quinta-feira, 25 de outubro de 2018

25 OUTUBRO DIA MUNDIAL DO KARATE



Olá Karatecas,

Há 13 anos a pedido da Assembléia Mundial do Karate Okinawa (OGW), que reuniu-se junto com as autoridades locais de Okinawa para que fosse lembrado como o dia mundial do Karate a partir daquele ano (2005).

O Karate que também é praticado em mais de 150 países, seria lembrado em todo mundo todo ano em 25 de outubro o dia do Karate.

A cada nova data em comemoração, são realizadas diversas atividades, sendo considerada uma arte marcial, entre elas, campeonatos, eventos e encontros entre alunos de Karate reconhecidos e crianças que ainda estão em processo de aprendizado.

Também é realizado a cada ano o desafio dos 100 Katas, onde são repetidos por 100 vezes demonstrando assim a capacidade de superação e perseverança que o Karateca desenvolve através da prática.

Parabéns aos nossos mestres do passado e do presente que continuam em busca de manter essa tradição e sublime forma de aperfeiçoamento denominada: Karate.

Muito Obrigado!

OSS!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e Estudante de Karate estilo Shotokan

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

KARATE UMA ARTE MARCIAL QUE É CAPAZ DE TRANSFORMAR AS PESSOAS E COMBATER A DEPENDÊNCIA QUÍMICA.

Olá Karatecas, esse mês trago mais um tema forte para analisarmos, discutirmos e aprendermos. É também muito oportuno falarmos sobre esse assunto. No mês anterior travamos uma luta em prol de maior inclusão social dentro do Karate. 

Esse mês recebi um alerta de um amigo e ao ouvir parte de sua história de vida e do Karate, resolvi me engajar nos estudos sobre a dependência química. E procurar saber como o Karate-Do pode ser usado também como ferramenta de reabilitação para essas pessoas. 

O que me motivou a falar sobre o tema: Dependência Química, foi receber uma mensagem no celular dizendo: Há mais pessoas que precisam de esclarecimentos e de ajuda. Vamos juntos nessa! 

Minha ideia é convidar você em uma “VIAGEM” pelo submundo da dependência química. Ops! Viagem no melhor sentido da palavra, haja visto o preconceito que existe sobre os usuários. Mesmo que de forma inconsciente associamos as pessoas que fazem uso de Drogas e demais alucinógenos com a imagem da derrota. 

Embora eu não seja profundo conhecedor desse tema resolvi ir em busca de conhecimentos que me fizessem compreender o que se passa na cabeça de alguém com dependência química, para então formular algumas teorias sobre o que conduz as pessoas a esse terrível quadro. 

Obviamente muitos são os tipos de dependência química, sejam através de drogas antidepressivas ou substancias altamente nocivas à saúde. Eis um dado alarmante no Brasil: 

Só o Brasil representa 20% do consumo mundial de crack, e é o maior mercado da droga no mundo. No País, aproximadamente dois milhões de pessoas já usaram a droga, segundo a pesquisa mais recente do Lenad (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), realizado em 2012 pela Unifesp. 

E para quem não sabe o Crack (variação mais barata da cocaína) pode causar perda de apetite, do sono, depressão, e pode até matar. 

Porém o que se torna mais relevante e sustenta o objetivo desse estudo é tentar demonstrar o quanto o Karate-Do pode ajudar no combate a esse terrível mal que assolam as crianças, jovens e adultos. E para isso recebo hoje um amigo e professor de Karate.

Ele que de forma corajosa resolveu expor publicamente momentos de dificuldade que passou a tempos atrás. Ele que também deseja demonstrar os efeitos que o treinamento, conjuntamente com toda a filosofia e os teóricos propostos pela arte marcial caminho das mãos vazias (Karate-Do).

Esses ensinamentos foram e ainda são essências nessa árdua caminhada para se livrar do consumo de entorpecentes e se manter limpo nessa fase renovada de sua vida. 

Meu convidado de hoje é o Professor de Karate Shotokan Atila Ramos. 

RAIO X DO ENTREVISTADO 

Atila Ramos, 34 anos, professor de Karate 1º Dan estilo Shotokan, criador de desenvolvedor do projeto Genki de Karate Solidário na cidade de Mairiporã, um projeto que ajudou a vida de mais 300 pessoas na cidade de Mairiporã. 

Atualmente presidente do Grupo Caminho das Artes (grupo que desenvolve atividades no campo das artes marciais, bélicas, rítmicas, plástica e cultural) e fundador do Tengu Karate Dojo. 

Formado faixa preta pela Associação Nishikawa do Sensei Divino Carlos, já fez cursos com Christoper Pinna, Oswaldo Messias, Douglas Brose, Ennio Vezulli, Takashi Shiigeeda e Jair Pedro. 

Vamos a nossa entrevista... 

Jefferson: Atila San como você conheceu o Karate-Do? E qual(is) motivos os conduziu aos primeiros passos dentro da arte? 

Atila Ramos: Conheci o Karate ainda muito novo, fiz minha primeira aula com lendário Takashi Shigeeda, mas não dei continuidade, fui me apaixonar pela arte alguns anos após com Sensei Luciano e Sensei Wiliam, na quadra de samba do Peruche, no fim do ano de 1994. Com eles fui até a faixa vermelha e participei dos meus primeiros campeonatos, na época eu brigava muito na rua (apanhava dos meninos maiores ) e descobri no Karate um meio de me defender e evitar tais conflitos. 


Jefferson: Com base em experiências ruins que você viveu no passado. O que conduz as pessoas a se tornarem dependentes químicos? E em seu caso o que o prendeu nessa condição por um período da sua vida? 

Atila Ramos: A consciência de ser dependente químico demorou. Na época ainda haviam muitas propagandas de cigarros e bebidas, e nelas sempre a imagem de liberdade, meu contato com as drogas foram através do cigarro e da bebida e aos poucos outras drogas foram seduzindo, com outras propagandas, acredito que a falta de uma estrutura emocional, de uma base familiar solida facilita uma pessoa a entrar neste mundo, porém, não podemos dizer que seja apenas isso, o uso das drogas é uma fuga da própria realidade ou uma tentativa de fuga, aprendi vivenciando isso, que a vida por mais dura que seja deve ser vivida em cada segundo, em cada momento, as drogas me levaram a dormir nas ruas e em casas abandonadas, me tiraram tudo o que eu tinha de material e de quem eu era, me livrar delas me ajudou a reconstruir tudo isso 


Jefferson: O que efetivamente as drogas causaram em você a médio e longo prazo? Conte-nos algumas experiências ruins que você viveu se puder. 

Atila Ramos: As drogas no início parecem ser coisas legais, gente a sua volta, ideias que parecem fantásticas, sensações que sóbrio não se sente, durante o efeito de todas elas tudo parece ser bom, mas o preço que se paga por elas é muito alto, eu perdi a dignidade, o teto, o caráter, já fui agredido, já fui acordado com jato de água, o caso mais extremo foi ser acordado com uma arma apontada para meu rosto, perdi 80% do meu olfato pelo consumo de cocaína e drogas inalantes, e minha memória foi afetada pelo consumo excessivo. 


Jefferson: Dizem alguns dependentes químicos que é sempre uma batalha diária manter-se limpo. Você pode nos contar como foi, ou como é lidar com isso? 

Atila Ramos: Caro Jefferson, estou alguns anos limpo e ainda tem dias em que a vida não está 100%, ou algo não acontece como espero, ai que me vem aquele pensamento de usar, porém, geralmente quando estou nestes momentos procuro pensar na minha família, de como era o medo de dormir sem saber o que poderia acontecer, procuro treinar algumas movimentações, estudo um kata, leio um livro, enfim, me afasto da ideia de fuga da realidade, sei que serei dependente químico para o resto da minha vida, mas a luta diária não é para não usar, é sim, não pensar em usar. 

Para me livrar dos vícios, no caso do cigarro desenvolvi um sistema para auxiliar nesse processo, fiz um makiwara em uma arvore que tinha no quintal da minha casa, e todas as vezes que dava vontade de fumar eu ia até o aparelho e dava 10 tsukis, 10 gueris, 10 ukes, alongava e voltava para casa, este processo durou 2 anos, e hoje quando me pego com vontade de fumar cigarro (geralmente me vem à lembrança do gosto do cigarro, já que não tenho memoria olfativa do cheiro) eu faço algumas movimentações, alongo e respiro. 


Jefferson: E o Karate-Do que papel teve em sua recuperação? E você teve apoio de outros Karatecas nessa fase? 

Atila Ramos: Eu sempre digo que o Karate salvou minha vida, quando iniciei meu treinamento com o Sensei Divino Carlos eu ainda era dependente químico ativo, e em cada treino, em cada conversa com o sensei fui ganhando ferramentas, fui batalhando comigo mesmo para conseguir superar, cada dia era uma luta diferente, em maior ou menor escala o karate me trouxe algo que eu traduzo como auto confiança, mas foi mais que isso, o primeiro DOJO KUN que sempre liamos no dojo era: Esforçar-se para a formação do caráter, e para meu entendimento isso mostra que o dever do Karate é ir desenvolvendo nosso caráter dia-a-dia, formando e moldando ele, e não que ele já está pronto, outro DOJO KUN que me foi importante a época, e ainda é, é o que diz: Criar o intuito de esforço, afinal, para vencer é necessário muito esforço. 


Jefferson: E na vida dentro dos tatames. Qual foi o momento mais marcante em sua caminhada como karateca? 

Atila Ramos: Os momentos marcantes, foram vários, mas em relação a esta luta contra o vício foi quando um amigo, sensei Padoan, um dia conversando comigo falou que sentia orgulho, porque sabia que a luta contra o vício me deu ferramentas para ser um sensei melhor, se não me engano ele disse algo como: imagino como deve ter sido difícil. E aquilo por mais corriqueiro e simples que pareça, me deu forças para seguir o caminho adiante, este tipo de reconhecimento é importante, mostra que não estamos sozinhos no mundo. 


Jefferson: Muitos karatecas constantemente relacionam o Dojo e os amigos de treino comparando-os com uma grande família. Como você descreve essa relação particularmente dentro de sua vida e com seus alunos? 

Atila Ramos: Hoje não tenho como não comparar o karate com a minha família. Comecei a dar aulas devido a minha filha Ariadne (a mais velha atualmente com 10 anos) que tinha 6 anos e um dia vira e diz que quer treinar karate comigo, eu de prontidão disse que a levaria no sensei Divino (que é avô dela), mas ela disse que queria que eu a ensinasse, mas para isso eu teria que parar de fumar, na época fazia um ano que estava morando comigo e um ano que estava separado da mãe dela, e fumava cerca de 30 cigarros por dia, neste processo de parar de fumar eu mergulhei em treinamento, teria que estar preparado para dar aulas a ela, nesse período conheci o Vinicius (Vinikun) que se tornou meu primeiro aluno (primeiro aluno formado faixa preta) e 6 meses após minha filha iniciou os treinamentos comigo, junto com mais 6 alunos. Isto marcou como o inicio de minha carreira como sensei (apesar de eu ainda estar na faixa marrom nessa época) 


Jefferson: Quais foram as pessoas que mais te apoiaram nessa fase de recuperação? E como ocorreu esse processo? 

Atila Ramos: Poderia passar horas escrevendo o nome de pessoas que direta e indiretamente foram importantes neste processo, que apoiaram e me ajudaram, mas vou destacar a minha família, que foi a base de tudo, meu sensei e diversos conselhos, campeonatos, cursos, treinos enfim, aos meus alunos que acreditaram que eu poderia ajudar, aos muitos pais de alunos que confiaram em meu trabalho, a minha filha que foi minha maior incentivadora para me tornar uma pessoa melhor e ao sensei Funakoshi que desenvolveu mais que uma luta de socos e chutes, mas um sistema de pensamento que trabalha em se tornar uma pessoa melhor. 


Jefferson: Falando abertamente o que você enxergou dentro da prática do Karate-Do que o deixou mais forte durante a sua peleja contra a dependência química? 

Atila Ramos: Inicialmente foi a luta, quando reiniciei a prática, shiai kumite era minha paixão, porém, meu sensei passava muito kihon, muito kata e isso foi se tornando um paralelo entre o combate ao vício e o aprendizado, como disse minha memória foi afetada com o uso das drogas, ou seja, demoro um pouco mais que o normal para assimilar as técnicas e as sequencias dos katas, então isso passou a ser um desafio que valia a pena, outra coisa que me fortificou muito foi me descobrir como um bom comunicador, e por consequência um certo dom para ensinar, sou muito detalhista porque preciso desses detalhes para entender e assimilar as técnicas, então diria que o que me chamou mais atenção no primeiro plano foi o kumite, porém, minha paixão se tornou o kata, o kata é uma luta onde tem que se enfrentar inimigos imaginários, ou seja, em cada kata luto contra uma falha que tenho, um vício, um defeito, em cada movimento, ganho auto confiança, ganho experiência e vida para seguir em frente 


Jefferson: Em nossas conversas você me disse que queria ajudar outras pessoas contando as experiências que vivenciou. Nessa fase sóbria da vida, você já conseguiu efetivamente ajudar na recuperação de outras pessoas com dependência química através da pratica do Karate-Do? 

Atila Ramos: Tenho um aluno atualmente que está nessa batalha contra os vícios, além de aluno ele foi uma das pessoas que fizeram parte do período em que estava usando drogas, ele veio me pedir ajuda, e eu mostrei o karate, fiz o papel do meu sensei (e ainda faço) aconselhando, chamando para treinar, incentivando, enfim, acreditando que ele é capaz de lutar contra os defeitos e vícios dele, porém, este veio abertamente. Tenho um caso legal que foi um aluno que era usuário e pensava que eu não sabia, e um dia eu comentei com a turma, como era difícil, e que eu tinha superado, que sempre que eles chegavam no tatame e me viam treinando era porque essa era uma das formas que eu vi como lutar contra os vícios e este cara acabou me usando como exemplo, a alguns meses recebi uma ligação dele no WhatsApp e ele me dizendo que desde o dia que falei no Dojo ele não usou mais nenhuma droga e queria me agradecer. Me emociona falar disso porque acho que nós professores (senseis) nem sempre temos a noção da importância do nosso trabalho na vida daqueles que estão ali na nossa frente durante as aulas. 


Jefferson: Caro Atila San você poderia nos deixar uma mensagem sobre a luta, e vitória sobre as drogas?

Atila Ramos: Eu sou dependente químico inativo, faixa branca eternamente, já morei nas ruas, já comi o pão que o diabo amassou com areia. Um dia conheci o Karate e com isso conheci o budo e pessoas incríveis, todas elas acreditaram em mim, mas só consegui vencer todos os machucados que a vida me deixou, no dia que eu comecei a acreditar em mim mesmo, quando lutar deixou de ser bater no outro, quando um campeonato parou de ser só a medalha, quando o Karate salvou minha vida, foi quando eu me peguei me segurando nele para não desistir de mim mesmo. 
O karate é capaz de fazer nossas vidas se tornarem melhor, criam laços fortes, criam laços de familia, mas depende de todos nós nos esforçarmo-nos a melhorar nosso caráter, a desenvolver nosso ímpeto e desejo de esforço, depende de nós a cada treino, ter fidelidade com nossa realidade e nos entregar ao treino de verdade, é aprender a respeitar nossos limites, mas também os limites dos outros, é lutar todos os dias contra impulsos, desejos e agressividades sejam eles em nós ou para com os outros. O karate salvou minha vida e pode salvar a de muitas pessoas que assim como eu estão na luta contra a dependência. 
Aos senseis que tiverem a oportunidade e o desejo de se aprofundar ou até mesmo desenvolver, clinicas de reabilitação aceitam trabalhadores como voluntários, uma hora por semana, pode fazer com que o karate salve a vida de outras pessoas, pesquise, pode ser um campo em que o Karate ganhe ainda mais pessoas com desejo de seguir o Dojokun no dia-a-dia e não somente no final do treino 


AGRADECIMENTO 

Esse estudo só foi possível através da ajuda do amigo e Karateca o Professor Atila Ramos, que desde o início, ainda na apresentação da ideia mostrou-se determinado. Mesmo sabendo dessa forte exposição, ainda sim seguiu como exemplo, e mostrou a verdadeira força de um autêntico guerreiro. Em nenhum momento retrocedeu, e por isso, e por todo empenho em nos contar a sua história, devo parabeniza-lo por sua atitude acima de tudo altruísta, seu intuito mostrou-se no sentido de conscientizar as pessoas sobre esse problema sério que é a dependência química. 

Acredito meu caro amigo que se podermos resgatar 1 vida nesse trabalho será a melhor recompensa que poderemos receber. Parabéns! 

Muito obrigado! 


CONCLUSÃO 

Nesse estudo podemos obter alguns indícios para razões ou motivos pelas quais as pessoas chegam a o quadro de dependência química. 

Um dos pontos que gostaria de destacar está justamente na formação da personalidade dos indivíduos, embora esse assunto seja bastante intenso e controverso, é preciso que apenas seja dito que as questões como ausência de figuras familiares durante a formação inicial da criança até o momento de sua adolescência é um fator que favorece a  mencionada: "Fuga da Realidade". 

Outros fatores sociais e emocionais também são preponderantes como a falta de condições favoráveis ao pleno desenvolvimento, a falta de moradia, o difícil acesso à educação, e muitos fatores sociais que realmente estão na balança como forte influência para que o indivíduo cresça e se desenvolva física e psicologicamente saudável ou não. 

Acredito que é preciso corrigir esse problema com os recursos que temos. E a educação preventiva, é a arma mais eficaz e também acessível ao nosso favor. 

E você me pergunta, e o Karate-Do, o que tem a contribuir? 

Eu digo a você o Karate-Do vai lhe oferecer um tratamento natural, onde você não desejará sair da realidade para se sentir bem consigo mesmo, você será conduzido a uma pratica que vai além de uma luta marcial, existe todo um aspecto espiritual e por que não dizer, uma mudança intelectual através da prática. Você estará constantemente buscando a paz em tempos de guerra. 

Com diria um provérbio que já ouvi: É melhor ter guerreiro no jardim do que um jardineiro na guerra. 

Assim o desenvolvimento cognitivo através da pratica do Karate-Do aumentará na medida que sua prática se tornar constante, com o tempo você será capaz de resolver múltiplos problemas ao mesmo tempo. Com a pratica ostensiva, os treinos estarão fazendo essa faxina, limpando o seu corpo e eliminando o tóxico. A sua mente estará condicionada ao autodesenvolvimento e busca pelo aperfeiçoamento, logo seu corpo lhe dirá:

Eu não preciso de nada mais, além de uma boa sessão de treinamento. 

A prática de atividade física está associada à liberação de substâncias, uma delas é a endorfina, ela age no cérebro proporcionando-lhe estado de prazer e relaxamento. (SHER, 2001)

Com base nessa informação acima, o que buscamos a cada segundo não seria esse tal estado de prazer? 

Também ocorrerá através do treinamento físico e em conjunto, o aumento da força e resistência muscular, da flexibilidade, do tônus muscular e da agilidade, reduzindo a gordura corporal, depressão, compulsão e o estresse. 

Logo se você entender a intensidade e o espirito da pratica marcial, associado á questões comportamentais. Além do aspecto cognitivo que estará em permanente evolução você terá o melhor tratamento natural para esse mal denominado como dependência química. 

“Quando você realmente consegue a cura para o seu corpo. O que lhe permite permanecer assim em pé, integro, e em estado de harmonia é o que gosto de chamar de cura da psique.” 

OSS! 
Jefferson Oliveira Professor de Educação Fisíca e estudante de Karate-Do Shotokan 
#APRENDEMOSJUNTOS


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

https://noticias.r7.com/saude/epidemia-de-crack-atinge-dois-milhoes-e-coloca-brasil-no-topo-do-ranking-de-consumo-da-droga-29052017 (Acesso em 01/10/2018) 

http://apadd.org/ (Acesso em 02/10/2018) 

http://www.efdeportes.com/efd166/atividade-fisica-no-tratamento-de-dependentes-quimicos.htm (Acesso em 02/10/2018) 

SHER, L. Role of endogenous opioids in the effects on light on mood and behavior. Med. Hypoth. v.57, n.5, p.609-11, 2001. 

http://www.cepe.usp.br/?page_id=36 (acesso em 02/10/2018) 

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O KARATECA OSCAR LUTA CONTRA UMA DOENÇA QUE QUASE O DEIXOU TETRAPLÉGICO. E A BUSCA POR MAIOR INCLUSÃO NO KARATE.


Olá Karatecas esse mês resolvi falar sobre um tema da maior importância, e muito relevante,  que é a inclusão social, é sabido que o dia 21 de setembro é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência.

Os dados do IBGE apontaram a pouco tempo que apesar de representarem cerca de 24% da população brasileira e que o Brasil tem cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. A dura realidade é que essas pessoas não vivem em uma sociedade adaptada. Vale salientar que esse % diz respeito a existência de doenças, traumas, ou até mesmo incapacidades adquiridas pela idade avançada. 

Decidi enfatizar esse tema ao observar as dificuldades que são relatadas por pessoas PCD que praticam o Karate, e que efetivamente querem participar das competições esportivas. 

O que deu maior relevância á está matéria, é ouvir que atualmente o desrespeito ainda é muito grande com essas pessoas, seja na questão da locomoção até os diversos lugares, e até mesmo no uso indevido de vagas especiais em estacionamentos. 

E esse tema é imenso, por esse motivo resolvi trazer um convidado que vive e sofre na pele esses problemas, ele que nasceu e se desenvolveu plenamente sem os problemas motores, porém por um infortuno ocorrido durante sua fase adulta, ele quase ficou tetraplégico, e com muito esforço conseguiu forças para gradualmente melhorar sua a qualidade de vida. E uma das ferramentas encontradas foi a pratica do Karate, que além da melhora na questão da auto-estima, também conseguiu evoluir na sua função neuromotora. 

Ele que é muito esforçado e determinado e que luta arduamente para ver seus direitos respeitados na vida e na pratica do Karate, e busca sempre sobretudo o bem-estar coletivo. 

O nosso convidado de hoje é o Karateca Oscar Garcia Braga Neto, que irá ao logo dessa entrevista nos contar a suas vivências, seus anseios e suas dificuldades. Creio que será esclarecedor durante essa leitura colocarmo-nos ainda que de forma imaginária na posição desse grande guerreiro. 

Antes, vamos a uma breve explicação sobre a terminologia usada para esse grupo de pessoas PCD.

Afinal o que é PCD? 

A sigla PCD, ainda é muito discutida no sentido de determinar e abranger a todas as pessoas que sofrem com as mais diversas privações. Existem diversos tipos de problemas que englobam a palavra deficiência, seja ela de ordem: física, cognitiva ou até mesmo motora. 

Mais vale dizer que PCD é o termo legal e técnico a ser utilizado, também gosto de me referir de forma mais humana usando o termo: pessoas com necessidades especiais, mais certamente é particular para mim, visto que necessidade especial pode estar atrelado a falta ou ausência de outras necessidades como por exemplo: a comida, a moradia, a saúde e etc.  E por isso usarei o termo técnico PCD. 


RAIO X DO ENTREVISTADO 

Oscar Garcia Braga Neto, atualmente com 43 anos de idade iniciou a pratica do Karate em 1990. Hoje está com cerca de 5 anos de prática efetiva do Karate ao longo de sua história. 

Já foi militar por 2 anos, chegou a praticar Karate Goju Ryu e também um pouco de Jiu-Jitsu, retornando ao Karate Shotokan. 

Atualmente 1º Kiu faixa marrom Karate Shotokan pela Federação Paulista de Karate 

Tendo realizados diversos cursos técnicos e de aperfeiçoamento, com destaque para os cursos de Arbitragem e de Kihon pela FPK e Curso EAD de Arbitragem com Sensei André Maraschin.
Recentemente participou do Seminário Karate para a Vida com senseis: Hélio Arakaki e Paulo Bartolo. 

Vamos a entrevista... 


Jefferson: Oscar como você conheceu o Karate Do? E o que motivou você a praticar esta arte marcial? 
Oscar Garcia: Conheci o Karate aos 10 anos de idade, vendo o ator Jean Claude Van Damme onde me tornei fã do ator e da arte que ele trazia aos filmes. 


Jefferson: Como surgiram seus problemas físicos? E como foi para você naquele momento lidar com a perda dos movimentos? 
Oscar Garcia: Minha doença surgiu aos 24 anos, do nada como uma simples dormência do joelho para baixo e rapidamente foi se estendendo para o corpo todo. 
De um jovem normal ver sua vida mudar aos poucos, onde uma doença tomava conta de seu corpo sem muito que fazer e todos os médicos não tinham um diagnóstico concreto, nem uma cura que parasse tudo aquilo. 


Jefferson: Qual o nome da doença ou enfermidade a qual você foi diagnosticado? E quais os principais causadores no seu caso? 
Oscar Garcia: Bom, o nome da doença que tive foi Pólio Neuro Radico Grave, onde ocorre a perda da bainha dos neuros, toda a proteção do meu nervo foi desintegrada. O motivo por ter tido essa doença os médicos não deram um diagnóstico. O motivo de ter essa doença, podendo ser transmitida pelo carrapato, carga neural ou então por diversos motivos. 


Jefferson: Algumas pessoas impõe uma barreira mental limitando assim a suas capacidades físicas. Hoje como você lida com as dificuldades físicas e até mesmo com a ansiedade, tendo em vista ainda algumas dificuldades motoras que você enfrenta? 
Oscar Garcia: Para tudo o princípio começa na mente, todas as dificuldades, medos e ansiedades a mente controla, mas a forma de lidar com isso que muda a pessoa. Às vezes você está com dor, o trabalho mental é importante, é isso que faz um deficiente olhar e seguir em frente. Mudar sua mente para seu crescimento, a sua evolução. Todos os dias as barreiras devem ser enfrentadas, a superação diária é imensa. 
Eu fiquei tetraplégico, enxergava embaçado e aos 24 anos não ter uma resposta se sobreviveria tudo aquilo, se teria cura, só mexer do pescoço para cima, tudo paralisado e os médicos não ter uma solução era muito ruim. 
A palavra é superação, aprendi aos poucos que a vida de uma pessoa são tijolinhos, construir um castelo aos poucos, mudar a cada dia, um processo de evolução mental, sempre sendo melhor dia a dia. É como no Karate começar do básico e evoluir aos poucos, como fazer um kata começando de um Heian Shodan e chegar a um Gankaku. 


Jefferson: Conte-nos como foi esse retorno ao Karate já nessa fase mais complicada. E o que motiva você hoje a seguir em frente? 
Oscar Garcia: Meu retorno ao Karate nesta nova fase de deficiente veio em forma de busca de saúde, de melhora no meu organismo, enfim, devido aos medicamentos que tomava para a melhora da minha doença cheguei a pesar 98 quilos precisava muito emagrecer então comecei a fazer musculação, mas sempre gostei de artes marciais e a academia que eu fazia tinha Jiu-jitsu, decidi fazer porque se caísse do chão não passaria, por ser mais chão no Jiu-jitsu, então depois de 4 meses vi que podia voltar a lutar, então conheci um Sensei chamado Antônio Nascimento que foi muito receptivo me deu muito apoio, com um trabalho especifico para minha deficiência, ter ponto de equilibro ao chutar e então estamos aqui. 
Minha motivação hoje nessa jornada de deficiente é mostrar a pessoas com deficiência ou normais que o karate traz uma alto confiança, como trouxe a minha vida novas vertentes que já estavam dentro de mim, mas ampliou cada uma delas, como caráter, o poder da mente, coordenação motora, e como karateca é trazer essas mudanças para outras pessoas. 


Jefferson: Na sua opinião o que falta para promover mais igualdade? O que pode melhorar em relação aos projetos e incentivo a pessoas com necessidades especiais? 
Oscar Garcia: Bom, o que falta para promover a igualdade é a consciência, não somente levantar uma bandeira, fazendo mudanças físicas em ambientes, mas o respeito a pessoa com necessidades especiais, não somente ter um espaço para o deficiente estacionar o carro, mas, ter a consciência do indivíduo de não estacionar em vaga de deficiente pois, a nossa mobilidade é reduzida e deve ser facilitada. 
Para melhorar a inclusão de pessoas com deficiência em projetos e ter a certeza que temos capacidade de realizar muitas coisas, então ter uma cota para que o PCD, é importante. Exemplo queria participar de um curso por uma determinada escola, eles não falaram com todas as letras, mas eu não me enquadrava naquele curso devido a meu estado físico. Então vejo que falta entendimento não pelos deficientes, mas para que entendam que podemos sim fazer cursos, porém com a limitação de cada um. Tenho certeza que sou capaz de muitas coisas dentro do karate, mas sei o meu limite também. 


Jefferson: Qual a maior dificuldade você sente em praticar o Karate? 
Oscar Garcia: Minha maior dificuldade para praticar o Karate é minha movimentação, alguns giros e pulos, direção e passos do kata. 
Por falta de estabilidade do meu equilíbrio e minha mobilidade. Mesmo assim supero minhas dificuldades e nunca disse que não conseguiria. Faço dentro do meu tempo, e da forma que fique o mais próximo possível do kata que os demais fazem. 


Jefferson: O que você acha que o Karate Do mais influência em seu dia-a-dia nessa busca por melhorar a sua qualidade de vida? 
Oscar Garcia: Karate influencia na minha vida em vários aspectos, primeiramente em disciplina, em questão do autocontrole, auto analise e superação. 
Nunca desisti e o Karate trouxe sonhos a mais, uma garra a mais em levar o Karate á diversas pessoas. 


Jefferson: Em nossas conversas pude notar em você uma grande aplicação, em relação aos estudos e principalmente pela busca de qualificação dentro da arte. Afinal você está sempre presente em cursos e seminários. Você já encontrou alguma tarefa que o impedisse de participar no momento da parte prática nesses eventos. Se puder conte-nos. 
Oscar Garcia: Logo de cara a mente me diz que não consigo, mas a batalha da mente com meu corpo é dizer que não conseguiria fazer certo exercício, ai vem uma força maior que faz com que eu realize o exercício superando o meu medo e minha insegurança em realizar a tarefa, e para minha surpresa supero e realizo o exercício. Então o deficiente tem que ter em mente a superação diária. Nunca desistir. 


Jefferson: Deixe-nos uma mensagem sobre a sua vontade em dar continuidade à prática do Karate Do. Principalmente aqueles que estão em busca de maior motivação. 
Oscar Garcia: Volto a dizer de um jovem normal cheio de sonhos e de repente me tornei uma pessoa com deficiência, o que dizer... tudo está na sua mente, como lidar com o que a vida nos proporciona está na mente, as barreiras e sonhos, estão ali, como você vai superar suas limitações, como você vai conquistar, está ali na sua mente. 

O não já temos para tudo, até para nós mesmos, que muitas vezes nós nos limitamos. Mas não podemos nos entregar a nossas limitações, devemos seguir e buscar os nossos sonhos. 

Eu sigo os meus como Karateca, treino, estudo, leio e faço cursos. 
Faça o mesmo busque seus. Não deixe que ninguém diga que não pode fazer algo, acredite na capacidade de mudar sua vida sendo Karateca, sendo uma pessoa normal ou até mesmo com qualquer tipo de dificuldade. 
Oss! 

AGRADECIMENTOS

Por vezes nos sentimos mais fortes e capazes com o sentimento de que tudo podemos, sem ao menos olhar do lado, tampouco mostrar um sorriso, ou aperto de mãos sincero, um abraço.
Hoje gostaria deixar aqui todos esses gestos de amizade e de gentileza e principalmente respeito ao amigo Oscar pela sua rica história de superação.

Parabéns guerreiro que todos os seus sonhos sejam concretizados e jamais desista de seus objetivos.
Muito Obrigado por essa aula e lição de vida.        


CONCLUSÃO 

Quando ouvi a história inteira do Oscar pela primeira vez confesso que não entendi toda a sua luta em relação a questão da inclusão nas competições esportivas. E no decorrer de nossas conversas percebi a garra e determinação que ele tem. A luta nunca foi só a questão da possibilidade da competição, mais pelo direito de igualdade. 

Não é só uma questão de falar sobre a inclusão em linguagem polida e um discurso politicamente correto. É preciso saber ouvir essas pessoas, porque é natural para muitos só olhar e pensar que a deficiência é fator de impedimento para determinadas práticas. Logo a tarefa é buscar alternativas para realiza-las sem risco a condição atual, algo que efetivamente o ajude a progredir superando os limites. 

Durante esses dias pude observar as pessoas constantemente elogiam um movimento plástico, uma coordenação motora impecável, porém é muito pouco valorizado a questão do esforço. 

Ao indivíduo considerado saudável é fácil elogiar um campeão com a medalha no peito, o difícil é no dia-a-dia é elogiar e incentivar a sua pratica diária em busca por melhorar a condição atual, seja ela física ou técnica.  

Se nós olharmos para as pessoas valorizando o seu esforço logo teríamos um indicador mais correto da evolução pessoal e também da prática. Dar socos para um Karateca bem treinado são simples feitos, o difícil é estender as mãos com sinceridade e respeito. 

Aprendi que ouvir é uma ótima oportunidade, e nos faz questionar os nossos mais profundos sentimentos em relação a prática do Karate Do. O segredo é não se acovardar e nunca aceitar que a vida lhe tire a vontade em lutar por seus ideais. 

A questão não é se 1 pessoa ou se 999 pessoas querem lutar. O que preocupa é se 1000 pessoas simplesmente não fizerem nada. 

OSS! 
Jefferson Oliveira                                                                                                                        Professor de Educação Física e Estudante de Karate Shotokan 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/16794-pessoas-com-deficiencia-adaptando-espacos-e-atitudes.html

https://exame.abril.com.br/brasil/ibge-24-da-populacao-tem-algum-tipo-de-deficiencia/

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

SETEMBRO MÊS PARA INCLUSÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO KARATE


Olá Karatecas, 

Nesse mês de setembro comemoro 1 ano de trabalho com esse Blog. 

E em prol de uma causa muito importante gostaria de apresentar uma ideia: A de promover maior inclusão e introdução a prática do Karate Do também para as pessoas com necessidades especiais dedicando esse mês para promover essa essa causa. E quem sabe contar com a ajuda de vocês e mostrar alguns exemplos de trabalhos nessa área .       

Aos que desejarem apoiar nosso projeto de inclusão durante o mês de setembro 2018, aos que fazem esse tipo de trabalho com PCD (Pessoas com necessidades especiais) e quiserem nos enviar videos curtinhos de até 2 minutos teremos o prazer em postar em nossa fan page no Facebook e desta forma mostrar tanto o trabalho do professor quanto a determinação do aluno. 

Não precisa necessariamente ser um vídeo da prática do Karate, mais também pode ser. Pode ser um vídeo de apresentação de ambos, respectivamente, professor e aluno. 

O trabalho é de carácter motivacional e informativo. Se você desejar contribuir envie os videos aos cuidados de Jefferson (11) 97382-4360 

#SETEMBROINCLUSAONOKARATE 
#APRENDEMOSJUNTOS

OSS!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e Estudante de Karate Do Shotokan

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

AFINAL O QUE É UMA COMPETIÇÃO DE EN-BU NO KARATE TRADICIONAL?



EN-BU – Defesa pessoal combinada demonstrada por duplas (masculina, feminina ou mista). Os dois participantes devem demonstrar habilidades técnicas extremamente eficientes tanto quanto demonstrar uma realidade de combate.

A ênfase recai na criatividade e na performance das habilidades dos dois competidores envolvidos neste confronto que tem a duração de 55 á 65 segundos. Existe técnicas obrigatórias na sequência, assim como há penalidades por falta de Técnicas, contato, TodomeWaza, saídas fora da área do shiai-jo.

Esta modalidade faz parte da ITKF Federação de Karate Do Tradicional e consta no quadro oficial das modalidades (juntamente com Kata, Kumite e o Fukugo ).

Créditos e informações:
Sensei Rodrigo Alves Arita 3º Dan ITKF e JKA

Imagens: Rodrigo Alves Arita e Andrew Ramos Marques atuais campeões Brasileiros de En-Bu e Kata equipe Karate Tradicional.

#Aprendemos juntos!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Fisíca e Estudante de Karate Shotokan
Oss!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

SHUHARI UMA JORNADA SEM FIM DE DISCÍPULO Á SENSEI

Olá Karatecas,

Hoje o tema de estudo é a essa jornada do discípulo até o momento em que se torna um Sensei. E nesse processo, resolvi tentar envolver o conceito de SHUHARI, ao trazer aqui nesse estudo dois grandes nomes do Karate, Sensei Hélio Arakaki e Sensei Andrey Xavier ambos responsáveis pelo projeto SHUHARI sobre o qual também falaremos no decorrer dessa entrevista. 

Atualmente vivemos em um momento bastante conturbado na questão da formação do cidadão, quando ocorre inversão dos valores e às vezes somos conduzidos até mesmo por nossos pais a tão somente ocupar um local de destaque na sociedade. Embora isso não seja errado, nos conduz à busca de status social, seja na aquisição de bens ou até do consumo. 

Será que efetivamente precisamos de muita coisa para nos sentirmos realizados? 

Onde podemos encontrar os exemplos de sucesso pessoal?

O que é primordial ser útil ou ser importante?

Qual o seu estágio atual no conceito de SHUHARI? 

Tentarei conduzi-los à descoberta dessas questões através desse estudo e proponho que estejamos atentos ao tema e que possamos refletir a nossa fase atual de desenvolvimento, e que nesse estudo particularmente falamos do Karate Do, porém poderia ser muito bem aplicado à escala de desenvolvimento humano. 

RAIO X DOS CONVIDADOS

SENSEI ANDREY XAVIER

Andrey Xavier é discipulo de Sensei Hélio Arakaki e a base de sua formação está na metodologia Tridimensional, deixada por Sagara Sensei. Ademais estudou por um bom período de tempo com o grande Sensei Tasuke Watanabe 9° Dan.

É representante da ISKF Brasil no Estado do Espírito Santo e responsável pelo Dojo Muryokan/ES.

Praticante de Karate Do desde 1985 formou-se sob as orientações de Sensei Hélio Arakaki e atualmente é faixa preta 3º Dan. É Coordenador Metodológico do Projeto SHUHARI.


SENSEI HÉLIO ARAKAKI 

Hélio Arakaki, 6º Dan, é representante da ISKF Brasil no estado do Mato Grosso do Sul, discípulo direto de um dos introdutores do Karate Shotokan no Brasil o mestre Juichi Sagara 9º Dan do Karate Shotokan no Brasil, que faleceu no ano de 2001.

Sensei Hélio Arakaki é o Instrutor Chefe do Instituto Muryokan e faz um grande trabalho através de palestras e seminários sobre Karate-do. Ele que formou-se sob os ensinamentos do mestre Sagara há 35 anos atrás. É Coordenador Técnico do Projeto SHUHARI.


Vamos as nossas perguntas...

Jefferson: Sensei Andrey, como você conheceu o Karate? E, francamente, qual a sua primeira impressão ao conhecer o sensei Hélio Arakaki?

Andrey Xavier: Ingressei em meados do ano de 1985, aos 10 anos de idade. Meu pai havia percebido o meu interesse por filmes de lutas e o meu comportamento hiperativo, me levando, à época, a um Dojo no Clube dos Sargentos em Campo Grande/MS, onde permaneci até o ano seguinte.
Após quase 2 anos de intervalo, retornei ao Karatê já no Dojo Muryokan, indicado ao meu pai por Sagara Sensei em uma de suas vindas a Campo Grande/MS. Alguns dias depois, fomos ao endereço do Sensei Hélio Arakaki e chegando no Dojo tive uma impressão muito positiva, principalmente pela postura e etiqueta com as quais fomos recebidos. Senti um verdadeiro ambiente marcial e ao conhecê-lo passei a estimá-lo por sua solidez técnica e ponderação nas instruções ministradas.


Jefferson: Sensei Arakaki como o Sr. enxerga o estágio iniciante? E o que o Sr. considera ser mais importante na escalada de desenvolvimento na concepção e conquista dos Kius principalmente na questão comportamental? 

Hélio Arakaki: Eu costumo dizer que o espirito do faixa branca deve ser sempre cultivado pelos Karatecas veteranos, uma vez que é uma fase de grande motivação. Quem não traz na recordação aqueles momentos em que tudo no Karate eram descobertas e fascínio? E eis o grande desafio, levar pela vida toda na prática do Karate esta atitude motivada e marcada principalmente pela humildade e vontade em aprender.
Infelizmente, somos muito influenciados pelo ego. Na medida em que vamos progredindo nas técnicas, temos que ter cuidado para que a vaidade não influencie o nosso comportamento, levando-nos a colocar em primeiro plano a avidez em obter novas graduações. E, geralmente, este comportamento está associado ao sentimento de comparação e competição, tão comuns em nossa sociedade, onde muitos passam a vida visando obter coisas materiais como modo de afirmação sobre os demais. Hoje, vemos esse comportamento quando muitos, não satisfeitos com o título de Sensei, passam a buscar a todo custo a denominação de Shihan.


Jefferson: Sensei Andrey, seja introspectivo e tente nos contar o que mudou em relação ao seu entendimento sobre o Karate-Do comparando antes e hoje? 

Andrey Xavier: Durante todo o tempo de prática, pude perceber que as mudanças ocorridas no Karatê Do, de um modo geral, sofreram um certo distanciamento da Arte dando lugar à "esportivização". Muitos praticantes e Organizações afastaram-se da essência marcial em detrimento das regras competitivas.
O Sensei sempre nos instruiu consoante os fundamentos do Budo e acredito que, por isso, me mantive neste mesmo trajeto até hoje. 

Atualmente, tenho visto o surgimento de uma quantidade imensurável de Entidades de karatê, do qual advêm dissidências que levam apenas à fragmentação e à satisfação de interesses particulares. No entanto, existem muitos professores que preservaram as raízes e isso é um bom sinal de que o legado continuará vivo e forte.

Jefferson: Sensei Andrey, conte-nos como é a sua relação de respeito, e principalmente o que é essa gratidão em relação à figura do Sensei.


Andrey Xavier: O respeito veio naturalmente e em forma de gratidão por sua confiança em nos ensinar e pela integridade como conduz o Dojo. 

Sempre nos mostrou exemplos práticos de como o Karatê podia nos ajudar em nossa forma física, mental e espiritual, além de nos tornarmos pessoas melhores em casa e na sociedade. 

Realmente tive um grande privilégio de ter esse aprendizado e constatar esses benefícios em minha vida, isso para mim continua sendo motivo de agradecimento e respeito para com o Sensei.

Jefferson: Sensei Arakaki, como bem sabemos o Sr. mantém um trabalho voltado ao conceito de SHUHARI, o Sr. Poderia nós passar de uma forma mais objetiva, o que é SHUHARI? e qual é a aplicação prática desse conceito dentro do Karate-Do? 

Hélio Arakaki: Hoje, inclusive, conversei com um Sensei da Bahia e ele tocou nesse assunto. Dizia que ouviu de uma pessoa o conceito de Shuhari de forma deturpada. 
Explico. No meu livro “Sensei, A Jornada Espiritual”, conceituei SHUHARI como as três etapas de aprendizagem e desenvolvimento no caminho. A primeira etapa é o “SHU”, a da prática, em que o aluno segue com abertura e humildade as orientações do Sensei. A etapa seguinte é o “HA”, na qual buscamos pelo aperfeiçoamento do que foi aprendido e, finalmente, chegamos ao “RI”, a etapa da transcendência, em que o conhecimento se funde ao ser, dando ao aluno uma personalidade própria a ponto de se diferenciar do próprio Sensei. Para muitos isso será motivo de ruptura com o Sensei devido à influência do ego. Mas “RI” não se trata disso, uma vez que o aluno sempre cultivará o sentimento de gratidão ao seu Sensei. Ele irá trilhar um caminho próprio, mas o sentimento de devoção espontânea manterá o vínculo entre discípulo e Sensei.

Jefferson: Sensei Andrey, conte-nos um pouco da sua experiência durante sua caminhada rumo a conquista da faixa preta. Quais eram suas expectativas antes, e se algo mudou atualmente já nessa fase mais madura dentro da arte? 

Andrey Xavier: Quando iniciei, lembro que nossa preocupação não era mudar de faixa como vejo hoje, tínhamos apenas a motivação em treinar. Dessa forma, mantínhamos nosso foco na prática, nosso interesse era buscar superar nossos colegas de Dojo nos treinos rotineiros.
Já na fase adulta, a expectativa voltou-se para o aperfeiçoamento dos fundamentos nos Kihons, Katas (e seus Bunkais) e nos fundamentos de Kumite. Quando me mudei para
Vitória/ES no final do ano de 2005, visitei alguns Dojos, mas fui abraçado pela afinidade técnica do grupo Karatê Tradicional do Espírito Santo, no qual passei a treinar conjuntamente, tendo inclusive me submetido a duas avaliações com Tasuke Watanabe Sensei, no Hombudojo em Setiba/ES. Contudo, mantinha, mesmo à distância, a supervisão técnica de Hélio Arakaki Sensei e Edson Nakama Sensei, responsável pela Escola ISKF Brasil (Internacional Shotokan Karate Federation).
Procuro manter meu aperfeiçoamento através de Treinos Técnicos, Cursos, Seminários, Gasshukus e Goshin. Anualmente, realizo Cursos Técnicos em Vitória/ES, nos quais busco estimular uma interação do aprendizado nos alunos e demais participantes, independentemente de organização ou estilos.


Jefferson: Sensei Andrey, algumas pessoas, principalmente a crianças, criam a imagem do sensei “Herói”. Para você como isso é construído e como podemos melhor definir um sensei em sua opinião? 

Andrey Xavier: A figura do Sensei, para a maioria das crianças e também para alguns jovens, a mais tempo reporta ao arquétipo do super-herói ou a alguém que detém “poderes” pelo fato de ser um professor de Artes Marciais. E sabemos que não é isso, ou melhor, que é bem distante disso. De qualquer forma, essa personificação ainda provoca interesse e faz com que tenhamos um canal de orientação dos princípios e benefícios que o Karatê-Do proporciona ao praticante.
Na minha visão o Sensei é, ou pelo menos deve procurar ser, da melhor forma possível, o exemplo na prática. Tudo que ele fizer, bem ou mal, servirá de lição para a vida de seus alunos e discípulos. E nada melhor para se ter uma boa aprendizagem do que haver um bom professor. E, para isso, espera-se que possua autêntico fundamento prático e teórico e que seja coerente em suas ações formadoras. Em contrapartida, o Sensei espera a mesma lealdade e comprometimento de seus alunos.


Jefferson: Sensei Hélio Arakaki, como sabemos muitos se autodenominam Sensei. Para o Sr., particularmente, o que deve mudar, seja técnica, física ou mentalmente, tendo em vista ver um aluno na figura de praticante de Karate-do e já em outro momento reconhecê-lo efetivamente como um Sensei? O que é primordial para se tornar um sensei? 


Hélio Arakaki: Como em qualquer profissão, ser Sensei exige competência. Para ser competente, antes de tudo, deve-se ter abertura para o aprendizado continuo e nunca se dar por satisfeito pelo conhecimento adquirido, ainda mais se tratando do Karate, que é um poço sem fundo de aprendizados, e Karate é prática. 

Não podemos nos apropriar de uma técnica sem o suor e a dor da dedicação. O conhecimento adquirido sentado na cadeira é inócuo, pois na posição de Sensei, temos que obter não somente o conhecimento teórico, mas o conhecimento aprendido na prática, uma vez que sempre teremos que demonstrar aos nossos alunos a técnica correta. 


Jefferson: Sensei Arakaki qual a sua visão sobre a importância da consciência do movimento dentro do Karate Do? E conte-nos sobre essa capacidade de encontrar múltiplas soluções técnicas dentro de um mesmo movimento na questão das aplicações dos golpes, nessa fase que é mais conhecida como “RI”? 

Hélio Arakaki: Metaforicamente, costumo dizer que o papagaio fala, mas ele não tem consciência do que fala, ele foi apenas adestrado. 
Da mesma forma um praticante de Karate que não tem consciência do movimento que envolve a técnica, pode até estar executando a técnica, mas de maneira inconsciente. 
A consciência do corpo abre as portas da nossa percepção, da forma como sentimos e interpretamos o que acontece dentro e fora de nós. Muito importante para que possamos nos relacionar harmoniosamente com o meio em que vivemos. E o Karate, sendo uma prática corporal, deve aproveitar dessa qualidade para que o praticante tenha acesso a essa consciência global de si mesmo e com o meio em que interage. Estou me referindo ao autoconhecimento que nos leva a melhorar não somente a técnica, mas como ser humano. 
Quanto ao "RI", penso que é um momento da colheita, onde todo o nosso conhecimento adquirido começa a dar novas formas do que foi aprendido. Nesta etapa, a intuição age de forma natural, dando-nos uma compreensão global de uma determinada técnica, novas formas de aplicação do Bunkai, até mudar um ponto de vista radicalmente. E esse conceito tem a ver com essa frase atribuída a Bruce Lee: “Absorva o que for útil, descarte o que não for, e adicione aquilo que for unicamente seu.”

Jefferson: Sensei Andrey, o que é o projeto SHUHARI? E qual seu principal objetivo? 

Andrey Xavier: O Projeto SHUHARI surgiu durante uma conversa informal com o Sensei, vendo a necessidade de preencher uma lacuna técnico-filosófica e que fosse voltada para a conscientização teórica e prática do Karatê Do. 

O termo SHUHARI remete ao conceito de autoconhecimento e de autodesenvolvimento, sendo que tem entendimento no ciclo – Aprender, Praticar, Aperfeiçoar. Neste sentido, o Projeto tem como tema central “Karatê Do para vida”, isto é, intuito de fazer com que o praticante tome como hábito consciente os benefícios dessa atividade. 

O objetivo original é desenvolver interação técnica-cultural entre praticantes e professores parceiros, independente de organizações e estilos, através de palestras, seminários, cursos, workshops, debates, conferências ou fóruns. Em todas as atividades práticas desenvolvidas, realizamos um momento para conversa e/ou explanação técnica vinculada a um tema. Esse momento é registrado e avaliado, a fim de servir como fonte de pesquisas técnicas e assim continuar o ciclo de aprendizado.


Jefferson: Sensei Arakaki, queremos saber o que o senhor espera de seu aluno em relação à progressão, seja no Karate Do ou na vida? 

Hélio Arakaki: Eu espero que ele se dê bem na vida. Que tenha o espírito sempre em zanshin para que possa agir da maneira mais assertiva diante das situações inesperadas. E que seja uma pessoa harmoniosa, que cultive o respeito em relação às pessoas com quem convive.


COMENTÁRIOS SOBRE O ESTUDO. 

Creio que será esclarecedor para todos aqueles que realmente buscam o desenvolvimento do Karateca e do ser humano. Obrigado pela oportunidade, caro Jefferson, e muitas colheitas nesse seu trabalho. 

Sensei Hélio Arakaki 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo falamos sobre SHUHARI e a escala de desenvolvimento dentro do Karate Do. A ideia foi passar uma perspectiva de desenvolvimento na prática, de modo que em um momento somos um aluno e em outro podemos nos tornar um professor. 

Se você pensar como ocorre essa construção do conhecimento certamente você verá que a solidez no Karate Do só poderá ser alcançada na medida em que estejamos sempre buscando por novas experiencias, e sempre haverá muito suor, teoria sem pratica é como água sem um copo, difícil de acondicionar. 

As três fases do SHUHARI são decisivas para que você se torne um grande Karateca, e é extremamente importante que você tome consciência da sua fase atual e que tenha a humildade necessária para ser além do professor, também um exemplo de vida para seus futuros alunos. 

Esses dias me perguntaram posso ganhar dinheiro ensinando Karate? Fiz uma reflexão para responder e poderei dizendo: Acredito que você deve ganhar dinheiro, porém, se estiver capacitado. Se você estiver apto para entregar aquilo que seu aluno espera, caso contrário, pense há quem estará enganando, o seu aluno ou a si mesmo. 

Treine, se capacite, busque, esteja sempre em zanshin para as variadas tarefas da vida, use o  Sen-no- Sen antes que a vida te tire algo como sua própria vontade. E quando estiver com idade mais avançada certamente você terá a inteligência cinestésica bem desenvolvida. 

Pessoas úteis são essenciais por algum período. Pessoas importantes sempre serão parte integrante e são insubstituíveis em nossas vidas. Quem você quer ser?

Como sempre karatecas, os convido a deixarem seus comentários à respeito desse estudo, e assim enriquecer ainda mais essa matéria. 

AGRADECIMENTOS

Gostaria de manifestar minha gratidão ao Sensei Andrey e Sensei Hélio, que demonstraram a todo momento muito solicitos  quanto ao esclarecimento desse tema tão importante na caminhada do Karateca. Personificaram, assim, as figuras de Sensei e Discípulo deixando a melhor mensagem possível. Respeito acima de tudo.

Espero encontrá-los um dia e agradecê-los pessoalmente por essa aula de vida e amor ao Karate.
Que vocês encontrem todo o sucesso e prosperidade nessa caminhada.

Muito Obrigado!

OSS!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate Do estilo Shotokan


AFINAL O QUE É INTELIGÊNCIA CINESTÉSICA?

A inteligência corporal-cinestésica é a capacidade de manipular objetos e usar uma variedade de habilidades físicas. Essa inteligência também envolve um senso de tempo certo e perfeição de habilidades através da união mente-corpo. Atletas, dançarinos, cirurgiões e artesãos exibem essa inteligência bem desenvolvida.

FONTE: 
https://hypescience.com/os-9-tipos-de-inteligencia-que-todos-temos/ (Acesso em 01/08/2018) 


PRÓXIMOS EVENTOS, PALESTRA E SEMINÁRIOS DO PROJETO SHUHARI. 

Abaixo destacamos os eventos do Projeto SHUHARI referente ao Calendário Ano 2018. 

26 de Maio / Vitória ES - "Tridimensionalidade na prática do Karatê-Do" (contato: 27-981945678 / Prof. Andrey Xavier) 

23 e 24 de Agosto/ Santos SP – "Karatê para a Vida" (contato: 13-997043958 / Prof. Paulo Bartolo) 

22 e 23 de Setembro/ SP – "O equilíbrio da ancestralidade com a modernidade (Tode/Karatê)" (contato: 11-996047640 / Prof. Flavio Vicente) 

15 e 16 de Setembro/ Salvador BA "Os estados mentais no Karatê - Zanshin, Fudoshin e Mushin" (contato: 71-992634235 / Djalma Caribe Filho) 

14 de Outubro / Campinas SP – “Movimentos conscientes na prática do Karatê”                      (contato: 19-992083042 / Prof. Gilson Gomes)

20 de Outubro / Curitiba - "A prática continua e consciente do karatê Do"                                 (contato: 41 988188676 / Sensei Walger)

27 de Outubro / Juiz de Fora MG – "O Hara aplicado nos fundamentos e no cotidiano" 

Obrigado a todos pela atenção e desejamos sucesso como Karatecas e cidadãos.

Cordialmente! OSS!

terça-feira, 10 de julho de 2018

KAMIDANA E A RELEVÂNCIA DENTRO DE UM DOJO DE ARTES MARCIAIS JAPONESAS

Olá amigos Karatecas, resolvi estudar um pouco mais sobre a Kamidana e também da organização de um Dojo tradicional e assim poder compartilhar algumas informações absorvidas através desses estudos. 

Nesse primeiro momento tentarei usar uma linguagem mais natural para que você possa aos poucos abstrair melhor as questões que envolver esse tema. E você já deve ter se perguntado o que é aquela prateleira e aquela espécie de templo que fica no Kamiza em dojos tradicionais japoneses. 

Em conjunto tentarei novamente trazer algumas regras de etiqueta e respeito que precisam ser consideradas ao adentramos a nossa segunda casa o Dojo. 

Para falar sobre o tema procurei na matéria anterior de uma forma mais simples explicar o que é o do Xintoísmo. 

E agora tentarei contextualizar no presente objeto de estudo porém no intuito educacional, para que antes montar uma Kamidana você ao menos conheça o minimo sobre os aspectos culturais existentes.  

Não é meu objetivo fazer apologia a questões religiosas tampouco conduzir você as práticas Xintoístas embora você poderá a partir dessa matéria entender um pouco mais sobre esse tema e sua relevância dentro de um Dojo de artes marciais japonesas. Obviamente esse tema é gigante e haverá muitas fontes de informação apenas tentarei falar de uma forma mais simples e objetiva. 

Primeiro falaremos dos atores e depois dos objetos. Vamos lá... 


INDIVÍDUOS QUE COMPÕEM O DOJO 


SHIHAN – Embora para alguns estilos de Karate seja pouco usado, alguns mestres não gostam de receber essa forma de tratamento até mesmo por aspectos latentes de manter sempre humildade, porém o devemos assim o definir um mestre dentro da arte. 

SENSEI – Esse é um dos personagens principais dentro do Dojo, aquele que veio antes para pratica e através de longos anos se preparou para passar o conhecimento adiante, podemos dizer que está na fase transcender as técnicas básicas. 

SHIDOIN - É um faixa-preta que por um condição técnica e mental e por ocorrência de longos anos de treinamento atingiu um nível técnico diferenciado dentro da arte 

SENPAI - Podemos o assim chamar de aluno experiente, esse por sinal é considerado apenas uma relação entre um Karateca mais antigo dentro do mesmo Dojo com o de menos tempo dentro da arte e do Dojo. Poderíamos fazer uma analogia ao um irmão mais velho dentro de uma familia, embora o Senpai tenha responsabilidade dentro do Dojo e ele deve buscar ajudar os Kohai sempre que o Sensei assim solicitar. 

KOHAI – Qualquer aluno seja iniciante ou intermediário que tenha relativa ou nenhuma experiência dentro da arte e que constantemente buscará informações seja com os Senpai ou ensinamentos diretamente com o Sensei.


ELEMENTOS QUE COMPÕE UM DOJO TRADICIONAL JAPONÊS 


KAMIZA é o local por tradição deverá orientar-se sempre ao leste que é um local onde nasce sol de onde surge a luz que nos permite a vida. 

JOSEKI de acordo com a orientação do Kamiza é o local a direita onde ficam normalmente os alunos mais adiantados ou faixas pretas dentro de um Dojo 

SHIMOSEKI também de acordo com o posicionamento do Kamiza e ficam à esquerda os alunos iniciantes e intermediários na pratica. 

SHIMOZA onde os alunos normalmente os Kohai se perfilam de frente para o Kamiza 

KAMIDANA é uma prateleira, e nela estão alguns objetos que dentro da cultura do Xintoísmo buscam representar alguns preceitos e as relações entre ambiente natureza e as pessoas. Na Kamidana cada objeto tem uma relevância dentro da cultura e podem ocorrer a organização diferente porém é indispensável falando em respeitar a essa cultura a presença de alguns objetos.


ALGUNS OBJETOS EMBLEMÁTICOS DE UMA KAMIDANA:


SHIDEN é um pequeno tempo encontrado na Kamidana é onde fica guardado o amuleto que é um dos objetos sagrados da cultura Shinto 

SHIMENAWA é aquela corda retorcida que fica posicionada na Kamidama. Na cultura oriental acredita-se que a Deusa do sol Amaterasu que por algum tempo esteve dentro de uma caverna escura, ao sair desse local fora colocado o Shimenawa para marcar um local sagrado afim de impedir que a Deusa novamente retornasse a caverna. 

KAGAMI é um espelho. Reza a lenda de que a Deusa Amaterasu estava envergonhada com atitudes egoísta do Deus da tempestade ao saquear a terra. Nesse momento procurou refúgio em uma caverna escura e por lá ficando por muito tempo e o Kagami teria sido colocado pendurado em frente a caverna e em uma arvore, no momento que Amaterasu viu sua bela imagem refletida no espelho resolveu sair dessa caverna restabelecendo assim a luz ao mundo novamente. O Kagami teria a capacidade de refletir o nosso eu de forma mais verdadeira, revelando aspectos interiores do ser humano 

O espelho, a espada e a joia são considerados objetos sagrados dentro da cultura Shinto 

OFUDA é um amuleto e ele teria o poder de proteger o nosso treinamento 

TOMYU são as velas que simbolizam a luz o universal das quais somos pequenos fraguimentos. 

SASAKI são espécies de plantas resistentes que simbolizam a ocupação de um espaço dentro da natureza. 

KAKEMOTO (Pintura em papel) pode representar a imagem de alguém iluminado dentro daquele local, comumente alguém que veio ante e trouxe a luz a nossa pratica. 

IKEBANA (arranjo de flores) 

ANDON (abajur de papel) e outros arranjos artísticos.


ALGUMAS DICAS DE ETIQUETA DENTRO DO DOJO 


O seu Dogi deve estar sempre limpo. Sua faixa deverá estar devidamente amarrada. 

Deixe seus chinelos em local apropriado normalmente determinado pelas regras do próprio Dojo e a posição alinhados com a posição das pontas para a parede. 

Deixe objetos como relógios, brincos, alianças, anéis, colares guardados. Nunca utilize-os durante o treinamento. 

Ao entrar na sala de treinamento vire-se em direção ao Kamiza a partir da posição natural Shizentai posicione-se em Ritsu-rei pronuncie de forma expressiva a palavra OSS ela deve ser pronunciada mostrando assim respeito e sua intenção estando com o seu pote vazio, porém sempre pronto para receber o conhecimento. Ao final do treino antes de sair repita o mesmo ato. 

Ao entrar no Dojo utilize sempre os pés descalços para isso mantenha-os limpos e tenha suas unhas aparadas. 

Respeitar seus colegas sejam eles: Kohais, Senpai, Fudoshin inclinando-se e cumprimentando-os em Ritsu-rei respeitosamente sempre com o uso da palavra OSS 

Busque sempre o silencio, afinal dentro de um Dojo as palavras que deveram ser pronunciadas com maior entonação será sempre a do Sensei e sempre precedidas da palavra OSS. 

Ao ouvir os ensinamentos busque sempre uma posição de frente ao Sensei esteja em seiza ou Shizentai a posição natural. 

Nunca fique de braços cruzados ou com as mãos na cintura isso é profunda falta de respeito. 

Seja pontual, atrasos podem ser considerados falta de respeito ao Sensei e aos colegas. Se ocorrer permaneça em Seiza a margem da área de treino aguardando a autorização para participação do treino. 

Ao sentar em Seiza para os cumprimentos iniciais, primeiro flexione seu joelho direito e logo após o esquerdo. A levantar-se faça o contrário. 

Dirija sempre ao companheiro de treino com maior experiencia de forma respeitosa, logo isso demonstra que você entende que seu copo permanece pronto a receber conteúdo. 

Seja um espelho aos menos experientes, busque aperfeiçoar sempre. 

Honre sua faixa, sempre que não puder demonstrar por questões físicas, então que seja pela sua atitude honrosa e sua liderança. 

Respeite sempre de forma incondicional o seu Sensei.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Embora as práticas Xintoístas não sejam comumente aplicadas em nossa vida e rotina ocidental, tem se por mania dizer a seguinte afirmação: “Eu já tenho a minha própria religião.” 

Respeitar a cultural ou outra religião nada mais é que reconhecer aspectos bastante latentes do ser humano que é por mais que você estude, que se dedique, que treine, todo o conhecimento que puder abstrair será importante para estabelecer a maior das virtudes: a tolerância e o respeito acima de tudo.

Sobre o Kamidana acredito que devemos manter essa forma respeitosa ao olhar, e assim manter parte das tradições da arte marcial japonesa. Assim como um Dogi branco pode representar para alguns a pureza talvez o Kamidana possa ser também um ponto onde sempre relembraremos de onde veio esse conhecimento que foi desenvolvido e aprimorado pelos mestres antigos. Conhecimento esse o qual buscamos e que é a herança de uma luta marcial muito eficiente e também uma ferramenta de formação de pessoas incontestável.   

Simplesmente aprenda. Qualquer ensinamento que o conduza a viver em uma sociedade harmônica deveria no mínimo ser considerado. E na medida que evoluímos nessa constante, que é a Era da Informação, acabamos por nos distanciar das melhores coisas da vida e das belezas da natureza. 

Se olharmos para os momentos como se fossem únicos em nossa existência, logo a sede de aprender e de ensinar será tão latente quanto necessário visando sempre a manutenção das melhores práticas de humanidade. 

Ser Karateca na minha opinião é ter um copo vazio e uma sede insaciável. 

OSS!
Jefferson Oliveira                                                                                                                       
Professor de Educação Física e estudante de Karate Do Shotokan


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

www.uwbk.com.br/espirito/56-religiao-shukyo/324-kamidana-e-kamiza ( Acesso em 05.07.2018)

www.associacaoaraponguensedekarate.blogspot.com/p/r-e-i-g-i-comportamento-educado-no-dojo.html (Acesso em 09.07.2018)

Ydenir P. Machado Goju Ryu Karatê Do (pag. 44)



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