terça-feira, 10 de julho de 2018

KAMIDANA E A RELEVÂNCIA DENTRO DE UM DOJO DE ARTES MARCIAIS JAPONESAS

Olá amigos Karatecas, resolvi estudar um pouco mais sobre a Kamidana e também da organização de um Dojo tradicional e assim poder compartilhar algumas informações absorvidas através desses estudos. 

Nesse primeiro momento tentarei usar uma linguagem mais natural para que você possa aos poucos abstrair melhor as questões que envolver esse tema. E você já deve ter se perguntado o que é aquela prateleira e aquela espécie de templo que fica no Kamiza em dojos tradicionais japoneses. 

Em conjunto tentarei novamente trazer algumas regras de etiqueta e respeito que precisam ser consideradas ao adentramos a nossa segunda casa o Dojo. 

Para falar sobre o tema procurei na matéria anterior de uma forma mais simples explicar o que é o do Xintoísmo. 

E agora tentarei contextualizar no presente objeto de estudo porém no intuito educacional, para que antes montar uma Kamidana você ao menos conheça o minimo sobre os aspectos culturais existentes.  

Não é meu objetivo fazer apologia a questões religiosas tampouco conduzir você as práticas Xintoístas embora você poderá a partir dessa matéria entender um pouco mais sobre esse tema e sua relevância dentro de um Dojo de artes marciais japonesas. Obviamente esse tema é gigante e haverá muitas fontes de informação apenas tentarei falar de uma forma mais simples e objetiva. 

Primeiro falaremos dos atores e depois dos objetos. Vamos lá... 


INDIVÍDUOS QUE COMPÕEM O DOJO 


SHIHAN – Embora para alguns estilos de Karate seja pouco usado, alguns mestres não gostam de receber essa forma de tratamento até mesmo por aspectos latentes de manter sempre humildade, porém o devemos assim o definir um mestre dentro da arte. 

SENSEI – Esse é um dos personagens principais dentro do Dojo, aquele que veio antes para pratica e através de longos anos se preparou para passar o conhecimento adiante, podemos dizer que está na fase transcender as técnicas básicas. 

SHIDOIN - É um faixa-preta que por um condição técnica e mental e por ocorrência de longos anos de treinamento atingiu um nível técnico diferenciado dentro da arte 

SENPAI - Podemos o assim chamar de aluno experiente, esse por sinal é considerado apenas uma relação entre um Karateca mais antigo dentro do mesmo Dojo com o de menos tempo dentro da arte e do Dojo. Poderíamos fazer uma analogia ao um irmão mais velho dentro de uma familia, embora o Senpai tenha responsabilidade dentro do Dojo e ele deve buscar ajudar os Kohai sempre que o Sensei assim solicitar. 

KOHAI – Qualquer aluno seja iniciante ou intermediário que tenha relativa ou nenhuma experiência dentro da arte e que constantemente buscará informações seja com os Senpai ou ensinamentos diretamente com o Sensei.


ELEMENTOS QUE COMPÕE UM DOJO TRADICIONAL JAPONÊS 


KAMIZA é o local por tradição deverá orientar-se sempre ao leste que é um local onde nasce sol de onde surge a luz que nos permite a vida. 

JOSEKI de acordo com a orientação do Kamiza é o local a direita onde ficam normalmente os alunos mais adiantados ou faixas pretas dentro de um Dojo 

SHIMOSEKI também de acordo com o posicionamento do Kamiza e ficam à esquerda os alunos iniciantes e intermediários na pratica. 

SHIMOZA onde os alunos normalmente os Kohai se perfilam de frente para o Kamiza 

KAMIDANA é uma prateleira, e nela estão alguns objetos que dentro da cultura do Xintoísmo buscam representar alguns preceitos e as relações entre ambiente natureza e as pessoas. Na Kamidana cada objeto tem uma relevância dentro da cultura e podem ocorrer a organização diferente porém é indispensável falando em respeitar a essa cultura a presença de alguns objetos.


ALGUNS OBJETOS EMBLEMÁTICOS DE UMA KAMIDANA:


SHIDEN é um pequeno tempo encontrado na Kamidana é onde fica guardado o amuleto que é um dos objetos sagrados da cultura Shinto 

SHIMENAWA é aquela corda retorcida que fica posicionada na Kamidama. Na cultura oriental acredita-se que a Deusa do sol Amaterasu que por algum tempo esteve dentro de uma caverna escura, ao sair desse local fora colocado o Shimenawa para marcar um local sagrado afim de impedir que a Deusa novamente retornasse a caverna. 

KAGAMI é um espelho. Reza a lenda de que a Deusa Amaterasu estava envergonhada com atitudes egoísta do Deus da tempestade ao saquear a terra. Nesse momento procurou refúgio em uma caverna escura e por lá ficando por muito tempo e o Kagami teria sido colocado pendurado em frente a caverna e em uma arvore, no momento que Amaterasu viu sua bela imagem refletida no espelho resolveu sair dessa caverna restabelecendo assim a luz ao mundo novamente. O Kagami teria a capacidade de refletir o nosso eu de forma mais verdadeira, revelando aspectos interiores do ser humano 

O espelho, a espada e a joia são considerados objetos sagrados dentro da cultura Shinto 

OFUDA é um amuleto e ele teria o poder de proteger o nosso treinamento 

TOMYU são as velas que simbolizam a luz o universal das quais somos pequenos fraguimentos. 

SASAKI são espécies de plantas resistentes que simbolizam a ocupação de um espaço dentro da natureza. 

KAKEMOTO (Pintura em papel) pode representar a imagem de alguém iluminado dentro daquele local, comumente alguém que veio ante e trouxe a luz a nossa pratica. 

IKEBANA (arranjo de flores) 

ANDON (abajur de papel) e outros arranjos artísticos.


ALGUMAS DICAS DE ETIQUETA DENTRO DO DOJO 


O seu Dogi deve estar sempre limpo. Sua faixa deverá estar devidamente amarrada. 

Deixe seus chinelos em local apropriado normalmente determinado pelas regras do próprio Dojo e a posição alinhados com a posição das pontas para a parede. 

Deixe objetos como relógios, brincos, alianças, anéis, colares guardados. Nunca utilize-os durante o treinamento. 

Ao entrar na sala de treinamento vire-se em direção ao Kamiza a partir da posição natural Shizentai posicione-se em Ritsu-rei pronuncie de forma expressiva a palavra OSS ela deve ser pronunciada mostrando assim respeito e sua intenção estando com o seu pote vazio, porém sempre pronto para receber o conhecimento. Ao final do treino antes de sair repita o mesmo ato. 

Ao entrar no Dojo utilize sempre os pés descalços para isso mantenha-os limpos e tenha suas unhas aparadas. 

Respeitar seus colegas sejam eles: Kohais, Senpai, Fudoshin inclinando-se e cumprimentando-os em Ritsu-rei respeitosamente sempre com o uso da palavra OSS 

Busque sempre o silencio, afinal dentro de um Dojo as palavras que deveram ser pronunciadas com maior entonação será sempre a do Sensei e sempre precedidas da palavra OSS. 

Ao ouvir os ensinamentos busque sempre uma posição de frente ao Sensei esteja em seiza ou Shizentai a posição natural. 

Nunca fique de braços cruzados ou com as mãos na cintura isso é profunda falta de respeito. 

Seja pontual, atrasos podem ser considerados falta de respeito ao Sensei e aos colegas. Se ocorrer permaneça em Seiza a margem da área de treino aguardando a autorização para participação do treino. 

Ao sentar em Seiza para os cumprimentos iniciais, primeiro flexione seu joelho direito e logo após o esquerdo. A levantar-se faça o contrário. 

Dirija sempre ao companheiro de treino com maior experiencia de forma respeitosa, logo isso demonstra que você entende que seu copo permanece pronto a receber conteúdo. 

Seja um espelho aos menos experientes, busque aperfeiçoar sempre. 

Honre sua faixa, sempre que não puder demonstrar por questões físicas, então que seja pela sua atitude honrosa e sua liderança. 

Respeite sempre de forma incondicional o seu Sensei.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Embora as práticas Xintoístas não sejam comumente aplicadas em nossa vida e rotina ocidental, tem se por mania dizer a seguinte afirmação: “Eu já tenho a minha própria religião.” 

Respeitar a cultural ou outra religião nada mais é que reconhecer aspectos bastante latentes do ser humano que é por mais que você estude, que se dedique, que treine, todo o conhecimento que puder abstrair será importante para estabelecer a maior das virtudes: a tolerância e o respeito acima de tudo.

Sobre o Kamidana acredito que devemos manter essa forma respeitosa ao olhar, e assim manter parte das tradições da arte marcial japonesa. Assim como um Dogi branco pode representar para alguns a pureza talvez o Kamidana possa ser também um ponto onde sempre relembraremos de onde veio esse conhecimento que foi desenvolvido e aprimorado pelos mestres antigos. Conhecimento esse o qual buscamos e que é a herança de uma luta marcial muito eficiente e também uma ferramenta de formação de pessoas incontestável.   

Simplesmente aprenda. Qualquer ensinamento que o conduza a viver em uma sociedade harmônica deveria no mínimo ser considerado. E na medida que evoluímos nessa constante, que é a Era da Informação, acabamos por nos distanciar das melhores coisas da vida e das belezas da natureza. 

Se olharmos para os momentos como se fossem únicos em nossa existência, logo a sede de aprender e de ensinar será tão latente quanto necessário visando sempre a manutenção das melhores práticas de humanidade. 

Ser Karateca na minha opinião é ter um copo vazio e uma sede insaciável. 

OSS!
Jefferson Oliveira                                                                                                                       
Professor de Educação Física e estudante de Karate Do Shotokan


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

www.uwbk.com.br/espirito/56-religiao-shukyo/324-kamidana-e-kamiza ( Acesso em 05.07.2018)

www.associacaoaraponguensedekarate.blogspot.com/p/r-e-i-g-i-comportamento-educado-no-dojo.html (Acesso em 09.07.2018)

Ydenir P. Machado Goju Ryu Karatê Do (pag. 44)



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quarta-feira, 20 de junho de 2018

O SENTIMENTO E A EMOÇÃO DE VESTIR UM KARATE GI PELA PRIMEIRA VEZ


Olá Karatecas hoje resolvi falar um pouco sobre o uso do DOGI, e que para nossa arte marcial é o denominado de KARATE GI.

Tentarei falar mais tecnicamente sobre as terminologias mais usadas, também sei que é um assunto já bastante discutido em outros meios, porém é muito enriquecedor saber também sobre os sentimentos de vestir o Karate Gi pela primeira vez. Tentando entender mais afundo desde a parte cultural até o aspecto espiritual. 

Ainda hoje me pego a pensar e lembrar o meu sentimento inicial de colocar o primeiro Karate Gi. E gostaria de falar sobre esse sentimento ao menos sob minha percepção. 

Então um dia você vê alguém usando aquela vestimenta (GI) e com uma faixa (OBI) amarrada na cintura e fica a pensar o que representa para os praticantes usa-lá. Eu tenho certeza que isso o deixa muito intrigado em saber o que é vestir um Dogi e qual a sensação, e cito essa terminologia por que estamos falando sobre artes marciais tradicionais japonesas de um modo geral, e falarei mais sobre o uniforme especifico para a prática do Karate do 

Para você que está a observar digo colocar um Karate Gi e ir treinar não é para qualquer pessoa, primeiro você deve experimentar o Karate do através da prática, e nos primeiros treinos possivelmente não entenderá muita coisa, o certo é que se você gostar logo desejará vesti-lo e terá a percepção de que ele será como uma segunda pele. 

Pergunte a seu sensei ou professor se nesse momento inicial você pode usar roupas simples pensando nessa fase adaptação, porque antes de coloca-lo é sempre bom ter a convicção de que o usara por longo período e quem sabe por toda a vida.

Pode ser que sem o uso do Karate Gi nesse primeiro contato seja revelado um fato simples: O Karate do não é uma arte marcial simples tampouco é para qualquer pessoa, o uso do Karate Gi não deve ser banalizado e nunca deve ser encarado como um forma de ostentar o fato de ser um praticante de arte marcial. Logo se você gastar dinheiro para comprar um uniforme só seria benéfico a quem o produz ou vende o mesmo. 

O mais importante no Karate Gi não é seu estado de uso, se é novo ou usado, esteja ele já com bastante uso ou amarelado pelo tempo de uso ou as lavagens. Ele é para muitos comparado a uma farda, no momento em que você descobrir-se para a prática comum do Karate Do o simples ato de vestir Karate Gi será como defender a sua nova bandeira, que é a do caminho das mão vazias. 

Vamos falar das terminologias mais usadas: 

Do: Caminho, e GI: Vestimenta, roupa ou uniforme 

O Gi ainda é usado em outras áreas, para se referir à uniformes de trabalho, escolas, academias e outros. 

Obi: é faixa ou cinturão

Dogi é o termo que refere-se a vestimenta inicialmente padronizada pelos nossos irmãos de arte marcial o Judô, no pensamento do grande mestre Jigoro Kano para dar uma forma mais padronizada e emblemática e para se determinar o uniforme e também a essência da palavra para prática das artes marciais japonesas. 

Karate Gi: esse é o termo que melhor reflete ao uniforme de Karate Do. E foi instituído pelo mestre Gichin Funakoshi que era muito amigo de Jigoro Kano criador do Judô  e da aplicação do conceito “GI” nos uniformes. 

O Kimono é o termo mais usado ao menos aqui no Brasil ainda que seja um termo incorreto é muito disseminado e para entender como surgiu talvez tenhamos que olhar para o passado e tentar contextualizar com a cultura Japonesa e os impactos de sua chegada em nosso país.

O termo Kimono para nós nada mais é que um mal entendimento sobre o significado da palavra ou até mesmo por uso continuo talvez comparado ao uma gíria para nós brasileiros, ele está relacionado ao uma visão superficial de como começamos a enxergar a vestimenta dos primeiros lutadores que aqui  o vestiram. Pode ser que seja tão somente um erro de tradução ou interpretação quando os primeiros colonos japoneses que aqui chegaram ou talvez seja também uma tentativa de tentar dar uma nomenclatura mais ocidental e claro isso é apenas uma especulação já que não sabemos ao certo quem pronunciou pela primeira vez o nome Kimono para Karate em nosso país.

Para alguns professores aplica-se a ideia de que o uniforme GI nas artes tradicionais japonesas, possa representar como deveria ser a nossa mente, ser branco, puro e imaculado; a faixa corresponde ao nosso caráter, nossa formação marcial, ela nos envolve de muita responsabilidade em nossos atos dentro e fora do tatame; o DO é a nossa fé, nosso respeito, nosso compromisso, por isso não é correto desamarrar nossas faixas em frente aos nossos superiores.

Penso que se essa versão pode ser um dogma ou um dito popular, porém acredito que possa sim ainda que por analogia representar verdadeiramente a parte espiritual da arte marcial, usamos exemplos em tudo porque seria diferente quando relacionamos a nossos sentimentos em relação a prática, logo isso deve ser uma tarefa individual de cada um enxergar a sua própria representação do Karate GI. 

O fato é: Você consegue imaginar treinar sem o seu Karate Gi após conhecer um pouco da cultura marcial Japonesa? 

Falo muito sobre cultura no Blog, porque acredito que devemos respeitar a todos ainda que não seguimos no mesmo caminho. Isso é o principal meio de aprender ou aperfeiçoar-se de forma contínua ao longo na vida. 

O povo japonês em grande parte é adepto do Xintoísmo daí talvez a preocupação de fazer tudo com etiqueta e respeito incondicional as tradições. E afinal o que é Xintoísmo? 

O xintoísmo é uma religião baseada no respeito e culto da natureza, sendo considerada uma grande aliada e imprescindível para a existência da vida na Terra. A relação homem-natureza é o ponto central do xintoísmo. 

Me pergunto será que o xintoísmo não é uma forma de sinergia da natureza e também com as pessoas e um processo contínuo de troca entre as partes. 

Quis falar do Xintoísmo não como uma religião, mais como uma forma de representar as vestimentas GI pois acredito que tudo é um processo de integração. 

Chegará o dia que vestir o Karate Gi será para você como um processo, onde deixa-se as roupas comuns e carregadas de energias negativas, para vestir a sua segunda pele, aí sim, sem o ego das cores e das formas e sem o glamour das marcas e a exclusividade do status que é peculiar de altas classes sociais para finalmente vestir algo realmente tão comum quanto representativo dentro do caminho que você escolheu, certo de que no Karate Do Tradicional Japonês ele será sempre na cor branca.

OS DEPOIMENTOS DE PROFESSORES E SENSEIS:


"Quando eu vesti o Kimono pela 1º vez ainda na adolecência ali tive certeza de estar fazendo a melhor escolha da minha vida. E até hoje sinto-me confortável, preparado, confiante e seguro como se vestisse a minha armadura pronta para luta ao mesmo tempo sinto-me elegante como se usasse o meu melhor terno para ir para a maior festa da minha vida. Karate é o meu estilo de vida. O Kimono e o Karate mudaram minha vida."

**** Benicio Soares Karate Goju Ryu Shobukan 4º Dan CBKGST de Santo André/SP


"Colocar o Karate Gi pela primeira vez aos nove anos de idade me trouxe a mesma sensação de vestir uma fantasia de super herói aos 5 anos. Me senti mais forte, rápido e autoconfiante, pronto para enfrentar todos os desafios."

                                             *** Fábio Abreu Karate Shotokan 3° Dan pela CBK de Guarujá/SP


"A primeira vez que vesti meu Karate Gi me senti poderoso talvez por ser uma criança e não tive o  entendimento sobre a essência do Karate Do. Hoje sinto-me simplesmente com maior serenidade"

                                             ** Adriano Lima Castelo Branco Shotokan 2° Dan de Caucaia/CE


"Para uns a 2ª pele, para outros armadura, ao usar pela primeira vez o Karate Gi tem-se o momento mágico de vestir um dos mais tradicionais costumes japoneses e dar um grande passo ao adentrar na cultura nipônica“
       ****** Paulo Bartolo Karate Shotokan 6º Dan pela CBK de Santos/SP


"Eu sempre quis ser um herói, acho essa palavra fantástica, e ser sensei é exatamente o que isso significa, e quando coloquei meu Kimono a 17 anos atrás então com 21 anos, eu jamais imaginei que minha capa seria o kimono e meu "S" seria de sensei, a sensação em treinar, ensinar e principalmente aprender é indescritível, comparada somente na minha visão ao dom de dar a vida a alguém, pois é o legado mesmo que o aluno pare, sempre será imortalizado tanto dentro de mim quanto daqueles que aprenderam algo comigo"

*** Alex Castro Goju Ryu IKGA 3º Dan pela CBKI de Taboão da Serra/SP


"A primeira vez que vesti meu Karate Gi  me senti forte, confiante e determinado e ali tive a certeza que estava fazendo a melhor escolha para minha vida, hoje após 33 anos de Karate Do, O Karate Gi é muito mais que a segunda pele e armadura na minha vida."

**** Roque Bispo 4º Dan pela CBK de São Paulo/SP 

CONCLUSÃO

O processo todo de vestir o Karate Gi ao menos para mim chama-se limpeza da alma. E quando coloco o meu Gi deixo do lado de fora do Dojo as vibrações negativas, as substituo pelo sentimento de tentar de novo e novo e quantas vez forem necessárias até conseguir obter exito dentro da minha prática. 

Nessa matéria optei por não falar sobre o tipos de tecido ou uniforme mais recomendado pois esse não erá o tema principal. Logo peça orientação ao seu Sensei que certamente será a pessoa mais indicada para lhe indicar e ajudar nos primeiros passos.  


Convido-os a deixar suas opiniões, relatando o seu sentimento antes e depois de vestir seu primeiro Karate GI.
Aprendemos juntos!!!     

OSU! 
Jefferson Oliveira                                                                                                                                Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Judogi (acesso em 18.06.2018)
https://pintokaratedojo.com/2014/03/06/kimono-de-karate/ (acesso em 19.06.2018)
https://www.significados.com.br/xintoismo/ (acesso em 18.06.2018) 

Imagem Ilustrativa: Yoshitaka Funakoshi (Gigo)

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

OKINAWA O ENCONTRO COM AS ORIGENS DO KARATE NA VISÃO DE SENSEI PAULO BARTOLO


Esse mês trago no blog um convidado especial que além de um bom amigo que fiz nos últimos anos, porque não chama-lo de conselheiro para os assuntos de Karate. Obviamente é a minha impressão pessoal devido a uma conduta irrepreensível e seu grande amor pelo Karate-Do. 

Nessa matéria quis trazer um pouco sobre as históricas viagens, e sua trajetória como Karateca até o momento em que ele efetivamente ele resolveu realizar essa viagem ao berço do Karate.

O objetivo a todo momento foi conhecer um pouco sobre Okinawa através das experiências vivenciadas por meu convidado, que tenho o prazer de anunciar agora: O Sensei Paulo Bartolo 6º Dan de Karate Shotokan pela Confederação Brasileira de Karate (CBK). 

O sensei Bartolo também tem graduações reconhecidas em outros estilos de Karate, e por esse motivo tem know-how suficiente para nos passar grandes conhecimentos sobre a pratica do Karate de Okinawa, além de uma pessoa que se apresenta de forma serena e perspicaz, é sempre muito amistoso, ele que recentemente escreveu mais um grande livro sobre Karate Do: OKINAWA UMA VIAGEM AO BERÇO DO KARATE-DO e que fiz questão de ler 2 vezes e recomendo.

Abra sua mente e vamos conhecer um pouco sobre essas experiências vivenciadas pelo sensei Bartolo. Vamos juntos nessa viagem especial a Okinawa que tentarei conduzir os amigos e comunidade Karateca. Convido-os a sentar-se na poltrona vizinha a do sensei em um avião de emoções e nas assas da imaginação.

APRESENTAÇÃO DO CONVIDADO

Engenheiro Civil formado na UNISANTA e Professor de Educação Física formado pela FEFIS. Especializado em Treinamento Desportivo na UNAERP e Pós-Graduado em Karate-Do Bases Metodológicas e Psicológicas do Treinamento na UNISANTA. É professor universitário e Karate, assim como Escritor, Organizador de eventos de Karate e faixa preta 6º Dan pela Confederação Brasileira de Karate.

Em 1985, passou a ser aluno do mestre Yasuyuki Sasaki, do estilo Shotokan que representa a JKA (Japan Karate Association) no Brasil que mesmo após seu falecimento é reconhecido como um exemplo e grande líder do Karate no Brasil.

É professor de Karate desde 1979, fundando os Departamentos de Karate da UNISANTA e do Clube Sírio Libanês. Fundou a Associação Resistência de Karate em 1986. Escreveu 5 livros de Karate com mais de 7 mil exemplares vendidos. 

O Prof. Paulo Bartolo desenvolve as seguintes atividades atualmente: Ministra aulas na Associação Resistência de Karate, escreve livros de Karate, organiza eventos como torneios, cursos e palestras, é coordenador do curso de pós-graduação em Karate. 

Vamos a nossa entrevista... 


Jefferson: Sensei Bartolo como você conheceu o Karate-do e a quanto tempo você treina?
Sensei Paulo Bartolo: Foi em 1973 no Clube Internacional de Regatas em Santos. Eu já era judoca e aos 13 anos vi uma aula de Karate com o Prof. Manoel Lameiro, que foi, meu primeiro professor. Me identifiquei rapidamente e comecei a treinar. 


Jefferson: Como surgiu a ideia de ir para Okinawa? E o que o motivou a voltar outras vezes?
Sensei Paulo Bartolo: Okinawa era um sonho antigo, é o berço do Karate. E quando recebi um convite de um seminário em 2010 que ocorreria em Naha com 10 mestres diferentes achei que era a hora de realizar esse sonho. Fui sozinho e era o único brasileiro no curso com 20 faixas pretas. O idioma era o inglês e essa história que conto no meu livro. Foram tão fantásticos a recepção e o curso que estipulei que voltaria a cada 3 anos para reciclar e respirar aquele ar. Voltei já levando alguns alunos em 2013 e 2016. Agora vem os planos para a ida em 2019. 


Jefferson: Qual(s), as principais diferenças você observou em comparação com a nossa cultura, especificamente a questão comportamental?
Sensei Paulo Bartolo: A diferença é muito grande. Quando cheguei no hotel em Naha, no 1º dia deixava a chave do quarto na mesa do lobby e saía. No fim da viagem eu já estava entregando para a recepcionista com as duas mãos e olhando e seus olhos agradecendo com um Domo arigatô. Ver alunos da escola fundamental se manter em fila para varrer a escola logo de manhã com alegria, ao pagar conta em caixas de loja, restaurantes e ir ao banheiro sempre se mantendo em fila respeitosamente, não tem lixo na rua de jeito nenhum, entre tantas outras coisas é o grande diferencial do povo. Abordo isso também em meu livro sobre Okinawa.


Jefferson: Quais as principais diferenças na sua visão em relação ao Karate praticado em Okinawa em relação ao modelo japonês e até o Ocidental?
Sensei Paulo Bartolo: O Karate em Okinawa é utilizado em uma distância (MAAI) mais curto, a ênfase para a luta pela sobrevivência é maior assim como os calejamentos são uma constante feita pelos praticantes. 


Jefferson: Quais os principais passos para se organizar uma viagem natureza? 
Sensei Paulo Bartolo: Um dos objetivos do meu livro foi facilitar a vida de quem deseja ou pretende ir a Okinawa. Reservo um capítulo só com as orientações necessárias: visto, passagem aérea, seguros ne, câmbio, postos turísticos, como se locomover, etc.... Então o principal passo para se organizar uma viagem dessa é comprando meu livro, hehe


Jefferson: De acordo com as experiencias que você vivenciou nos treinamentos na prática, poderia nos falar uma pouco sobre os estilos nativos de Okinawa?
Sensei Paulo Bartolo: Treinei no Seminários com grandes expoentes do estilo Goju-Ryu, Shorin-Ryu da escola Kyudokan e Shorin-Ryu da escola Seibukan, Isshin- Ryu, Uechi-Ryu e Kenyu-Ryu. Eu já conhecia os estilos Shorin e Goju e a novidade foi o Isshin-Ryu com as suas aplicações de socos verticais, (Tate Ken). Nos estilos Uechi-Ryu e Kenyu-Ryu tive a oportunidade de aprofundar mais os conhecimentos sobre eles. No livro falo detalhadamente as origens desses estilos, suas variações e suas escolas. 


Jefferson: Qual(s) o mestre(s) o Sr. treinou que efetivamente o fez sentir o Karate na essência e qual o ponto mais marcante durante os treinos?
Sensei Paulo Bartolo: todos são muito bons, mas Mestre Higaonna da Goju-Ryu é fantástico. Treinei em seu Dojô com seus alunos e foi uma experiência inesquecível. Demonstrou uma técnica de agarramento e projeção comigo e o fez com muita maestria e técnica. Dono de um conhecimento fora do comum e uma atenção com os novos e visitantes impressionante. Um calejamento de mãos absurdo. Andar em Santin Dachi segurando os vasos com areia nas mãos foi um momento marcante. Ninguém aguente mais, mas ninguém larga, hehe 


Jefferson: O Sr. recomendaria essa viagem a Okinawa para fins de estudo do Karate para qual perfil ou nível de conhecimento dentro do Karate? 
Sensei Paulo Bartolo: Isso é muito delicado para responder. Eu começo o livro falando sobre isso. Recebi o convite quando estava com 50 anos e achei que era o momento certo para participar. Na minha análise, eu já tinha participado em eventos nas Américas, Europa e África e citei a idade porque a maturidade do entendimento do Karate vem com o tempo. Meu Sensei Sasaki sempre dizia: “O Karate com 20 anos é um, com 40 anos é outro e com 60 anos também é diferente” Não que tenha idade para ir, mas é o jeito de ver que importa. 


Jefferson: O Sr. poderia nos deixar uma dica para aperfeiçoamento, e dessa forma nos ajudar crescer dentro da arte marcial Karate-do?
Sensei Paulo Bartolo: Treinar e estudar. A prática e o conhecimento formam a dupla ideal para o aperfeiçoamento. Não vou poder deixar de citar outra fala de meu Sensei Sasaki: “Se só treinar e não estudar o seu karate fica rude, vira ogro, se só estudar e não treinar fica louco, só imaginando. O certo é fazer ambos, achar o caminho do meio, o equilíbrio.” Sábias palavras. Tenho saudades do meu mestre! 

“Sou um professor de Karate-Do e fiz desta arte marcial minha vida. O Karate-Do não é meramente um esporte, mas sim, uma arte marcial complexa que harmoniza a mente, o corpo e o espírito. Escolhi como missão da minha existência ser educador através do Karate-Do, enaltecendo valores como respeito, honra, virtude e disciplina. Seguindo esse caminho me tornei também escritor e coordenador de curso de pós-graduação em Karate”


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como narrou Sensei Paulo Bartolo durante a entrevista, a prática e a teoria se complementam, logo tudo deve estar em perfeito equilíbrio. Nunca negligencie respectivamente teoria e prática, agregue e assim como um bolo simples tem uma forma básica, os ingredientes certos darão a textura e o sabor desejado.

Okinawa apresenta uma diversidade de estilos de Karate imensa e o Shotokan não é nativo e é pouco disseminado e conhecido por lá. Certamente você encontrará uma escola Shotokan lá talvez na mesma proporção de encontrar um lutador de capoeira no Japão.

Logo Karate é também uma herança cultural de grandes mestres que dedicaram suas vidas na evolução marcial para combate de sobrevivência, e nesse caminho foram buscando as melhores técnicas e estratégias para vencer seus adversários.

Em Okinawa o Karate é mais treinado para combates a curta distância, proporcionado maior contundência e calejamento.

Na questão comportamental estamos ainda muito longe desses povos que dão maior valor ao aspecto humano e social para um boa convivência entre si.

Em relação a maturidade para esse passo de ir a Okinawa, tem um aspectos muito importante a ser observado e ao que me parece quando você vai ao lugar igual a Okinawa precisa estar apto a vestir a faixa branca ainda que seja em seu coração. Talvez você precise reconhecer que aprendizagem vem na medida que reconhecemos nossa própria ignorância assim evoluímos em todos os aspectos.

Viajar com certeza todos podem e devem, existem viagem em que você vai conhecer lugares fantásticos  e em outras viagens vai conhecer a si mesmo.

AGRADECIMENTOS

Posso dizer que o Sensei Paulo Bartolo desde a idéia até a formação dessa matéria mostrou-se muito cortez e muito solicito ao objetivo desse blog, e por esse motivo gostaria de demonstrar aqui meus sinceros e humildes agradecimentos, deixando sempre as portas abertas para novas pautas.

Desejo a você sensei todo sucesso, que possam surgir ainda mais livros e reconhecimento nessa incessante busca pelo conhecimento.

OSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e Estudante de Karate Do estilo Shotokan


PRÓXIMO EVENTO COM SENSEI PAULO BARTOLO


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quinta-feira, 3 de maio de 2018

SERÁ QUE O DOJO COBRA KAI UM DIA IRÁ MORRER?


Hoje gostaria de falar sobre a nova série Cobra Kai, que foi recentemente lançada, e compartilhar a emoção de poder voltar ao passado após assistir atentamente os 10 episódios da 1º temporada. 

Não vou mandar spoiler aqui e tentarei apenas retratar a importância de cada personagem para a série, pois afinal cada fan da franquia Karate Kid terá acesso pelo Youtube Red, e assim poderá tirar suas próprias conclusões. 

A SÉRIE COBRA KAI 

Se passa 33 anos após o torneio anual de Karate de All Valley e traz alguns personagens antigos e novos personagens para essa série que na minha opinião além da nostalgia traz a muitos dos Karatecas uma sensação além de emoção muita gratidão a produção de 1984, pois ela inspirou a muitas pessoas assim como eu a se interessar pelo Karate-Do. 

Você verá muitos conflitos internos entre os personagens, cenas de lutas mirabolantes que certamente não retratam a realidade de nosso Karate, mais novamente verá a parte filosófica se aflorar em cenas de ambos os lados seja protagonizada por Daniel Larusso (Ralph Machio) ou Johnny Lawrence (Willian Zabka). 

O bullying novamente é um tema presente na série e novamente Johnny abre o Dojô Cobra Kai, e com incentivo de seu primeiro aluno o jovem Miguel Diaz um rapaz segregado entre os grupos de jovens de seu colégio. 

A série trará para você a cada episódio fortes lembranças desde os fatos ocorridos em 1984 em All Valey na composição de cada personagem nesse novo universo de Cobra Kai.

A todo momento você ouvirá as trilhas sonoras de Karate Kid 1984. 

Quem será afinal Johnny Lawrence? Será que ele realmente é tão mal assim ? 

Bora lá conhecer os personagens nesse contexto... 

DANIEL LARUSSO 

Agora o S.r. Larusso um homem de meia idade que venceu na vida profissional, e é proprietário de uma loja de veículos de luxo a LARUSSO, ele já não treina Karate a muitos anos, a família Larruso é uma família de classe média alta, onde Daniel é casado e tem 2 filhos: um menino e uma menina uma jovem adolescente que se chama Samanta. Uma vida quase perfeita se não fosse um fantasma do passado chamado Cobra Kai. 

Auto-confiança e equilíbrio é o que traduz o personagem versão madura de Daniel Larusso, ainda com aquela velha mania de resolver tudo na conversa, alias herdado de seu mestre Myagi, nos primeiros episódios você provavelmente se decepcionará com o Larusso, mais garanto depois do quinto em diante isso irá se acentuar ainda mais. 

Daniel começa a ensinar Karate ao filho de Johnny que por sua vez tem um péssimo relacionamento com o pai. O método sempre a moda Myage mais vale a pena ver de novo. 

JOHNNY LAWRENCE 

Ao contrário Johnny se mostra ainda desequilibrado e muito frustrado no decorrer da temporada. No início ele trabalha com consertos diversos em algumas residências da alta classe social, sendo constantemente humilhado por seus clientes. 

Uma aparência sempre abatida e de derrotado é notada de cabo a rabo durante os episódios, todo mundo maltrata o Jonny e ocorre de todos os setores da sociedade daquela cidade. 

Após sofrer muito e perder seu emprego resolve ajudar o jovem Miguel Diaz ensinando-lhe Karate sempre a moda Cobra kai. Alias Johnny não mudou em relação ao Karate e muito pouco sobre sua filosofia, obvio que ele mudou em alguns momentos se mostra bastante humano. 

Enfim Jonny é bombardeado por uma série de eventos que sempre se entrelaçam com a família Larusso e assim retorna de forma mais acentuada aquela mágoa pelo Larusso. 

Jonny não tem dinheiro, vive em condições bastante precárias mais consegue um dinheiro para reabri o Cobra Kai e com ajuda do jovem Miguel Diaz consegue arrumar mais alunos. 

Jonny mudou as vezes parece que quer se tornar um bom Sensei, está cansado de trapacear quer vencer de forma limpa, mais seus alunos acabam por serem corrompidos por uma metodologia que Johnny não consegue se afastar, bata forte, bata primeiro, sem piedade. 

MIGUEL DIAZ 

O primeiro aluno de Johnny que sofre com o Bullying em sua escola, pense naquele Daniel do passado e verá a versão 2018 em Miguel. Ele apanha e sofre bastante até que conhece Johnny e começa a pedir que ensine Karate. 

Miguel é um personagem bastante importante para série pois ele se torna uma Cobra Kai na essência. 

Miguel finalmente aprende a se defender e revida com bastante violência e logo se torna respeitado por seus colegas da escola, porém Miguel também é um rapaz do bem e ocorre muitos conflitos internos do decorrer da trama. 

O certo que você torcerá muito por Miguel devido a sua história humilde e torcerá para que o rapaz torne-se um Karateca equilibrado. 

SAMANTHA LARUSSO 

A filha adolescente de Daniel que no início procura a todo custo ser inserida no meio dos grupos populares, enfim ser importante, porém ela aprendeu algo bom no passado quando Daniel seu pai lhe ensinou Karate. Alias Samantha também não treina mais, porém tem uma habilidade nata a Sensei Samanta. 

Samantha aos poucos se afasta dessas, mas influências por entender que a conduta dos jovens não condiz com sua educação. 

Ela e o jovem Miguel Diaz alias mantém uma relação bastante complicada, pois Daniel a essa altura não quer nem saber de ouvir o nome Cobra Kai, e o garoto é um aluno dos Cobras. 

ROBBY LAWRENCE 

Robby é o filho de Johnny que tem muitos problemas sociais e afetivos pois sofre com a ausência do pai durante sua infância. No início um Jovem bastante problemático envolvido com pequenos furtos e péssimas influências. 

Logo Robby quer de alguma forma atingir seu pai e resolve se aproximar-se de Larusso, primeiro como seu empregado em uma de suas agencias posteriormente começa a gostar de Larusso e com ele aprende um pouco do Karate Myagi. A essa altura Daniel já está treinando em sua casa novamente. Robby começa a mudar, e se torna uma pessoa do bem, chegando a colocar-se a frente literalmente contra seu pai Johnny em certo momento na trama. 

Quando Robby parece começar a se interessar por Samantha a filha de Larusso e logo ocorre um novo embate. 

CONCLUSÃO 

Serei bastante objetivo na conclusão, a todo momento fui conduzido as lembranças do filme original  Karate Kid 1984. 

Após assistir a todos os episódios gostaria de classificar a produção como muito boa. 

Se mantem fiel desde o inicio ao mostrar o que é certo ou errado, ela trata sobre ética e moral e continua nos mostrando que algumas rivalidades nunca morrem. 

E nos faz sentir muito a falta do mestre Myagi (Patt Morita).

OSU!                                                                                                                                                  Jefferson Oliveira                                                                                                                        Professor de Educação Física e estudante de Karate Do estilo Shotokan


Assista o 1º episódio da Série ( com legendas em português)



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quinta-feira, 12 de abril de 2018

AS TÉCNICAS E CARACTERISTICAS QUE FAZEM DO KARATE GOJU RYU UM ESTILO FORTE E RESPEITADO.




A algum tempo tenho buscado ampliar meu conhecimento e principalmente maior entendimento acerca dos estilos de Karate Do e confesso ter muita admiração pelo estilo Goju Ryu, um estilo forte e que me desperta particularmente muita curiosidade sobre as técnicas e posturas fortes.
Logo resolvi trazer um pouco da história de um grande mestre do Goju Ryu e assim buscar no decorrer dessa matéria aprender um pouco mais sobre esse grande estilo de Karate. 

Confesso ser um sonho a realizar um dia, que é aprender 1 Kata do Goju Ryu, e nessa entrevista pude perceber o quão difícil será essa tarefa para mim, pois além dos aspetos físicos são necessárias muitas sessões de treino para se abstrair as técnicas peculiares do Goju Ryu, logo resolvi compartilhar alguns ensinamentos recebidos dessa matéria e hoje meu convidado no Blog é um grande nome do Karate Do estilo Goju Ryu do Brasil o Shihan Luis Antônio de Araújo Kotsubo.



Apresentação do convidado

Shihan Luiz Antônio de Araújo Kotsubo - 6º Dan - Representante da IKGA no Brasil

Luiz Antônio de Araújo Kotsubo, iniciou a prática do karate no ano de 1970 com o professor Marcelo Arantes, membro da ABK, que futuramente se tornaria fundador e primeiro presidente da CBK. Confederação Brasileira de Karate. Em 1974, Mestre Kotsubo teria seu primeiro contato com a ABK, presidida pelo mestre Ryuzo Watanabe, quando começou a sua preparação para prestar exame para faixa preta Shodan com treinamentos contínuos realizados na rua da Tabatinguera, em todos últimos domingos de cada mês ao lado dos professores Paulo Nakaema e Pedro Yokote.

Em 1977, mestre Watanabe visitou o dojo do Mestre Kotsubo em Valença, e pela sua surpresa, mestre Watanabe conhecia bem Valença-RJ, pois tinha trabalhado como caminhoneiro na construção da rodovia de Valença a Barra do Piraí.

Em 1994 mestre Watanabe nomeou o mestre Kotsubo como representante Estadual do Karate Goju Ryu para o Rio de Janeiro, ficando assim responsável pela recepção e organização do seminário internacional ministrado pelo Gran mestre Goshi Yamaguchi no ano de 1995. 

Atuou como atleta conquistando diversos títulos: 1º Colocado em Jyu Kumite absoluto de faixa branca a marron, no Campeonato Brasileiro da Goju Kai em São Bernardo do Campo em 1976 / SP, 2º colocado em Kata no Sul-americano da Goju kai em São Paulo 1983 (Ibirapuera), 3º Lugar no Sul-americano da Goju Kai em Cubatão-SP 1992, Campeão Brasileiro da Interestilos em São Gonçalo 1992 e 3º colocado em kata no Estadual Carioca 1992 seletivo para nacional WKF.

Em 2007, iniciou um trabalho de reestruturação da IKGA no Brasil, com o objetivo de apresentar uma sólida proposta ao Gran Mestre da Goju Kai, Saiko Shihan Goshi Yamaguchi, durante o seminário do Bloco Sul-americano. Durante o congresso Sul-americano de 2007, na cidade de Santiago no Chile, com a presença dos representantes sul-americanos e professores do Brasil mestre Goshi Yamaguchi outorga a representação oficial e o titulo de Renshi ao mestre Luiz Kotsubo.

E seguimos em frente com a entrevista...

Jefferson: Shihan como você iniciou a pratica do Karate Do? E  a quantos anos você se dedica ao Karate Goju Ryu?


Shihan Luis Kotsubo: Meu primeiro contato com as Artes Marciais foi na modalidade de Jyu Jitsu no ano de 1969. Um certo dia, enquanto aguardava o início do treino, comecei a ler uma revista sobre Judo, então, deparei-me com uma matéria sobre um mestre do Karate Goju Ryu, o Gran Mestre Gogen Yamaguchi, com o título “The Cat”. Naquele momento, fiquei muito impressionado com o pôster deste lendário Mestre, cujo, sua perfeita postura e seu olhar que transmitia um sentimento acolhedor e ao mesmo tempo ameaçador. Neste momento iniciei a busca por um Sensei que pudesse me encaminhar na prática desta arte.

Então, no ano de 1970, iniciei a prática do Karate Do com o professor Marcelo Arantes, membro da ABK, que futuramente se tornaria fundador e primeiro presidente da Confederação Brasileira de Karate – CBK. Em 1974, tive meu primeiro contato com o Gran Mestre Ryuzo Watanabe, dai em diante, passei a treinar sobre sua orientação até sua passagem que ocorreu no ano de 1998.


Jefferson: Como o Sr. observa as variadas formas de Karate na concepção dos estilos? E quais as principais características de sua escola e do estilo Goju Ryu?


Shihan Luis Kotsubo: Da minha parte, seria no mínimo indelicado falar sobre outros estilos de Karate que não fosse o que eu pratico. Porém, devemos sempre nos lembrar, que viemos de uma mesma semente, partilhamos as mesmas raízes originais e nutrirmos as nossas necessidades de novas mudas e ramos.

Quanto ao Karate Goju Kai, o mesmo é uma mistura das Artes Marciais tradicionais de Okinawa e Artes Tradicionais, principalmente a chinesa Nanpa Kenjutsu da província de Fuchien, na China. 

Na parte Sul da China, o principal meio de transporte eram os barcos. Para se manterem estáveis e firmes tiveram que desenvolver uma postura, que por nós é conhecida como Sanchin, que é a base fundamental do estilo Goju Ryu. 

No estilo Goju Ryu é fundamenta a prática do método de respiração o IBUKI. Existem dois tipos de IBUKI, um é o Yo Ibuki que é utilizado como método de treinamento de respiração bem claro, como nos Kihon Katas Sanchin e Tensho, ou outro, é o In Ibuki que é utilizado no momento da luta real, quando a respiração deve ser calma e segura. 

São estes os princípios que definem o verdadeiro Karate Do Goju Ryu da IKGA.


Jefferson: Pensando em um período de tempo, quanto tempo em sua opinião um estudante precisa para começar a executar as técnicas consideradas básicas dentro do Goju Ryu?

Shihan Luis Kotsubo: É uma pergunta muito complexa, pois para dominar o básico do estilo Goju Ryu requer muitos e muitos anos de árduo treinamento. Pois, como já expus anteriormente, o básico do Goju e dominar respiração com um Ibuki perfeito. Isso leva muito tempo. 



Jefferson: Shihan o Sr. acredita ser possível a curto ou médio prazo uma adaptação aceitável de estudantes vindos de outros estilos em relação a prática comum do Goju Ryu? 

Shihan Luis Kotsubo: Em meu Dojo estou tendo uma experiência desde tipo. Tenho 04 faixas pretas de Shotokan que a um ano vem treinando comigo. Apesar do esforço deles, dá para se notar nitidamente que sua verdadeira origem não é Goju ryu. O mesmo seria se um praticante de Goju fosse treinar Shotokan. Portanto, para dominarmos um estilo já leva toda uma vida, imagina mais de um estilo.


Jefferson: Quais as características mais marcantes o Sr. observa em relação ao Karate de Okinawa em relação ao Karate Goju Ryu praticado atualmente dentro dos dojos?

Shihan Luis Kotsubo: Devido a certos professores se fixarem demasiadamente no aspecto de competição, estão esquecendo que o verdadeiro Karate é baseado em três princípios fundamentais: Kihon, Kata e Kumite. Portanto, nos dias de hoje, o praticante de Karate é visto mais como um atleta do que um lutador de Artes Marciais.


Jefferson: Na visão do Sr. quais as principais características e qualidades precisa ter um praticante para alcançar o 1º Dan dentro do Goju Ryu?

Shihan Luis Kotsubo: Como disse anteriormente, iniciei no karate no ano de 1970, e só vim a me graduar shodan em 1981. Nos dias de hoje um karateca leva no máximo 5 anos para alcançar esta graduação, e em algumas organizações até em menos tempo. É fundamental que o pretendente a esta graduação complete todo o ciclo de amadurecimento como ser humano, e não apenas o ciclo técnico.



Jefferson: Como o Sr. vê o aspecto esportivo falando abertamente sobre prós e contras? E qual a sua opinião sobre Karate nas olimpíadas?

Shihan Luis Kotsubo: A inclusão do Karate nos jogos Olímpicos de Tokyo 2020 representa um momento histórico e o culminar de muitos anos de trabalho, a decisão premia o esforço e a dedicação daqueles que sempre acreditaram na realização deste sonho. Porém, meu receio é que os Dojos passem a se fixar apenas no aspecto esportivo do Karate, deixando de lado o Budo. Pois na atualidade, a grande maioria dos professores fixam seus ensinamentos para prepararem apenas competidores, esquecendo que o verdadeiro Karate Do é composto tecnicamente do tripé: Kihon, Kata e Kumite, e nossa obrigação vai além da formação do atleta, mais principalmente, na formação do cidadão. Temos que manter sempre vivo o binômio esporte X Budo. 

Na IKGA nossos eventos não são competições, mais uma confraternização entre nossos membros. Pois nestes 10 anos que estou a frente da IKGA Brasil, em nossos eventos nunca ocorreu nenhuma desavença entre nossos participantes.



Jefferson: Como surgiu a IKGA? e quais os principais objetivos e características da escola?

Shihan Luis Kotsubo: A International Karate Do Goju Kai Association – IKGA, com sede em Tokyo/Japão, foi criado pelo saudoso Mestre Gogen Yamaguchi no ano de 1965. É uma organização mundial que está presente em mais de 60 países. É a única organização que representa o estilo da família Yamaguchi do Goju Ryu. Vários outros grupos e indivíduos praticantes de Karate Do Goju Ryu têm suas raízes ligadas ao Mestre Gogen Yamaguchi, porém não mantém mais laços com a IKGA.

O crescimento da IKGA começou na década de 60 com a ida de vários instrutores japoneses para o exterior. Entres esses os três filhos do Mestre Gogen Yamaguchi. 

No Brasil, a IKGA começou definitivamente em São Paulo a 15 de setembro de 1.975, quando o saudoso Hanshi Ryuzo Watanabe, foi oficialmente nomeado pelo Mestre Gogen Yamaguchi. A partir desta data, começou a sua dedicação ao estilo Goju Ryu, criando pólos de desenvolvimentos em todos os Estados Brasileiros e vários países da América do Sul. 

O Hanshi Ryuzo Watanabe, a partir de então, dedicou praticamente toda sua vida ao Karate Goju Ryu da (I.K.G.A.) promovendo eventos ou tarefas que beneficiassem seu estilo, seja com sua técnica apurada, portador de um carisma invejável, por onde passava conquistava seguidores, a extrema sensibilidade mais a imaginação e a intuição, juntaram-se a motivação, simplicidade e a amizade para romper os laços que uniram o espírito à realidade. mesmo com idade avançada e doente (sem que a maioria de seus filiados soubesse), sempre dava o exemplo, sendo o primeiro a chegar e o último a sair em todos os eventos da Goju-Ryu. 

Em 2007, iniciei um trabalho de reestruturação da IKGA no Brasil, com o objetivo de apresentar uma sólida proposta ao Gran Mestre da Goju Kai, Saiko Shihan Goshi Yamaguchi. Durante o congresso Sul-americano de 2007, na cidade de Santiago no Chile, com a presença dos representantes sul-americanos e professores do Brasil mestre Goshi Yamaguchi outorgou a mim a representação oficial da IKGA e o titulo de Renshi -Shihan. Cabe aqui também realçar, tudo sobre o punho da Gojukai. Esse é um assunto que causa muita polêmica por desconhecimento do publico em geral. 

Basta procurarmos em livros, internet ou qualquer outra fonte sobre “karate Goju-Ryu” ele que aparece o “punho”. 

Muitas acabam relacionando o estilo Goju-Ryu ao punho, que de certo modo tem sentido e de outro modo não. 

O “punho” é uma marca registrada por direitos autorais, que foi criado por Gogen Yamaguchi. Verdadeiramente Gogen Yamaguchi, fez o desenho do punho de Chojun Myagi numa forma de prestar uma homenagem a seu mestre e o legado que acabou perpetuando e se confundindo com o próprio estilo Goju. 

O “punho” pertence a I.K.G.A. (International Karatedo Gojukai Association). E somente os membros e filiados na IKGA podem fazer uso dele e colocar em seu Dojo e karategi. 

A IKGA possui representação em mais de 60 países, e cada país possui um representante nomeado pelo Saiko Shihan Goshi Yamaguchi, atual presidente e filho de Gogen Yamaguchi, e cada país é atribuído em um bloco para melhor administração da matriz do Japão (IKGA-HOMBU). 

No Brasil o Representante é o Renshi Shihan Luiz Kotsubo, (IKGABRASIL) no qual também possui os direitos de imagem e uso do punho, e somente os filiados e associações filiadas na IKGABRASIL podem fazer seu uso em nosso país ou com autorização expressa do mesmo. (não existe outro meio). 

O que infelizmente acontece é o uso indiscriminado por pessoas leigas no Goju-Ryu e na legislação. Para se utilizar o punho você deve fazer parte desta entidade e ser conhecedor das técnicas padronizadas e características dessa linhagem do estilo Gojukai. 

Porém acreditamos que nem mesmo o Gogen Yamaguchi saberia prever a autenticidade e legado que o desenho de um “punho” uma singela homenagem ao Mestre Chojun Miyagi se tornaria um ícone de milhares de karatecas pelo mundo, onde muitos do meio do Karate acabam por se confundir com o próprio estilo. 


Jefferson: O Sr. poderia nos deixar uma mensagem, dica ou conselho em relação a prática diária do Karate Do?







Shihan Luis Kotsubo 



"Só existe um caminho para se tornar um verdadeiro karateca, ou seja, treinar, treinar, treinar e treinar"...





Considerações Finais

Sabemos que o Karate Do é uma arte marcial com uma imensidão de recursos técnicos para que os praticantes se necessário possam fazer uso claro sempre no intuito da defesa pessoal, e o Karate Do estilo Goju Ryu mostra-se muito eficiente.

Aprimora-se as técnicas de fortalecimento muscular e combinando com técnica de respiração e bases muito fortes, o que personifica assim um forma bastante fuida de luta marcial.

IBUKI  é uma técnica de respiração sonora com o fito de absorver eventual energia contrária. 
Grosso modo, é feita com uma longa expiração, finalizada com outra breve e vocalizada.

Tal técnica é o canal pelo qual o tanden se conecta com o golpe. Alguns chamam-na de "mãe de todas as técnicas", porque tem por finalidade melhorar todas as demais técnicas, haja vista que é virtualmente impossível conjugar todos os músculos envolvidos no exato momento do golpe sem IBUKI.

A forma de respiração sincronizará a tensão em todos os músculos, para ajudá-los a se concentrar de modo firme, fazendo que seja possível contrair o corpo inteiro no tempo correto, pois concentra apenas as partes musculares efetivamente usadas na ação, deixando a execução da técnica mais rápida e forte.

Uma vez que a verdadeira potência de um golpe advém da energia canalizada desde o chão através do baixo-ventre (tanden), uma exalação mais forte com a parte inferior do abdome resultará numa técnica mais forte, e uma exalação mais curta resultará em uma técnica mais rápida. 
Dependendo do estilo, a técnica é praticada com menor ou maior ênfase e sempre aparece num kata

Logo chego a conclusão que trata-se de um estilo de Karate Do desafiador e ao mesmo tempo riquíssimo em seu acervo de técnicas peculiares.

Anseio quem sabe uma aula experimental de Karate Do Goju Ryu, afim de conhecer e abstrair nem que seja um grão de areia de conhecimento  na prática.

Sempre estarei pronto para vestir minha faixa branca novamente. 

Próximo evento IKGA


Agradecimento

Gostaria de agradecer ao Shihan Luis Kotsubo que cordialmente respondeu a minhas perguntas com etiqueta de um verdadeiro samurai, sempre hábil e preciso com suas palavras.

Muito obrigado e todo sucesso a IKGA. E em especial ao Shihan.

OSU!
Jefferson Oliveira                                                                                                                        Professor de Educação Física e estudante de Karate Do Shotokan


Referência Bibliográfica:

Site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibuki_(artes_marciais)
(Acessado em 12.04.2018)


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quarta-feira, 14 de março de 2018

O LEMA DO KARATE O DOJO KUN. UMA MUDANÇA DE ATITUDE PARA A VIDA DO KARATECA


Existem alguns preceitos que conduzem o caminho em busca do aperfeiçoamento o qual o praticante deve percorrer dentro do Karate-Do rumo à iluminação através da pratica diária. 

Por isso tentei analisar e refletir com maior profundidade e buscar entender mais sobre o Dojo kun e buscar assim aprimorar minha conduta dentro e fora do Dojô. 

Você deve se perguntar qual a frase do Dojo Kun é mais importante? Com certeza a resposta é bastante simples: Todas, elas se relacionam, se complementam e tem o mesmo peso dentro do Karate-Do  

Logo para todo praticante de Karate-do fica uma tarefa árdua refletir sobre cada frase antes de recita-las, procurar saber se no dia-a-dia você segue e se acredita de fato, ou até mesmo transmite ao seu colega.

ESFORÇAR-SE PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER. 

“O caráter consiste numa mudança crônica do ego que se poderia descrever como um enrijecimento” (Reich, 1989, p. 151).

No Karate-Do o praticante deve ter um estado de concentração no cuidado com as atitudes éticas, pois o Karatê-do foi desenvolvido em nome da justiça. 

Essa busca por manter como base sempre as atitudes éticas deve ser uma tarefa de reflexão diária. Um ponto importante é que o caráter pode ser moldado tanto para atitudes positivas quanto para as negativas, se você se deixar levar pela a arrogância ou pelo ego logo essa característica será tão ruim quanto cotidiana em sua vida. 

Treine para manter sempre atitudes altruístas, seja movido pela positividade e logo agir corretamente e ter um bom caráter será como andar de bicicleta depois das primeiras pedaladas que se aprende, você quer andar para cada vez mais longe. 


FIDELIDADE PARA COM O VERDADEIRO CAMINHO DA RAZÃO. 

Como bem sabemos o “DO” remete a ideia de caminho. 

“A Razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É, entre outros, um dos meios pelo qual os seres racionais propõem razões ou explicações para causa e efeito. A razão é particularmente associada à natureza humana, ao que é único e definidor do ser humano.” (Wikipédia, 2018)

Todos os indivíduos têm seu próprio caminho a trilhar, entretanto para o praticante de Karate-Do existe um caminho seguro e sem tantas curvas e que quando percorrido de forma correta esse caminho é a busca constante pelo o aprimoramento tanto em sua vida cotidiana quanto em sua pratica de Karate-Do. Se você for fiel ao caminho escolhido para percorrer em sua vida suas decisões sempre serão pautadas por uma conduta justa e que certamente haverá maior coerência em suas decisões ao longo de sua vida. 

Cultive maior humanidade que nesse caso se aplica em manter o sentimento de bondade, benevolência em relação as outras pessoas, seja sensato. 


CRIAR INTUITO DE ESFORÇO. 

Sempre use o Deai para suas variadas tarefas diárias, seu pensamento deve acompanhar suas ações, antecipe aquela fraqueza momentânea de deixar para amanhã seus compromissos com os treinos de Karate-Do, se possível faça hoje, quem sabe agora, a maior parte das tarefas da vida deve ser realizada pelo compromisso e disciplina.

Não existe vitória sem luta, não existe luta sem desafio, e não existe desafio sem motivação, todo o praticante deve buscar um caminho para alcançar os objetivos seja nesta prática, ou durante toda a sua vida. É preciso buscar motivação sempre compreendendo que a luta não decide o vencedor, ela simplesmente nos ensina que sempre haverá algo a apreender.


RESPEITO ACIMA DE TUDO. 

O ser humano nasce para transgredir, para fazer as coisas muito mais motivado pela emoção do que pela razão, logo se aprende que é preciso respeitar o espaço das pessoas seja o espaço físico ou o respeito dentro de uma hierarquia. 

A ideia seria que você antes de entrar em um Dojô para treinar Karate-Do aprender com as simples tarefas, como por exemplo a de organizar seus calçados, ou como atravessar na faixa de pedestre. 

Claro isso é utopia, porém aprenda com gestos assim a pronunciar mais a palavra OSU! ao invés de tantos porquês dentro do Dojo. Aprenda com seu sensei, respeite seu senpai, cumprimente-os com seu olhar. Aliás seus olhos podem dizer mais sobre suas intenções do que sobre suas ações. 

É dever dos praticantes estabelecerem essa relação de cordialidade em relação a seu Sensei e seus colegas. Conhecer um oponente é aprender técnicas que estavam ocultas na sua prática. Respeitar quem veio antes na prática do Karate-Do é primordial para o crescimento social e porque não dizer intelectual.


CONTER O ESPÍRITO DE AGRESSÃO. 

A maior causa de desentendimentos e intemperes da vida ocorrem por agressividade exagerada. Está associada a hostilidade que pode partir de uma pré-disposição em ser alguém que a todo custo e sem limites quer ditar regras e padrões de comportamento a terceiros.

O exercício é cultive sempre o ato de estender as mãos a quem necessita se levantar. E é nesse ponto você percebe que muitas coisas podem ser conseguidas através de um diálogo pacifico e principalmente por aprender a ouvir seu oponente. 

E talvez essa última frase do Dojo Kun simbolize verdadeiramente o ideal do Karate-Do, pois essa arte é primordialmente para defesa pessoal, às vezes é distorcida pelos adeptos que por vezes conduzem a pensamentos errôneos e a busca da vitória a qualquer custo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse texto o meu desejo foi refletir e analisar o Dojo kun em busca de maior compreensão e principalmente aperfeiçoar meu comportamento como Karateca e como ser humano.

Nota-se que hoje em dia muitos dos praticantes de Karate associam exacerbadamente a prática da artes marcial Karate-Do com uma simples disputa corpórea entre oponentes e penso que entre medir a força de um punho bem treinado e se tornar um exemplo de vida e superação para as novas gerações há um abismo imenso.

Para os estudantes assim como eu deixo minha impressão pessoal: O praticante deve entender que a habilidade de evitar um conflito é muito mais importante do que a de finalizar um conflito. Logo evitar conflitos remetem a melhor compreensão do Dojo Kun. 

Respeite sempre seu Sensei, seu senpai, seus colegas, e principalmente sua segunda casa o Dojô que você treina. 

Lembre-se, o treino não acaba quando termina a aula.

OSS! OSU! OSSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

REICH, W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1989
https://pt.wikipedia.org/wiki/Razão (Extraído do site em 14.03.2018)

Imagem ilustrativa do Mestre Hirokazu Kanazawa em meditação


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UMA EXPERIÊNCIA COM UM ESTILO DE KARATE DE OKINAWA E ENTREVISTA COM O MESTRE TAKESHI MIYAGI

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