quarta-feira, 14 de março de 2018

O LEMA DO KARATE O DOJO KUN. UMA MUDANÇA DE ATITUDE PARA A VIDA DO KARATECA


Existem alguns preceitos que conduzem o caminho em busca do aperfeiçoamento o qual o praticante deve percorrer dentro do Karate-Do rumo à iluminação através da pratica diária. 

Por isso tentei analisar e refletir com maior profundidade e buscar entender mais sobre o Dojo kun e buscar assim aprimorar minha conduta dentro e fora do Dojô. 

Você deve se perguntar qual a frase do Dojo Kun é mais importante? Com certeza a resposta é bastante simples: Todas, elas se relacionam, se complementam e tem o mesmo peso dentro do Karate-Do  

Logo para todo praticante de Karate-do fica uma tarefa árdua refletir sobre cada frase antes de recita-las, procurar saber se no dia-a-dia você segue e se acredita de fato, ou até mesmo transmite ao seu colega.

ESFORÇAR-SE PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER. 

“O caráter consiste numa mudança crônica do ego que se poderia descrever como um enrijecimento” (Reich, 1989, p. 151).

No Karate-Do o praticante deve ter um estado de concentração no cuidado com as atitudes éticas, pois o Karatê-do foi desenvolvido em nome da justiça. 

Essa busca por manter como base sempre as atitudes éticas deve ser uma tarefa de reflexão diária. Um ponto importante é que o caráter pode ser moldado tanto para atitudes positivas quanto para as negativas, se você se deixar levar pela a arrogância ou pelo ego logo essa característica será tão ruim quanto cotidiana em sua vida. 

Treine para manter sempre atitudes altruístas, seja movido pela positividade e logo agir corretamente e ter um bom caráter será como andar de bicicleta depois das primeiras pedaladas que se aprende, você quer andar para cada vez mais longe. 


FIDELIDADE PARA COM O VERDADEIRO CAMINHO DA RAZÃO. 

Como bem sabemos o “DO” remete a ideia de caminho. 

“A Razão é a capacidade da mente humana que permite chegar a conclusões a partir de suposições ou premissas. É, entre outros, um dos meios pelo qual os seres racionais propõem razões ou explicações para causa e efeito. A razão é particularmente associada à natureza humana, ao que é único e definidor do ser humano.” (Wikipédia, 2018)

Todos os indivíduos têm seu próprio caminho a trilhar, entretanto para o praticante de Karate-Do existe um caminho seguro e sem tantas curvas e que quando percorrido de forma correta esse caminho é a busca constante pelo o aprimoramento tanto em sua vida cotidiana quanto em sua pratica de Karate-Do. Se você for fiel ao caminho escolhido para percorrer em sua vida suas decisões sempre serão pautadas por uma conduta justa e que certamente haverá maior coerência em suas decisões ao longo de sua vida. 

Cultive maior humanidade que nesse caso se aplica em manter o sentimento de bondade, benevolência em relação as outras pessoas, seja sensato. 


CRIAR INTUITO DE ESFORÇO. 

Sempre use o Deai para suas variadas tarefas diárias, seu pensamento deve acompanhar suas ações, antecipe aquela fraqueza momentânea de deixar para amanhã seus compromissos com os treinos de Karate-Do, se possível faça hoje, quem sabe agora, a maior parte das tarefas da vida deve ser realizada pelo compromisso e disciplina.

Não existe vitória sem luta, não existe luta sem desafio, e não existe desafio sem motivação, todo o praticante deve buscar um caminho para alcançar os objetivos seja nesta prática, ou durante toda a sua vida. É preciso buscar motivação sempre compreendendo que a luta não decide o vencedor, ela simplesmente nos ensina que sempre haverá algo a apreender.


RESPEITO ACIMA DE TUDO. 

O ser humano nasce para transgredir, para fazer as coisas muito mais motivado pela emoção do que pela razão, logo se aprende que é preciso respeitar o espaço das pessoas seja o espaço físico ou o respeito dentro de uma hierarquia. 

A ideia seria que você antes de entrar em um Dojô para treinar Karate-Do aprender com as simples tarefas, como por exemplo a de organizar seus calçados, ou como atravessar na faixa de pedestre. 

Claro isso é utopia, porém aprenda com gestos assim a pronunciar mais a palavra OSU! ao invés de tantos porquês dentro do Dojo. Aprenda com seu sensei, respeite seu senpai, cumprimente-os com seu olhar. Aliás seus olhos podem dizer mais sobre suas intenções do que sobre suas ações. 

É dever dos praticantes estabelecerem essa relação de cordialidade em relação a seu Sensei e seus colegas. Conhecer um oponente é aprender técnicas que estavam ocultas na sua prática. Respeitar quem veio antes na prática do Karate-Do é primordial para o crescimento social e porque não dizer intelectual.


CONTER O ESPÍRITO DE AGRESSÃO. 

A maior causa de desentendimentos e intemperes da vida ocorrem por agressividade exagerada. Está associada a hostilidade que pode partir de uma pré-disposição em ser alguém que a todo custo e sem limites quer ditar regras e padrões de comportamento a terceiros.

O exercício é cultive sempre o ato de estender as mãos a quem necessita se levantar. E é nesse ponto você percebe que muitas coisas podem ser conseguidas através de um diálogo pacifico e principalmente por aprender a ouvir seu oponente. 

E talvez essa última frase do Dojo Kun simbolize verdadeiramente o ideal do Karate-Do, pois essa arte é primordialmente para defesa pessoal, às vezes é distorcida pelos adeptos que por vezes conduzem a pensamentos errôneos e a busca da vitória a qualquer custo.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse texto o meu desejo foi refletir e analisar o Dojo kun em busca de maior compreensão e principalmente aperfeiçoar meu comportamento como Karateca e como ser humano.

Nota-se que hoje em dia muitos dos praticantes de Karate associam exacerbadamente a prática da artes marcial Karate-Do com uma simples disputa corpórea entre oponentes e penso que entre medir a força de um punho bem treinado e se tornar um exemplo de vida e superação para as novas gerações há um abismo imenso.

Para os estudantes assim como eu deixo minha impressão pessoal: O praticante deve entender que a habilidade de evitar um conflito é muito mais importante do que a de finalizar um conflito. Logo evitar conflitos remetem a melhor compreensão do Dojo Kun. 

Respeite sempre seu Sensei, seu senpai, seus colegas, e principalmente sua segunda casa o Dojô que você treina. 

Lembre-se, o treino não acaba quando termina a aula.

OSS! OSU! OSSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan



REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

REICH, W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1989
https://pt.wikipedia.org/wiki/Razão (Extraído do site em 14.03.2018)

Imagem ilustrativa do Mestre Hirokazu Kanazawa em meditação


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segunda-feira, 5 de março de 2018

RAIO-X DE DOUGLAS BROSE O BRASILEIRO BICAMPEÃO MUNDIAL DE KARATE E O SONHO OLIMPICO


Hoje trago no Blog uma entrevista bem bacana com o atleta de Karate Douglas Brose que tem em seu currículo a conquista de 2 campeonatos mundiais de Karate na modalidade de Shiai Kumite pela World Karate Federation (WKF). 

Em minha entrevista procurei saber como foi o início desde sua infância até sua trajetória vitoriosa como atleta. E ele que de forma muito representativa tem levado o nome do Karate do Brasil constantemente ao pódio WKF pelo mundo a fora. O difícil mesmo é descrever o número de medalhas e conquistas de Douglas Brose. 

Recentemente Douglas esteve em temporada pela Europa disputando etapas da premier League. Essas etapas que são alguns dos principais torneios WKF no ano, e ele já trouxe algumas medalhas em sua bagagem, e são:

1 medalha de prata🥈 Karatē1 Premier League França (Shiai Kumite)

1 medalha de ouro 🥇 Karatē1 Series A Espanha (Shiai Kumite)

Tentarei conduzir a comunidade Karateca e o público fan da arte marcial Karate-do (O caminho das mãos vazias) sempre sob a perspectiva do reconhecimento do Karate também como modalidade olímpica, e vou falar especificamente das olimpíadas no Japão em Tóquio 2020 e que tomará seja a afirmação também para muitas outras olimpíadas após Tóquio 2020. 

Essa matéria busca mostrar um pouco da carreira e da rotina de treinamentos do Douglas e sua busca pela vaga olímpica, e posteriormente possa galgar também a conquista da desejada medalha olímpica para o Karate Brasileiro.

Talvez você seja de uma geração que assim como eu sempre sonhou em ver o Karate ter maior  visibilidade e reconhecimento na sociedade e ainda mais valorizado como uma ferramenta de inclusão social. E para alcançar maior visibilidade precisamos usar o gancho esportivo e paralelamente mostrar o quanto a arte marcial Karate do é eficaz quando praticada ao logo da vida.

Embora o assunto Karate e Olimpíadas ainda seja um assunto bastante discutido entre a comunidade Karateca vou me ater aqui a aprender e também compartilhar um pouco mais sobre a estrela que é o Karate Olímpico e que está contida dentro de uma galáxia conhecida como Karate-do. Porém é uma estrela que tem um brilho peculiar e que pode nos render ainda mais orgulho como modalidade esportiva no evento que são as olimpíadas de Tóquio 2020.

E para falar um pouco sobre esse tema vou apresenta-lo formalmente meu convidado o atleta multi-campeão na WKF que é o Douglas Brose.

FORMAÇÃO E PRINCIPAIS CONQUISTAS DE DOUGLAS BROSE
  • Bicampeão Mundial WKF 2010- 2014
  • Maior medalhista mundial brasileiro na modalidade de Karatê WKF
  • Atleta Olímpico do Exército Brasileiro
  • Ministra seminários no Brasil e exterior no sobre “Metodologia de Treinamento para Alto rendimento para Shiai Kumite”.
  • Membro da comissão de atletas WKF (Federação Mundial de Karate)
  • Faixa Preta de Karatê 1º Dan pela World Karate Federation (WKF) e atleta da seleção Brasileira CBK. 
  • Graduado em Educação Física e Esportes, UNISUL, conclusão em 2010. 
Vamos a nossa entrevista...

Jefferson: Sensei Douglas como você conheceu o Karate-do e a quanto tempo é praticante?

Douglas Brose: Conheci o Karate-do entre os meus 7 e 8 anos de idade, em uma academia próximo a minha casa em Florianópolis. Eu sempre fui apaixonado por lutas, comecei primeiramente em uma acadêmica próxima a minha casa e por cerca 1 ou 2 meses treinei nessa academia, foi quando chegou de São Paulo o professor Eduardo Porchat e começou a oferecer a pratica do Karate dando suas aulas na escola que eu estudava e acabei trocando a academia onde praticava o Karate para ir treinar direto na escola.


Jefferson: Em que momento de sua carreira como atleta você percebeu poderia chegar a ser um campeão mundial?

Douglas Brose: Assim que fui campeão Brasileiro pela primeira vez no ano de 1999 eu tinha 14 anos comecei a nutrir o sonho de representar a seleção brasileira e ser campeão mundial e a partir do momento que comecei a me dedicar mais e viajar para fora foi entre os anos de 2001 e 2002 eu vi que podia ser um campeão mundial mais eu teria que me esforçar muito e me dedicar ainda mais para alcançar esse patamar. 


Jefferson: Qual foi o momento inesquecível em sua trajetória vitoriosa? Se puder conte-nos como foi.

Douglas Brose: O momento inesquecível da minha carreira foi a primeira medalha de ouro em mundiais WKF que foi na Sérvia em 2010, foi um título que até o momento não havia nenhum homem do Karate Brasileiro conquistado pelo Brasil o de campeão mundial pela WKF. E ocorreu após um período muito grande sem medalhas, foi uma vitória muito grande não só para mim mais para todo Karate brasileiro e foi conquistado entre os 3 ou 4 segundos finais, e deu ainda maior emoção a essa conquista. 


Jefferson: Qual a sensação de ser uma inspiração para as novas gerações? E como você encara essa a pressão de estar sempre em alto nível?

Douglas Brose: Uma sensação muito boa servir de inspiração para novas gerações ao mesmo tempo uma responsabilidade de mostrar um bom trabalho para eles, e mostrar bons exemplos para que sigam e busquem alcançar seus sonhos e objetivos dentro e fora dos tatames. A pressão hoje faz parte de minha carreira tenho que suportar e aguentar porque faz parte de minha rotina treinamentos e competições porque isso faz parte do esporte de alto rendimento


Jefferson: Na sua visão quais as reais chances de buscar a participação e uma medalha olímpica? E qual a categoria você busca competir nas olimpíadas de 2020 no Japão?

Douglas Brose: Acredito que eu tenho chances sim de conquistar uma medalha olímpica e vai depender logicamente de muitos resultados que já venho tendo, e que comprovam isso, e eu seu conseguir manter esses bons resultados que tenho conseguido nos últimos 10 anos, e acredito que sim que há posso conseguir uma vaga e uma medalha olímpica, é só continuar trabalhando e focado que as chances são reais. A categoria que eu vou buscar nas olimpíadas é de menos de 67 quilos. 


Jefferson: Para as novas gerações o que você considera primordial para alcançar o alto nível no Karate competitivo? 

Douglas Brose: Para as novas gerações o primordial para alcançar esse nível competitivo é disciplina e treinamento que é a base de tudo e sem isso a gente não consegue nada e com essa disciplina e muito treino a gente consegue forjar primeiramente o nosso espirito e adquirir um nível técnico em alto nível, e consequentemente obter bons resultados também em alto nível.


Jefferson: como é a sua rotina diária e semanal de treinos? E como é ter uma técnica e incentivadora multi-campeã em seu set de treinamento?

Douglas Brose: Em minha rotina treinos, tenho 2 treinos por dia entre preparação física e preparação técnica e mais apoio com fisioterapeutas e médicos, enfim rotina que não chega ser tão longa mais bem intensa, quanto a intensidade dos treinos e quanto a questão de dedicação fora dos tatames através de estudos e estar sempre pensando em Karate e sempre já programando as próximas viagens e competições e estudando que posso melhorar e o treinamento não se resume nos 2 períodos do tatame ou na academia e acaba por se estender também fora dos tatames nesses períodos de estudo que conta muito para um atleta de alto rendimento. A Lucélia é uma grande incentivadora e pessoalmente uma pessoa que por ter vivido e passado tudo que passou, aliás que nós passamos juntos, a gente consegue se conectar e ela consegue me dar um feedback muito bacana do que se pode melhorar e isso tem sido muito importante para meu desenvolvimento como atleta e chega um determinado nível que não tem muito mais que nós conseguimos melhorar em questões físicas e técnicas e ai entra uma parte mais mental, um trabalho muito bacana que a gente faz com os profissionais da área para chegar muito motivado para cada torneio e cada treinamento. 


Jefferson: Qual a sua meta como atleta em relação a classificação no ranking mundial e conquistas para 2018? 

Douglas Brose: Minha meta para 2018 começa com os jogos sul-americanos que também são classificatórios para os jogos pan-americanos que ocorrem ano que vem, e partir de setembro me manter bem no ranking mundial que são as competições que vão valer pontos para meta olímpica, e ser campeão mundial já que o campeonato mundial ocorre esse ano, esses são os principais objetivos para 2018. 


Jefferson: Se as olimpíadas ocorressem esse ano, como estaria o seu nível de preparação para competição em uma escala de nível que vai até 100 %? 

Douglas Brose: Se olimpíadas fossem esse ano o meu grau de preparação na escala que vai até 100%, com certeza seria de 100%, e as vezes muitas pessoas perguntam o que vai mudar agora na minha preparação o que vai alterar agora que o esporte é olímpico, e costumo dizer que não vai mudar nada na preparação, porque se alterar agora minha preparação e começar a me dedicar mais, eu estaria atestando que nos últimos 25 anos eu me enganei que eu poderia ter dado mais e não dei, e se tem uma coisa que eu posso garantir e que dei o meu máximo desde o início o esporte não tinha status de olímpico e eu sempre fui profissional ao extremo, estou preparado, se as olimpíadas fossem hoje, amanhã ou depois, eu estaria preparado, é a vida do karateca é estar sempre Kamae e eu estou sempre em kamae o ano inteiro e preparado para qualquer luta a qualquer momento.


Jefferson: Como está a classificação da Seleção Brasileira CBK atualmente no ranking mundial? 

Douglas Brose: A classificação da seleção brasileira ainda está abaixo no ranking mundial, hoje temos de 2 a 3 atletas no topo 5, e isso vai depender se eles vão conseguir competir mais lá fora nos eventos mundiais e com frequência, nós temos atletas que tem não tiveram a possibilidade de competir lá fora, em etapas da liga mundial, e que são muito diferentes das competições sul-americanas e pan-americanas, e para o aumentar o nível técnico dos atletas eles vão precisar estar lá e competindo, e se colocando sempre a prova e buscar consertar aquilo que pode, em prol de um sonho maior.


Considerações finais

Dentro do universo da arte marcial conhecida como o Karate-do, existe também a pratica do Karate com foco para o aspecto esportivo, denominado por muitos como Karate olímpico, esse é organizado pela WKF, e que propiciam a disputa sob regras convencionadas por um comitê que rege essa organização, esse que buscou adequar-se a um modelo de disputa que pudesse ser aceito pelo Comitê Olímpico Internacional.

A olimpíada em Tóquio no Japão em 2020 é um marco histórico para o Karate mundial, pois além do Japão ser considerado o berço do Karate moderno nessa olimpíada trará uma abertura jamais vista em relação ao Karate esportivo em âmbito de disputa olímpica.

Penso que o Karate-do arte marcial na teoria não deveria perder, tão somente pode agregar novas perspectivas, tendo em visto o esforço de grandes mestres que mantém essa chama acessa e que tratam de transmitir esses valores a seus alunos. O Karate do é uma arte marcial com suas tradições e é regido pelo respeito, disciplina e principalmente pelo Budô.

Logo atenha-se as orientações de seu Sensei e estabeleça os seus limites pessoais para a prática diária seja do Karate-do marcial, seja do Karate Esporte, ou até mesmo de ambos cada um a seu tempo. Você tem a escolha do Karate que quer para si no dia-a-dia e principalmente a longo de sua vida.

Eu em minha pratica diária do Karate me encontrei no modelo com foco mais voltado para o aspecto marcial e que busca como meta Todome waza (golpe definitivo),  porém acompanho sempre que posso os atletas do circuito WKF, tenho muita  admiração e o  respeito pela vertente olímpica, e estarei na torcida com muita alegria.

Acho que uma boa dica é separe sempre a maior parte do tempo para a prática da arte marcial Karate-do independente do modelo competitivo que você escolha para si, pois é á pratica do Karate-do será para a vida toda. Acredito que na vida e na prática do Karate tudo tem um momento certo, há tempo de aprender, há tempo de ensinar, há tempo de competir e há tempo de treinar, veja em qual tempo você se enquadra e seja feliz.

Quanto a delegação brasileira nas Olimpíadas eu vou apoiar e torcer pela nossa seleção olímpica assim como já faço hoje. O Karate-do está dentro de cada um, e o exercício é ao invés de nos ocuparmos tentando saber se esse ou aquele é melhor, ou se essa ou aquela federação é maior, buscar sempre ser introspectivo, ver dentro de si o que é bom para o dia-a-dia.

Um ponto que me marcou nessa entrevista com o Douglas Brose foi a frase:
 “A vida de um Karateca é estar sempre em Kamae. Eu estou sempre em Kamae o ano inteiro”. 

Talvez essa seja a mensagem principal extraída dessa matéria, estar sempre alerta para agir quando se fizer necessário. Esse com certeza é o pensamento de Samurai   

Vai Brasil!!! Olimpíadas do Japão Tóquio 2020


Agradecimento

Ao grande guerreiro Douglas Brose que a muito tempo tem se dedicado profissionalmente ao Karate esporte tendo levado por inúmeras vezes o nome do Brasil ao topo do pódio. 

Ele que mesmo em um período de competição e em temporada pela Europa demonstrou sua humildade e respondeu às perguntas com serenidade e objetividade, e que certamente contribuiu muito com esse objeto de estudo.

Boas vibrações á Douglas Brose e a toda delegação da seleção Brasileira CBK rumo às olimpíadas Japão Tóquio 2020.

Muito obrigado guerreiro. Sucesso!!!


OSU!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan


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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

NARRAÇÃO DO TEXTO: O MUNDO NA VISÃO DE UM KARATECA




NOVIDADES NO BLOG, NOVOS CONTEÚDOS EM BREVE

Estarei postando alguns conteúdos de vídeo esporádicamente na guia vídeos e dessa forma tentar melhorar a comunicação.

Esse é o primeiro vídeo do Blog. Inscreva-se no canal do YouTube Blog diário de estudante Karatê do e receba as atualizações com entrevistas e matérias especiais.

OSS!

Jefferson Oliveira
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A DISCIPLINA DO KARATE-DO E AS 10 PEDRINHAS.


Esses dias estive refletindo sobre algumas situações na rotina dos praticantes de Karate-do, e por que não dizer a de praticantes de outras artes marciais, e resolvi escrever esse texto.

Para os estudantes veteranos no treinamento de Karate deixo as perguntas: Você realmente depende de um adversário para treinar? Será que treinar somente dentro de um Dojô é suficiente?  


Há cerca de 4 anos atrás resolvi voltar aos treinos de Karate-do devido a grandes problemas decorrentes de um tipo de estresse pós-traumático, não vou me ater a detalhes pois isso realmente não será de suma importância para conclusão do raciocínio sobre esse tema.

Falando abertamente o Karate-do é algo que requer muita disciplina e disposição, pois não é só treinar de vez em quando na academia ou Dojô, trata-se de leva-lo diariamente ao aperfeiçoamento.

E nos 2 primeiros anos desde o meu retorno ao Karate, foram realizados exatos 136 treinos de Karate-do, dos quais em não menos de 70 sessões e é até difícil dizer ao certo quantos foram os treinos realizados solitariamente. Era eu e uma trave de futebol, um item essencial para me ajudar nos treinos a cada manhã sempre entre as 6:00 e 8:00h.

Sempre fui passível de fraquezas e buscava fielmente manter sempre nessas manhãs uma rotina de 2 a 3 treinos semanais. Sempre tendo como base a disciplina e buscando manter a motivação no dia a dia.

Falando sobre os mecanismos que usava desde quando ia dormir no dia anterior a cada treino e despertar do dia seguinte.

Eu planejava minunciosamente o começo, meio e fim de cada sessão de treinamento, pois ali ansiava por carregar algo novo nos pós treino, e que vai muito além de preparação física e do fortalecimento muscular.  
Quero falar de uma estratégia que ajudava para o aquecimento no início de cada treino. A meta foi sempre pegar 10 pedrinhas colocando 5 em cada uma das mãos, a meta era 10 voltas de corrida em torno de um campo de futebol society com a máxima concentração pois na minha mente se derrubasse 1 pedra teria que pegar mais 2 pedras, isso sempre foi uma particularidade minha, e a cada volta era dispensada 1 pedra.

Essa parte era só o aquecimento, e como só nós Karatecas sabemos somos movidos por superação de desafios, logo trabalhava nessa parte do aquecimento a concentração e disciplina. Meu oponente à trave de futebol estava com um aparador de chutes amarrado. Aliás vale ressaltar que a trave foi durante muito tempo a parceira fiel de treinos e o revide dela sempre ocorria quando eu não estava suficientemente concentrado e acabava por socar abrindo o cotovelo, nessa parte buscava aperfeiçoar esse aspecto técnico.   

Os Katas eram realizados sempre os pés descalços e com isso tinha que pensar no equilíbrio. Para quem não sabe esse tipo de piso sintético quando chove fica liso como sabão. E muitas foram as aprendizagens nesse período e eu aprendia com o meio e usava o que tinha nele ao meu favor, buscando incorpora-los a meus treinos.

Vou dizer abertamente o que impede alguém de treinar, para mim sempre foi uma questão de disciplina.  A maior parte das tarefas árduas na vida devem ser realizadas com base na disciplina, pois com o tempo você conseguirá obter a motivação necessária para fazer de novo e de novo até conseguir obter êxito.

Portanto pense tudo que você precisa para treinar está dentro de você e ninguém será capaz de ajudá-lo, se você não for determinado e introspectivo, e é sempre uma tarefa rotineira, porém essencial.

Faço mentalmente sempre uma analogia de disciplina e motivação com relação as 10 pedrinhas.
Quando se tem 10 pedras na mão e a cada volta de corrida você descarta uma pedra, isso é motivação, se você perde no caminho 1 das pedras e se compromete consigo mesmo a pegar outras 2 em substituição isto é disciplina. Se você buscar a motivação tendo por base a disciplina terá na mão 20, 30, 40 pedras para descartar ao longo de sua jornada, e se ocorrer de deixar cair uma no caminho logo será apenas 1 atraso temporário em sua tarefa e não um empecilho à realização. 

Esse texto busca incentivar as pessoas que pensam em treinar Karate e espero também que sirva e motive aqueles que pararam por algum motivo.

Não deixe para a semana que vem, ou mês que vem, ou no próximo ano. Quero tentar incentivar você a treinar hoje. Comece segurando nas mãos as 10 pedrinhas.  

OSU!
Jefferson Oliveira 
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do Shotokan


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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O DESAFIO DE TREINAR KARATE-DO NO JAPÃO


Hoje trago no blog um tema bastante interessante e que desperta muita curiosidade na comunidade Karateca do Brasil e no mundo. Vamos falar sobre treinar Karate-do no Japão, e para isso trago como convidado o Sensei Daniel Veríssimo Pinto (Pinto San) natural de Recife/PE, Brasil, que começou a treinar Karate aos 16 anos de idade, ele que há cerca de 12 anos atrás resolveu ir morar no Japão, onde reside até hoje. 

Sensei Daniel que mantem o site pintokaratedojo, sempre com conteúdo atualizado, além de apresentar a rádio Karate que cresce cada vez mais devido a qualidade de seu trabalho em prol da divulgação do Karate-do. Todas as semanas e normalmente aos domingos traz muitos temas para discussão além de grandes mestres e convidados. 

Em nossa entrevista o sensei Daniel me contou que sempre manteve desde muito cedo o sonho de ir para o Japão em uma busca afim de desbravar a cultura japonesa e posteriormente de treinar Karate-do.

Ao longo da entrevista fui conduzido a compreender como é o treinamento e a rotina frenética do povo japonês e as possibilidades de treinar Karate-do no Japão, partindo desde as questões de socialização e passando por fatores culturais e as experiências que esse longo período trouxe ao sensei Daniel.


Apresentação do convidado


Sensei Daniel Verissimo Pinto 

2º Dan pela JKA Japão 
3º Dan pela Karate No Michi KWF Japão.

Praticante de Karate-do estilo Shotokan há 23 anos. 
Estudante de Naginata (lança Japonesa) e do estilo Shito Ryu. 
Além de pesquisador e um amante de Kobudo. 

Apresentador da Radio Karate e idealizador do site Pintokaratedojo.com


Fomos adiante com a entrevista... 

Jefferson: Sensei há quanto tempo você treina Karate e como surgiu a ideia de ir para o Japão?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Treino karate há aproximadamente 23 anos. Comecei com 16 anos de idade por incentivo de amigos de infância e o meu objetivo com os treinos sempre foi a defesa pessoal. Desde meus 8 anos de idade sempre tive um sonho de conhecer o Japão. Sempre fui apaixonado pela história, mitologia e costumes desse país. Minha esposa é filha de japonês, e depois de 1 ano de casados decidimos vir morar no Japão. No meu caso com o objetivo de treinar e estudar karate no seu berço.


Jefferson: Além dos fatores culturais como você descreve o povo japonês e particularmente o karateca?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: O povo japonês é conhecido por sua disciplina e pensamento coletivo, além do seu vício em trabalho, o que chega a ser um problema para o País, por incrível que pareça. São condicionados desde pequenos a pensarem de uma forma homogênea, particularmente não gosto muito disso, mas podemos aprender muita coisa boa observando-os.
Os karateka não são diferentes, sempre disciplinados e focados durante o treino, mas a forma de pensar chega a atrapalhar um pouco o desenvolvimento do karate como arte marcial (goshijutsu). É claro que outros fatores também influenciam, tal como a sociedade pacífica. Lembro-me que uma vez Ubusuki sensei, aluno direto de Gichin Funakoshi sensei e um dos meus professores no Honbu dojo da Karate No Michi, falou durante um treino que o karate japonês perdeu um pouco da sua essência como arte marcial devido à segurança do país. O Japão é um país tranquilo, onde ainda posso andar numa rua escura às 00:00h a noite escutando música no meu smartphone sem me preocupar com assalto. Diferente de nós brasileiros que somos acostumados com a violência do dia a dia, e que sempre buscamos uma forma de nos proteger.


Jefferson: Como o “estrangeiro” deve se comportar no antes, durante e pós sessão de treinamento em um dojo tradicionalmente japonês?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Como um karateka japonês, ainda mais se você estiver treinando em um dojo de alguma cidade pequena, os mais tradicionais. Obedecer ao Reigi Saho (normas e etiquetas do dojo), o que inclui respeitar os mais velhos (senpai), manter-se sempre atento as explicações, não conversar paralelamente, respeitar as regras cerimoniais e servir de exemplo no caso de ser graduado.


Jefferson: Como é a relação kohai, senpai, sensei e shihan no Japão?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: A relação senpai/Kohai é comum não somente nos dojo, mas em toda a sociedade japonesa. É mais uma das coisas que o karate de Okinawa tomou emprestado para se transformar em karate japonês. 
É uma relação como a de irmãos, o mais novo sempre obedecendo ao mais velho, e esse por sua parte instruindo e auxiliando o seu kohai na melhor forma. Em certos casos, isso se torna meio que uma estrutura militar e acaba dando brechas para alguns senpai, não muito educados, usar esse “poder” a seu favor e causando abusos, que aliás é comum no Japão. 
No caso de sensei e Shihan, eu não conheço muito bem pois no meu estilo de karate (Shotokan) não usamos os títulos de shihan ou kyoshi, exceto alguns karateka oriundos de outros estilos, onde é comum o uso desses títulos. Mas acredito que a relação não seja muito diferente da que existe entre senpai e kohai.


Jefferson: Existe preconceito em relação á brasileiro? Se sim, consegue nos contar um episódio que pode ver ou quem sabe presenciar?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Sim, existe preconceito por parte dos japoneses, não somente com os brasileiros, mas como todos os estrangeiros, até mesmo com os naturalizados ou com dupla cidadania. Mas isso também não é algo somente dos japoneses, acho que em todos os países existem pessoas preconceituosas.
No caso do Japão, é histórico, uma herança que alguns japoneses insistem em manter. Já vi muitos casos, pois moro em uma das maiores comunidades de Brasileiros no Japão. Alguns por culpa dos japoneses, outros, por culpa do comportamento de alguns brasileiros, mas não vale à pena citar já que acredito que não é esse o objetivo desse site.


Jefferson: Em sua viagem a Okinawa poderia nos contar como foi a emoção de ver peças e arquivos que remetem as origens do karate-do?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Eu era uma criança na Disneylândia. Meu sonho de conhecer Okinawa começou quando tinha 12 anos de idade ao assistir Karate Kid 2 na TV e prometi a mim mesmo que iria conhecer o berço do karate. A emoção começou desde que eu vi as ilhas que formam o antigo reino de Ryukyu pela janela do avião. Okinawa transpira karate em todos os lugares. É comum você encontrar algum vendedor de loja ou atendente que treina ou treinou karate. Placas com desenhos de karateka, indicando locais onde você pode treinar ou visitar, dojo em todos os bairros, é maravilhoso. O Museu do karate é um sonho para quem gosta da história da nossa arte. O prédio é lindo e as “relíquias “do museu é de fazer você chorar de emoção. Livros raros. Armas que foram usadas por mestres há 100 anos atrás, fotos históricas, uma maravilha. Me tornei amigo de alguns funcionários do Museu, e consegui mais informações. Infelizmente não pude filmar dentro por que não é permitido. A maioria das peças são de acervo particular das famílias dos mestres, e eles proíbem. Mas o pouco que deu para filmar está nos últimos vlogs no meu site.
Tive a oportunidade de treinar kobudo com um senhor de quase 90 anos de idade que contava histórias sobre o karate e kobudo nas pausas do treino, Yogi sensei (9º dan), um verdadeiro “Sr. Miyagi”. Fiz amigos, conheci muitos estrangeiros que dão aulas e tem dojo em Okinawa. Aquilo é um paraíso!
Por isso, decidi ir periodicamente (3 vezes ao ano) para treinar kobudo, karate e estudar mais a cultura local e sua influência no karate. 
Uma coisa interessante é que Okinawa não parece o Japão, já viajei por muitos lugares do arquipélago e, praticamente, é a mesma coisa em todo o País, mas lá parecia que eu estava em outro país, tudo é diferente. Culturalmente, eles têm laços e traços muitos fortes com a China.
Se você quer mesmo ir para um lugar onde karate está em tudo, esse lugar é Okinawa.


Jefferson: Você pretende retornar ao Brasil? E na sua opinião, na hipótese de um retorno, o que traria de mais precioso na bagagem como herança cultural e marcial?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Não pretendo voltar a morar no Brasil. Sou inquieto e gosto de me movimentar. Meus planos é morar em outro País ou possivelmente em Okinawa, mas isso é para um futuro distante. 
Devo ir ao Brasil para ministrar alguns cursos de karate pela organização que faço parte (KWF) e por insistência de meus amigos no Brasil. 
Acredito que o mais precioso que levaria do Japão para o Brasil seria minha experiência em lutar contra japoneses em competições, pois fui atleta no Japão por 8 anos dos quais 2 foram pela seleção do Estado de Shizuoka. E para os não-atletas, o mais precioso acredito que seria o meu conhecimento vivido, digo, o convívio na sociedade japonesa no dia a dia, trabalhando e estudando junto com eles e como isso influenciou e influencia dentro do karate japonês. Existem muitas lacunas nos treinos e entendimento do karate por parte dos estrangeiros e só são preenchidas depois que você passa a conhecer e conviver dentro da sociedade que o originou.


Jefferson: Como surgiu a ideia de propagar o Karate-do através das mídias sociais e da Rádio Karate?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Sempre gostei de escrever, ainda mais sobre karate. Meu primeiro site foi ainda na época da internet discada no antigo Geocite.
No Japão, o acesso fácil à internet banda larga deu mais possibilidade de criar conteúdo.
Em 2007 minha esposa me incentivou a criar um site pessoal para colocar minhas experiências e ideias sobre o karate. Criei meu primeiro site no blog spot, sem muita pretensão e comecei a postar minhas experiências com o karate japonês. No começo do Youtube, ainda em 2007, surgiram alguns projetos próprios para um canal sobre karate, mas desisti por que ainda não tinha material suficiente para isso.
Mas em 2008, depois de enviar um vídeo para um kohai meu de Pernambuco, vi que poderia ajudar outras pessoas com esse material e resolvi compartilhar. Na época os vídeos sobre karate no Youtube era partes de DVD ou VHS de competições ou treinamentos. Eu me orgulho de dizer que estou entre os pioneiros na internet com esse material próprio.
A ideia foi amadurecendo e vieram os podcast, que foi criado depois de um encontro de blogueiros no Japão em 2010 e de uma entrevista para um programa de TV do Brasil, com filial aqui no Japão.
Hoje, o site possui outras mídias sociais, como o Vlog ( programa no youtube), página no facebook, Instagram, WhatsApp, além de postagens de meus sócio/ colaboradores ( Tiago Frosi, Roberto Sant´anna e José Pedro Leal) , e nosso estagiário Giovani em nosso site. Todos karatekas.


Jefferson: Quais são os projetos para os próximos anos em relação ao Karate-do?

Sensei Daniel Veríssimo Pinto: Me empenhar mais no desenvolvimento do Karate No Michi na minha região. Sou aluno e representante de Yahara sensei (8º Dan) e de sua organização (KWF) aqui na minha cidade e Estado. Pretendo me dedicar mais a isso.
Além disso, estudar mais o karate de Okinawa e Kobudo, através das periódicas viagens que estou fazendo para lá, treinando sob a tutela de Yogi sensei (9º dan de kobudo Renseikai) e Onaga sensei (8º Dan shito ryu). E mais uma viagem à China para estudar as raízes do karate de Okinawa através de alguns estilos de kung Fu. Morei em Beijing por 3 meses em 2015, onde dei algumas aulas de karate, mas não tive muito tempo para conhecer bem as artes marciais chinesas. Pretendo fazer isso em breve.
Ainda pretendo realizar mais um sonho, treinar Muay Thai na Tailândia. Existem vários ginásios de MT em que você pode ficar hospedado para treinar 2 a 4 horas por dia, além de ter a oportunidade de conhecer a cultura local, o que na minha opinião é essencial para entender melhor qualquer arte marcial que você venha a treinar. Conhecer a cultura japonesa e de Okinawa me ajudou muito e ainda me ajuda, a entender o karate.



Considerações finais

Treinar Karate-do já é um grande desafio, o mais importante não deve ser somente o local, devemos nutrir ter uma motivação própria, seja em um Dojo local ou até mesmo dentro de nossa própria residência. O Karate-do não está em um único local. 

No Japão sim existe diferenças culturais relevantes, porém grande parte de nós Karatecas herdamos algumas dessas características que nos fazem mais fortes seja fisicamente e mentalmente.

Aquele que busca novas experiências de vida deveria sim experimentar essa imersão na cultura Japonesa, porém nunca deverá se esquecer que o Karate-do quando é bom está dentro de cada um. 

Buscar dentro de si próprio o seu melhor Karate, esse deve ser o objetivo principal, certamente o lugar será apenas um detalhe. Inspire-se no exemplo das cerejeiras japonesas, valorize seu treinamento de Karate no dia a dia pense como se fosse um momento único, a certeza é que se você encarar o Karate-do com amor e dedicação tudo será melhor amanhã. 



Agradecimentos

Sensei Daniel Veríssimo Pinto sabendo da grande dificuldade e falta de tempo gentilmente respondeu nossas perguntas, enriquecendo o contexto da matéria com suas experiências.

Deixo aqui a meu humilde e sincero agradecimento ao Sensei Daniel. 

E claro faço um convite para os amigos Karatecas ouvirem a Rádio Karate e acessarem o site pintokaratedojo. 

Eu...Não perco um programa. 

SUCESSO SENSEI !!!



Contatos:

https://pintokaratedojo.com/category/radio-karate/






OSU! 
                        
Jefferson  Oliveira                                                                                                                                   Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan


Apoio:

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Acesse: www.martialartsshodo.com.br

"Compartilhamos o mesmo amor pelas artes marciais"

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O KARATECA OBSERVADOR TRANSFORMA DIFICULDADES EM OPORTUNIDADES



Olá Karatecas, recentemente realizei a leitura de um livro da qual pude extrair ótimas aprendizagens para minha caminhada seja como ser humano ou como Karateca. Fui conduzido a uma viagem temporal sob a perspectiva dos fatos históricos narrados por um grande sensei em sua busca pelo autoconhecimento.

Ao chegar nas ultimas páginas do livro, percebi que queria ler mais, igual a quem não é capaz de saciar-se com um copo de água logo deseja outro e outro. Comparei com o Karate-do que vivo e compreendo melhor hoje, onde desejo sempre a próxima sessão de treinamento. 

Não adianta treinar várias vezes na semana se você não entende a importância e principalmente as razões para aplicação de socos e chutes. Os movimentos podem perder a expressão e o pior até sua  sua eficiência, por isso antes de ter uma grande técnica é preciso que você se torne um bom observador.

Como diria Augusto Cury: “Grandes professores são os melhores contadores de histórias." 

Vivenciei algo marcante a 12 anos atrás e hoje resolvi compartilhar por pensar ser importante afim transformar dificuldades em oportunidades. Penso que foi uma das maiores lições de superação que pude vivenciar.


Era uma época de estágio para o curso de Educação Física, quando entro na quadra, e em uma das turmas vejo uma criança de uns 12 anos aproximadamente sentado do lado de fora da aula, enquanto os amigos de turma se divertiam jogando basquete. Havia um menino que não podia andar, e mesmo assim sorria ao ver os amigos correndo e competindo, esse menino sentado tinha uma doença que causará atrofia nas pernas, em um grau de atrofia aparentemente irreversível. 

Logo senti um aperto no peito pensando sobre o que é verdadeiramente dificuldade na vida das pessoas, e pensei sobre o que é realmente encontrar a felicidade para algumas pessoas. 

Pensei muito e encontrei uma forma de realmente proporcionasse as condições de igualdade dentro dessa aula e que permitisse aquele garoto sentir a sensação de arremessar a bola. Tive a ideia de diminuir a altura da cesta em improviso e colocar todos os outros meninos em condição de igualdade e foram todos em posição sentados no chão da quadra. Fui surpreendido pois aquele menino com suas limitações se tornará imbatível quando ao arremesso da cesta, o mesmo era um grande observador, logo o desafio agora era para os outros vence-lo, e ele que na teoria não participava das aulas se mostrou um bom observador. 

Fica uma boa lição seja um observador e no momento certo você estará apto. E você poderá passar de um ator comum a protagonista ou vice-versa. 

Quando você se contenta apenas com 1 copo de água, jamais terá a sensação plena de realização. Penso que o importante é ter uma fonte para beber sua água, e que você cuide para que essa fonte esteja sempre ao seu alcance para que possa usufruir.

Não pense que treinar é simples, quando você diz para si mesmo que sua vida é pautada por capítulos e principalmente pela superação de desafios, aí você está pronto de verdade para reconhecer OSU, ao invés de tantos porquês em suas tarefas de Karateca. E é nesse ponto que você começa se preparar para ler novos livros e acumular novas experiências.

Os livros têm diferentes assuntos e muitas vezes tratam de conflitos e anseios, assim como os treinos, porém ambos têm por primícias proporcionar informações e conhecimentos. Pense que seu próximo treino é um capitulo e que por mais que você ache que já entendeu constantemente precisará retornar ao início e ler novamente. 

Va treinar pensando que seu soco não é bom o suficiente e seu chute não está adequado, e como certeza você sairá com a sensação querer mais.

Penso que o Karate-do é como uma obra aberta, e chegara a hora em que você verá o quanto é importante deixar para segundo plano o papel de protagonista. Deve-se cultivar o espirito de aprendiz no dia a dia. 

Em relação aos golpes, se você não cuidar do constante aperfeiçoamento, o seu soco de hoje será apenas só mais um soco amanhã. Busque ter o melhor soco, porém é muito importante que você mostre uma capacidade de vencer estando imóvel. 

Esteja pronto para viver muitas histórias diariamente isso só poderá se concretizar através de seu suor e dedicação, e também pela característica de ser um bom observador.

O aprendiz é sedento do conhecimento quando adota a pratica regular do Karate-do em sua vida e principalmente quando entende o quão ignorante é em relação a arte. Buscar superar sempre as limitações e soluções diárias para conclusão de tarefas. 

Você aprende na medida que testa suas limitações e busca diariamente novos desafios, constantemente se coloque na posição do menino, porque quando estiver de pé certamente vivenciará maior sucesso, seja na condição de estudante ou professor. 

OSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate-do Shotokan


Referência Bibliográfica

CURY, A.J. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro: Sextante / GMT Editores. (2003)

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

EXISTE RIVALIDADES ENTRE OS SENSEIS E DOJOS?


Hoje gostaria de trazer à tona um assunto bastante importante para discussão: A rivalidade e competitividade entre senseis e dojos. 

Como na imagem de ilustração da matéria a vida real parece copiar a ficção em muitas das situações, e as rivalidades ocorrem unilateralmente. Por isso precisamos refletir se quando ocorre a união é mais por conveniência ou se é de forma espontânea. 

Atualmente existem diversos estilos de Karate-do bem como muitos professores dentro desses estilos, e até pouco tempo atrás me deparei com essa questão na pratica, e como estudante apenas me reservei a analisar esta situação e resolvi trazer no blog para discutirmos o assunto.

Não é meu intuito aqui promover discussões acaloradas e tampouco fomentar ainda mais rivalidades, se faz necessário entender os mecanismos que geram essas chamadas rusgas entre os professores de Karate e que por osmose podem posteriormente se propagar entre os discípulos, o intuito é realmente entender se há rivalidades entre os dojos e estilos.

Para falarmos a respeito desse tema trago aqui meu convidado o Sensei Allan Franklin. Ele que é um produtor de conteúdo sobre o Karate-do nas diversas mídias sociais e que tem uma visão bastante particular sobre nosso tema de hoje.

Apresentação de nosso convidado:

Faixa preta 1º Dan de Karate-Do Shotokan Ryu 
Foi aluno do Sensei Kung (Kyoshi) primeiro discípulo do já falecido Kyoshi Benedito Nelson o "Mão de Ferro" que foi discípulo do grande Sensei Juichi Sagara.
Sensei Allan Franklin é formado pela FKERJ, CBK e WKF.
Seguidor da linhagem dentro da prática do estilo Shotokan ensinada pela SKIF de Hirokazu Kanazawa.
Possuo na internet o Programa Karate-Do no YouTube onde passa independente desse ensino formal, seus pensamentos, reflexões e possibilidades técnicas.
Possuo um blog do Programa Karate-Do e sua página de divulgação do seu trabalho e do Karate-Do Shotokan Ryu no Facebook chamada Sensei Allan Franklin.

Vamos a entrevista... 


Jefferson: Sensei a quanto tempo você pratica Karate? e como surgiu a ideia de produzir textos e conteúdo? 
Sensei Allan Franklin: Comecei a quase 11 atrás a estudar o Karate-Do com o Kyoshi Kung primeiro discípulo do já falecido Benedito Nelson o "Mão de Ferro", pois comecei com 28 anos a estudar essa arte marcial maravilhosa que sempre namorei mesmo quando estava praticando outras artes marciais. Com ele tive autênticos estudos de Karate-Do Shotokan Ryu tradicional. O interessante é que muitos anos antes ele já havia sido meu vizinho em um condomínio da zona norte do Rio De Janeiro. 
Quanto a minha iniciativa de fazer o Programa Karate-Do no Youtube, o blog do programa e minha página Sensei Allan Franklin no Facebook, foi totalmente com intuito de divulgar a arte, o valor da mesma e contribuir com meus estudos particulares com outros estudantes como eu, pois independente da graduação, somos todos eternos estudantes de Karate-Do. Mas o meu interesse maior foi em ajudar a divulgar o trabalho de vários profissionais do Karate-Do e até de outras artes marciais, que talvez não tivessem jamais voz para não só divulgar seus respectivos trabalhos, como poderiam passar pela vida desconhecidos do público. Esse foi o objetivo principal. 

Jefferson:  O que você acha sobre enorme quantidade de ramificações de estilos, de federações e escolas de Karate? E se isso ajuda ou atrapalha o desenvolvimento da arte marcial? 
Sensei Allan Franklin: A existência de muitas federações e escolas de Karate-Do denota claramente o quanto essa arte marcial é dividida a décadas e a política acaba reinando. Mas devemos ser lúcidos e enxergarmos que a realidade jamais irá comportar uma única liderança no universo do Karate-Do em virtude das variadas formas diferentes de pensar e quererem conduzir o Karate-Do. Por isso eu realmente não creio que um dia haja união no Karate-Do ao ponto de existir uma única federação para todos nós. Soube que um grande mestre do Rio de Janeiro a pouco tempo atrás tentou reunir vários veteranos da arte com apoio até do Japão para tal, ou seja, para organizarem nesse sentido o Karate-Do no Rio, mas até onde eu sei, nada mudou. 
Agora a existência de vários estilos de Karate eu particularmente não vejo como algo necessariamente negativo para o Karate em si, muito pelo contrário! Com isso o Karate mostra uma versatilidade e ser completo como poucas artes, mas o problema é que diante da existência de tantos, cada um acaba defendendo com tanta paixão seu estilo, que acaba trazendo uma cegueira no sentido de que em realidade, o Karate-Do é um só. Observemos os trabalhos deixados em vida pelo saudoso Tetsuhiko Asai Sensei e em juventude, o magnífico e extenso trabalho deixado por Hirokazu Kanazawa Sensei. Eles foram formalmente representantes do estilo Shotokan durante toda a vida deles, mas isso não impediu de eles estudarem outros estilos de Karate e até outras artes marciais e nem por isso afirmaram terem inventado cada um deles um novo estilo de Karate. E diante dos estudos desses dois mestres a mensagem que eu entendo que deixaram é que o Karate-Do Shotokan Ryu pode ser fluido, rico, rápido e nem por isso deixa de ter kime, ou seja, não deixa de ser forte! Agora, a tendência de muitos por exemplo que preferem a imagem e modo de praticar de mestres como Masahiko Tanaka entre outros, acaba sendo de rejeitar o modo fluído desses dois mestres citados por mim. Então só aí Jefferson, nós vemos uma divisão grande em termos de modo de pensar dentro apenas de um único estilo. 
Portanto quando pegamos esse tema e colocamos de modo mais abrangente, ou seja, falando dos variados estilos, a problemática aumenta. Daí ninguém entende que por exemplo, cada estilo que existe hoje, foi resultado dos estudos dos mestres contemporâneos de Gichin Funakoshi que por sua vez, cada um deles incluindo o próprio Gichin Funakoshi Sensei, estudou mais de um estilo de Karate em Okinawa para então ter todo o conhecimento que levaram para o Japão. Assim fez Kenwa Mabuni do Shito Ryu Chojum Miyagi do Goju Ryu. Mas hoje muitos condenam você estudar mais de um estilo, pois querem manter determinados ensinamentos e estilos intactos separadamente, mas não percebem com isso, que estão dividindo o Karate-Do. 
Então os estilos dividem as pessoas? Não necessariamente, mas sim as pessoas é que se limitam a eles não enxergando assim, que todos eles praticamente possuem as mesmas técnicas praticadas e executadas de modo distinto e segundo cada fundador, mas ainda assim possuem as mesmas técnicas. Partindo daí, vemos que se no Shotokan Ryu por exemplo existem as mesmas técnicas e bases que existem no Shito Ryu ou Goju Ryu, por que não explorar essas técnicas no Shotokan Ryu e sim deixa-las de lado por medo de entrarem mais na área de outro estilo de Karate? Eis aí o problema criado pelas divisões, pois se você é do Shotokan Ryu, acaba sendo visto como alguém que buscou no Goju Ryu se encurtar a distância! Isso para mim é besteira, pois se existem recursos, técnicas e bases para um combate real fora das regras competitivas no próprio Shotokan Ryu para situações de perto, por que não as usas? 

Jefferson: Existe desunião no Karate-do? E você já sentiu na pele a rivalidade entre Senseis ou Dojos? E se puder conte-nos como ocorreu. 
Sensei Allan Franklin: A declaração da minha parte que existe muita desunião no universo do Karate-Do é uma constante em meu trabalho de divulgação do pouco que aprendi desta arte marcial a ponto de alguns temerem eu estar gerando uma imagem negativa da arte. Mas devo dizer que por justamente existir tamanha desunião no Karate-Do e por vezes rivalidades ou mesmo antipatia de Sensei para com outro Sensei é que enfraquece muito mais o Karate-Do. 
Infelizmente por vezes quis me aproximar de determinados profissionais do Karate-Do e não fui feliz, pois os mesmos não fizeram questão alguma de ter amizade comigo. Inclusive Jefferson, tem profissional de Karate-Do que possui também trabalho e destaque na internet divulgando o Karate-Do que por pensar diferente de mim e crer estar anos luz, ao invés de somar, prefere fingir que não existo. Por outro lado, existem pessoas mais graduadas que eu mesmo e mais graduadas que esses que não concordam com a minha visão sobre o Karate-Do Shotokan Ryu, que são também do Shotokan Ryu e outros que são de Goju Ryu, que estão do meu lado me apoiando e me incentivando. 
Muitos não se pronunciam publicamente, por medo de serem prejudicados em suas federações, pois nesse meio de profissionais citados, alguns tem cargos em escolas e federações. 
E lhe respondendo a respeito de se já senti a rivalidade na pele, devo lhe dizer o seguinte. Não me desliguei necessariamente do Dojo do meu mestre ou fui desligado do mesmo por pensar diferente a respeito do Karate-Do embora de fato meu Sensei e colegas de treino, pensassem que eu estava destoando no modo de pensar da escola, mas sim por outro motivo. Mas pelo fato deu pensar diferente, expor ideias diferentes do habitual da escola e ter a ousadia de possuir um programa na internet e expor meus estudos particulares de possibilidades de aplicação das técnicas saindo do apenas ensinado no Dojo, fui realmente criticado por trás e principalmente quando sai da escola. 
Então quando a pouco tempo atrás anunciei um futuro livro meu que em realidade embora eu possa ensinar técnicas de Karate-Do em qualquer livro dentro do meu grau e grau de entendimento, pois sou formado faixa preta de Karate-Do e meu diploma vale no mundo todo, ele não se trata disso, mas fui procurado por um antigo aluno do meu mestre que apesar de ter feito de amigo, quis desvalorizar meus conhecimentos por notoriamente achar um absurdo eu fazer um livro de Karate-Do! O discurso deles provavelmente é que dei as costas para o nosso Sensei porque sou vaidoso e quis aparecer na internet. 
Tirando esse e outros acontecimentos, percebi que a desunião realmente sempre existiu na minha própria escola. Então se você pensa diferente em qualquer detalhe, para os outros você já está se sentindo o tal e daí acaba sendo isolado pelos próprios amigos de Dojo. Por isso sim, acredito que há muita desunião e em alguns casos a rivalidade exista e isso para mim é uma grande contradição com o que é pregado no Karate-Do como Budo. 

Jefferson: Na sua opinião como deveria ser a conduta do Karateca em relação aos seus colegas de prática? 
Sensei Allan Franklin: Penso que a conduta do Karateca diante da vida e colegas de estudo independentemente de serem ou não do mesmo Dojo, deve ser autêntica e andar alinhada com o Budo mencionado agora na outra pergunta. 
Nessa minha caminhada na internet, conheci muitos estudantes de Karate-Do temporariamente menos graduado que eu e você meu amigo, mas conheci não só outros faixas pretas no mesmo grau que eu, como a maioria mais graduados e nesse contexto ao menos diante de mim e do que conheci dessas pessoas, vi budo vivido e exemplificado por eles. Existe uma gama de profissionais de ponta no Karate-Do que fazem por onde serem reconhecidos como o meu amigo até então virtual Sensei Kleber Nicacio (Shotokan Ryu e Shorin Ryu) Sensei Ricardo Aquino Amaro (Shotokan Ryu), Sensei Maxssuel Carlos (Shotokan Ryu e Goju Ryu), etc. 
Todos esses profissionais precisam de voz, todos eles precisam ser conhecidos e reconhecidos por terem boa conduta no Karate-Do diante da vida, seus alunos e amigos. 

Jefferson: É possível apontar o(s) motivo principal para as mudanças de dojo ou até mesmo o abandono precoce do Karate-do, se sim qual seria, em sua opinião? 
Sensei Allan Franklin: Se entendi bem a pergunta, você me perguntou se existem motivos que justifiquem a saída de alguém de um Dojo ou abandono por parte de um indivíduo do Karate-Do. 
Eu lhe diria que sim, existem motivos concretos e lamentáveis que fazem com que o indivíduo se desligue da sua escola, professor e por vezes do próprio Karate-Do quando o problema é grave. Acredito que cada caso seja um. Até porque já vi alguns bons relatos que me fizeram enxergar muito tristemente uma realidade a qual eu ignorava alguns anos atrás. 
Me refiro a verdade de que o relacionamento humano é delicado e por mais que haja uma hierarquia no universo do Karate-Do, as vezes não só o aluno magoa o professor, como muitas vezes o contrário ocorre. E nesse contexto Jefferson, o Dan do professore histórico nada disso conta diante da mágoa que o aluno sente. 
Já vi muitos casos assim e diante disso refleti que sim, deve haver uma hierarquia nas escolas e no Karate-Do, mas isso não muda o fato de aluno e professor assim como os colegas a sua volta, todos são serem humanos que possuem total potencial de se machucarem emocionalmente diante de frases, atitudes e atos uns dos outros. 
Então nesse caso muitas vezes há sim o afastamento do aluno da escola que estudava ou até mesmo em alguns casos a mágoa ou frustração é tamanha, que até da arte ele se desliga. 

Jefferson: Gostaríamos de saber mais sobre esse assunto bastante controverso que é tempo treino efetivo e tempo de Karate. Poderia nos passar a sua ideia a respeito? 
Sensei Allan Franklin: Bom, um tempo de treino no dia a dia e diante dos anos bem gasto, pode fazer a diferença na vida do estudante de Karate-Do. Posso dar um exemplo acontecido comigo mesmo. Se eu pensar no meu tempo de estudo prático de Karate-Do diante de muitas pessoas, tenho pouco tempo. Mas existem alguns detalhes que devem ser levados em consideração. O primeiro deles é que quando entrei na escola de Karate-Do do meu Sensei, haviam alguns faixas marrons, outras faixas roxas, alguns outros faixas verdes e faixas laranjas. 
Todos esses por motivos diversos se afastaram do Dojo. Quando voltaram alguns deles, me viram na mesma graduação que eles estavam quando entrei. Logo se afastaram novamente e quando voltaram, eu estava na faixa preta. Posso dizer que diante disso infelizmente aquela problemática do incômodo dos colegas e rivalidade pode ter ocorrido também em alguns casos ali, mas eu digo o seguinte. Quem parou não pode se irritar com aquele que não parou de seguir a diante e chegou com dignidade e dentro de um tempo certo e normal a faixa preta. 
Mas infelizmente isso ocorre, pois novamente estamos falando aí, da problemática do relacionamento humano que nessas horas, cega aquele que é tomado da inveja ou ciúmes do outro com o professor. Se isso ocorre nas religiões, por que no Karate-Do não? 
Quando cheguei a faixa preta, obviamente não cheguei 100% perfeito em tal graduação. E certamente também hoje sou melhor que ontem e amanhã serei melhor que hoje, pois se eu aproveitar bem o tempo de prática, terei uma maturidade real no estudo do Karate-Do. 
Devo ressaltar também caro amigo Jefferson, que cada caso de fato é um, e quando eu entrei para a escola de Karate-Do Shotokan Ryu, eu já trazia uma bagagem de casa, pois meu pai havia estudado um pouco de algumas artes marciais e principalmente o Tai Chi Chuan e havia me passado uma visão muito interessante das artes marciais em geral. E ainda assim, pratiquei alguns anos também Tae Kwon Do. Por isso meu desenvolvimento no Karate-Do fluiu bem, pois eu não era zerado em artes marciais. Então isso era uma cosia que eu via dentro de casa desde sempre. 

Jefferson: Como conquistar e principalmente manter a maior harmonia e colaboração entre os professores e alunos de karate-do? 
Allan Franklin: Acredito que para manter e conquistar a harmonia e colaboração dos professores e alunos de Karate-Do, seja necessário apenas a materialização do Budo. Enquanto a essência do Budo for rejeitada pela ânsia de vender a própria visão do Karate-Do de modo que isso ofusque ou deprecie a concepção do que seja o Karate-Do para os outros, ou enquanto cada um tiver interesse em exaltar a própria imagem e não a da arte em si, nada disso será conquistado e possível. 
Tenho visto muita preocupação em se formar imagens de trabalhos na internet a respeito do Karate-Do, a visão da pessoa e por aí vai, mas não tenho visto um respeito mútuo entre os profissionais de maneira real. 
A exemplo disso posso dizer o seguinte. Eu não sou adepto do Karate-Do esportivo. Não gosto de competir por ser meu jeito, mas jamais posso criticar aquele que compete ou vive apenas o Karate esportivo, pois a minha concepção da arte não o agrada ao esportista tão quanto o Karate esportivo também não me atrai. E se por um lado não agrado o esportista do Karate, também não agrado alguns karatecas tradicionais mais radicais que não veem possibilidade de nada que flua de forma distinta do habitual visto em federações renomadas. 
Então penso que se todos nós nos respeitássemos e colaborássemos mutuamente para que o Karate-Do crescesse, o contexto seria oposto ao do tema dessa entrevista, ou seja da desunião no universo do Karate-Do. 
A minha visão embora eu afirme ser a mesma principalmente dos karatecas do tradicional, ou seja, concepção marcial, não será jamais a daqueles karatecas tradicionais mais radicais como também não será aceita pelos esportistas. Assim como a visão dos karatecas tradicionais não será totalmente a minha e nem a visão da arte que os esportistas possuem. 
Não há o que fazer a não ser todos se respeitarem mutuamente. Se assim não for não haverá harmonia, colaboração nem nada entre nós a não ser a já citada rivalidade e desunião. 


Agradecimentos 

Ao Sensei Allan Franklin que que respondeu às perguntas proporcionando um grande tema de debate e reflexão para estudantes e senseis 

Contatos: Professor de Karate Allan Franklin 



Facebook: www.facebook.com/allanfranklin.pinheiro 

SUCESSO SENSEI!!!


Considerações Finais 

Observou-se através de nossa entrevista, que realmente pode ocorrer rivalidade exagerada entre as partes. 

Competir é parte do processo de aprendizagem, porém não pode jamais ser a nível pessoal. Quando se aponta excessivamente para a casa do outro, pode indicar um possível descuido e consequente grandes problemas em sua própria casa. 

Já ouvi de um sensei o seguinte pensamento: 

Que é comum um aluno abandonar dojo. O incomum é o sensei abandonar o seu aluno. 

Aos estudantes mantenham sempre o respeito a seu sensei ainda que não concordem plenamente com as convicções passadas. Porém não se esqueça que o aluno de hoje poderá se tornar o sensei do amanhã, é bom despertar o senso crítico, sempre respeitosamente é claro. 

Aos Senseis, estamos sempre ansiosos por aprender e quem sabe nos tornar 50% do que nosso sensei é hoje. Se persistimos e seguimos dia-a-dia é porque sempre temos com referência aquele sensei faixa preta que deixou sua faixa desbotar e desgastar pelo treinamento, e sua dedicação. A sua maior produção na vida de Karateca é o aluno. 

Aos leitores deste estudo conte-nos sua experiência, deixe suas impressões e considerações que respeitosamente irei ouvir aprender com todos vocês. 

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan 
OSU!

UMA EXPERIÊNCIA COM UM ESTILO DE KARATE DE OKINAWA E ENTREVISTA COM O MESTRE TAKESHI MIYAGI

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