste por treinamento, penso que é um bom sinal ter uma faixa desbotada e desgastada, é sinal que ao menos você treinou e repetiu por várias vezes os movimentos.      
Então você consegue a primeira, a segunda e a terceira faixa, logo você pressupõe que já tem um nível técnico elevado e que já não precisa, mas se esforçar como nas primeiras sessões de treinamento. 

Antes você treinava 4 vezes na semana agora treina 4 vezes no mês, e quando chega próximo ao exame de graduação, você diz: Agora vou me dedicar ao máximo para passar na prova.

Isso só acontece por excessiva autoconfiança e soberba, assim desconsiderando os ensinamentos de seu sensei. Aliás se tem uma pessoa capaz de ser um exemplo para você de superação é o seu sensei pois ele tem o propósito de ajudar a crescer e superar os desafios seja na prática do Karate-do, ou como ser humano.

O estudante Karate-do não tira férias, ele descansa ele se prepara para a próxima, ele deseja ansiosamente a próxima sessão de treinamento. Mesmo quando não treina ele estuda, ele entende que o processo de graduação é um grande teste de nível conhecimento técnico, físico e mental.

Logo se você treinar com objetivo de conquistar tão somente as faixas sua caminhada será bem curta dentro do Karate-do. 

Ir para academia praticar Karate com certeza é para qualquer pessoa. Agora treinar e aprender Karate é bem diferente pois você irá em busca de transcender as técnicas, vejamos o pensamento do mestre em uma frase do niju-kun:

“O karate é igual a água quente: se não receber calor constante ela esfria.’’ (Gichin Funakoshi) 

Esse calor só pode ser alcançado e principalmente mantido se você tem o proposito certo para treinar Karate-do. E se você assim como eu já passou por essa fase de treinar 4 vezes no mês e passou a treinar ainda que mentalmente todos os dias, e que ansiosamente espera sempre o próximo treino, é possível que estejamos no caminho certo, se analisarmos o fato de mais importante não é chegar e sim se estabelecer, criar raízes fortes.

As raízes fortes têm por característica se entranhar cada vez mais fundo, você verá galhos quebrados e folhas caindo, porém ela estará lá no mesmo lugar firme e forte. Esse é o processo da vida, caem as folhas e secam os galhos, porém tudo se renova. E a beleza está justamente nesse processo, saber que nada será como antes pois se seu Karate é forte, suas folhas terão mais brilho e seus galhos serão mais firmes. Amanhã você será melhor do que hoje.

Alimente seu espirito com a água quente e o próximo treinamento não será só físico, logo ele será mental e espiritual.

Para você que pensa em treinar Karate-do e se julga fraco, ou baixinho ou sem coordenação; deixo aqui o maior exemplo da natureza:




''O Bonsai mesmo sendo uma arvore de menor estatura, o mesmo insiste em ter os troncos fortes e se bem cuidado produzirá lindas folhas e frutos.'' 






Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do Shotokan
OSU!

Imagem ilustrativa: Kuro Obi o filme

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O SEGREDO DO SUCESSO DOS LUTADORES DE KARATE NO MMA



Hoje trago aqui no blog uma entrevista exclusiva com ele que é um expert no treinamento de MMA. O Sensei Vinício Antony que é grande mestre e campeão de Karate.

Ele que já foi o treinador de grandes nomes do MMA como o atleta Vitor Belfort campeão do UFC que certamente é um grande nome das artes marciais mistas do Brasil e do mundo.

O Sensei Vinício que tem importantes títulos de Karate ao longo sua carreira de atleta e um grande currículo como profissional de Educação Física.

Procurei entender durante essa entrevista o que as técnicas de Karate podem proporcionar aos atletas nesse nicho denominado: MMA.
Será que tornar-se um especialista em Karate é preponderante para o sucesso no MMA?

Vamos em conjunto descobrir o segredo do sucesso de grandes Karatecas que se destacam no mundo das artes marciais mistas, sendo que muitos já consagraram-se como grandes campeões em suas respectivas categorias.

Qual será o segredo desses Karatecas?


APRESENTAÇÃO SENSEI VINICIO ANTONY
  • Vinício Antony Teixeira 50 anos 
  • Profissional de Educação Física
  • Faixa Preta 5ºDan CBKT/ITKF
  • Faixa Preta 6º Dan ABKJ/IAKJ
  • Faixa Preta de Jiu-Jitsu 4º Dan IFBJJ
  • Mestre Internacional Kick Boxing/Thai Boxing WAKO
  • Fundador Presidente Da Internacional Association of Karate Jutsu
  • Autor do Livro Jutsu a Arte Oculta no Karate
  • Ex-treinador do atleta do UFC Vitor Belfort

PRINCIPAIS CONQUISTAS COMO ATLETA 
  • Hepta Campeão Carioca
  • Tetra Campeão Brasileiro Sul Sudeste
  • 14 x Campeão Brasileiro
  • Bi Campeão Pan-Americano
  • Vice Campeão Mundial


E vamos a nossa entrevista...

Jefferson: Sensei como o Karate está posicionado hoje no cenário das lutas de MMA?

Sensei Vinício Antony: Ainda existe um descrédito grande pela maioria dos atletas, no entanto isso é mais comum em quem nunca teve contato com um karateca de alto nível.

Jefferson: Quais as principais qualidades que um Karateca possui que podem fazer a diferença no MMA?

Sensei Vinício Antony: O diferenciado jogo de pernas, controle de distancia e tempo de execução dos golpes.


Jefferson: Sensei quais os passos para um Karateca se tornar um lutador de MMA?

Sensei Vinício Antony: Entender a conectividade entre atemi waza, nage waza e ne waza e desenvolver as valências deficitárias pela prática usual do karate esportivo.

Jefferson: Como é a preparação para uma luta de MMA? E quanto tempo leva para se adquirir a forma física ideal para o combate?

Sensei Vinício Antony: Forma física algo em torno de 8 semanas. No entanto a maturação para um combate de MMA é um trabalho a longo prazo, mas que pode ser desenvolvido laboratorialmente, ou seja, enquanto já está lutando.

Jefferson: Como é a relação com os atletas de MMA durante a fase preparação? Existe indisciplina nos treinamentos?

Sensei Vinício Antony: Especificamente no meu caso não houve, se ocorrer o trabalho simplesmente não será realizado. Então sim, há!


Jefferson: Quais as principais virtudes do Budô você procura transmitir aos atletas com os quais você trabalha?

Sensei Vinício Antony: Tenho uma visão muito particular sobre esse aspecto, mas como diria Aristóteles: “A coragem é a primeira de todas as virtudes, pois torna possível todas as outras”.


Jefferson: O atleta do circuito das competições de Karate, pode sofrer que tipo de impacto cultural quando parte para o mundo MMA?

Sensei Vinício Antony: Vivemos em uma sociedade globalizada e não acredito haver tamanha distinção a ponto de causar qualquer tipo de “impacto” além dos que acontecem em uma luta de contato como o MMA. No entanto como em qualquer modalidade o atleta encontrará diferentes nuances com as quais terá que se adaptar.


Jefferson: Sensei conte-nos mais sobre seu trabalho na ABKJ. Quais os principais projetos para o futuro em relação as artes marciais?

Sensei Vinício Antony: O objetivo principal da ABKJ é a pesquisa e o desenvolvimento do resgate das técnicas originais do Karate e sua oportuna implementação ao que concerne ao contexto temporal. Redirecionando o Karate para uma realidade prática além da esportiva.












ENTENDENDO AS TERMINOLOGIAS USADAS NA ENTREVISTA

Atemi waza - é conjunto de técnicas que são aplicadas num determinado ponto, técnicas traumáticas aplicadas nos pontos vitais: o lutador visa um ponto específico no corpo do adversário, para, quando o atingir, causar não uma lesão, mas um desequilíbrio no fluxo de energia.

Ne waza - é o conjunto de técnicas das artes marciais japonesas que são executadas no chão, ou seja, aquelas técnicas, sejam elas quais forem, keri waza, katame waza, nage waza, desde que o lutador esteja rente ao solo, vale dizer, sem estar em posição de pé ou genuflexa, será considerada ne waza. Particularmente, quando se refere ao judô ou jiu-jitsu, há uma certa sinonímia com as técnicas de imobilização (submissão), ou katame waza

Nage waza - é o conjunto de técnicas que no judô e no jiu-jitsu, principalmente, engloba as técnicas de projeção e/ou arremesso do adversário; assim, muito embora não seja da ênfase do Karate, esta modalidade de luta também possui suas técnicas de arremesso, as quais somente serão visíveis depois de muito treino e prática dos katas, em sua aplicação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ne_waza

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atemi_waza

https://pt.wikipedia.org/wiki/Nage_waza



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

SENSEI PAULO BARTOLO REALIZA O DESAFIO DOS 100 KATAS



Hoje em nosso blog trazemos a participação dele o Sensei Paulo Bartolo 6º Dan pela CBK, e professor de Karate na academia resistência que fica na cidade de Santos/SP. Ele que é um grande escritor de livros e conteúdos destinados ao Karate.

Em minha conversa com o Sensei Bartolo, ele me contou sua experiência na realização do desafio dos 100 Katas no dia mundial do Karate que é comemorado no dia 25 de outubro de cada ano. Para concluir o desafio os 100 Katas devem ser realizados expcionalmente no dia do Karate.

Paulo Bartolo: "Recebi o convite para participar como academia desse desafio. Eu e mais 30 alunos honramos o convite e fizemos por 100 vezes o Kata Tekki Shodan, levamos em torno de 2 horas e 30 minutos para concluir o desafio. Em Okinawa o desafio começou no dia 24, ou seja, 12 horas antes para que houvesse uma sincronia com o resto do mundo. Participaram dojos de vários locais no mundo em torno de 142 países. Torço para que se torne uma tradição pois é uma forma de incentivar aos alunos á superação pelo desafio, já que o esforço físico é testado ao extremo."

Em conversa com o sensei foi possível perceber o quanto é importante se testar na superação de desafios. Gostaria de agradecer sua participação em nosso blog e principalmente pelo convite para participar do desafio no próximo ano.

Muito Obrigado Sensei

OSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do estilo Shotokan

Imagem ilustrativa: Sensei Paulo Bartolo após a realização do desafio dos 100 Katas. 

UMA EXPERIÊNCIA COM UM ESTILO DE KARATE DE OKINAWA E ENTREVISTA COM O MESTRE TAKESHI MIYAGI

Olá, Karatecas, Este mês quero deixar aqui registrado, uma nova experiencia que vivi ao treinar um outro estilo de Karate: o Shorin Ryu, é u...

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