quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O KARATECA OSCAR LUTA CONTRA UMA DOENÇA QUE QUASE O DEIXOU TETRAPLÉGICO. E A BUSCA POR MAIOR INCLUSÃO NO KARATE.


Olá Karatecas esse mês resolvi falar sobre um tema da maior importância, e muito relevante,  que é a inclusão social, é sabido que o dia 21 de setembro é o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência.

Os dados do IBGE apontaram a pouco tempo que apesar de representarem cerca de 24% da população brasileira e que o Brasil tem cerca de 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. A dura realidade é que essas pessoas não vivem em uma sociedade adaptada. Vale salientar que esse % diz respeito a existência de doenças, traumas, ou até mesmo incapacidades adquiridas pela idade avançada. 

Decidi enfatizar esse tema ao observar as dificuldades que são relatadas por pessoas PCD que praticam o Karate, e que efetivamente querem participar das competições esportivas. 

O que deu maior relevância á está matéria, é ouvir que atualmente o desrespeito ainda é muito grande com essas pessoas, seja na questão da locomoção até os diversos lugares, e até mesmo no uso indevido de vagas especiais em estacionamentos. 

E esse tema é imenso, por esse motivo resolvi trazer um convidado que vive e sofre na pele esses problemas, ele que nasceu e se desenvolveu plenamente sem os problemas motores, porém por um infortuno ocorrido durante sua fase adulta, ele quase ficou tetraplégico, e com muito esforço conseguiu forças para gradualmente melhorar sua a qualidade de vida. E uma das ferramentas encontradas foi a pratica do Karate, que além da melhora na questão da auto-estima, também conseguiu evoluir na sua função neuromotora. 

Ele que é muito esforçado e determinado e que luta arduamente para ver seus direitos respeitados na vida e na pratica do Karate, e busca sempre sobretudo o bem-estar coletivo. 

O nosso convidado de hoje é o Karateca Oscar Garcia Braga Neto, que irá ao logo dessa entrevista nos contar a suas vivências, seus anseios e suas dificuldades. Creio que será esclarecedor durante essa leitura colocarmo-nos ainda que de forma imaginária na posição desse grande guerreiro. 

Antes, vamos a uma breve explicação sobre a terminologia usada para esse grupo de pessoas PCD.

Afinal o que é PCD? 

A sigla PCD, ainda é muito discutida no sentido de determinar e abranger a todas as pessoas que sofrem com as mais diversas privações. Existem diversos tipos de problemas que englobam a palavra deficiência, seja ela de ordem: física, cognitiva ou até mesmo motora. 

Mais vale dizer que PCD é o termo legal e técnico a ser utilizado, também gosto de me referir de forma mais humana usando o termo: pessoas com necessidades especiais, mais certamente é particular para mim, visto que necessidade especial pode estar atrelado a falta ou ausência de outras necessidades como por exemplo: a comida, a moradia, a saúde e etc.  E por isso usarei o termo técnico PCD. 


RAIO X DO ENTREVISTADO 

Oscar Garcia Braga Neto, atualmente com 43 anos de idade iniciou a pratica do Karate em 1990. Hoje está com cerca de 5 anos de prática efetiva do Karate ao longo de sua história. 

Já foi militar por 2 anos, chegou a praticar Karate Goju Ryu e também um pouco de Jiu-Jitsu, retornando ao Karate Shotokan. 

Atualmente 1º Kiu faixa marrom Karate Shotokan pela Federação Paulista de Karate 

Tendo realizados diversos cursos técnicos e de aperfeiçoamento, com destaque para os cursos de Arbitragem e de Kihon pela FPK e Curso EAD de Arbitragem com Sensei André Maraschin.
Recentemente participou do Seminário Karate para a Vida com senseis: Hélio Arakaki e Paulo Bartolo. 

Vamos a entrevista... 


Jefferson: Oscar como você conheceu o Karate Do? E o que motivou você a praticar esta arte marcial? 
Oscar Garcia: Conheci o Karate aos 10 anos de idade, vendo o ator Jean Claude Van Damme onde me tornei fã do ator e da arte que ele trazia aos filmes. 


Jefferson: Como surgiram seus problemas físicos? E como foi para você naquele momento lidar com a perda dos movimentos? 
Oscar Garcia: Minha doença surgiu aos 24 anos, do nada como uma simples dormência do joelho para baixo e rapidamente foi se estendendo para o corpo todo. 
De um jovem normal ver sua vida mudar aos poucos, onde uma doença tomava conta de seu corpo sem muito que fazer e todos os médicos não tinham um diagnóstico concreto, nem uma cura que parasse tudo aquilo. 


Jefferson: Qual o nome da doença ou enfermidade a qual você foi diagnosticado? E quais os principais causadores no seu caso? 
Oscar Garcia: Bom, o nome da doença que tive foi Pólio Neuro Radico Grave, onde ocorre a perda da bainha dos neuros, toda a proteção do meu nervo foi desintegrada. O motivo por ter tido essa doença os médicos não deram um diagnóstico. O motivo de ter essa doença, podendo ser transmitida pelo carrapato, carga neural ou então por diversos motivos. 


Jefferson: Algumas pessoas impõe uma barreira mental limitando assim a suas capacidades físicas. Hoje como você lida com as dificuldades físicas e até mesmo com a ansiedade, tendo em vista ainda algumas dificuldades motoras que você enfrenta? 
Oscar Garcia: Para tudo o princípio começa na mente, todas as dificuldades, medos e ansiedades a mente controla, mas a forma de lidar com isso que muda a pessoa. Às vezes você está com dor, o trabalho mental é importante, é isso que faz um deficiente olhar e seguir em frente. Mudar sua mente para seu crescimento, a sua evolução. Todos os dias as barreiras devem ser enfrentadas, a superação diária é imensa. 
Eu fiquei tetraplégico, enxergava embaçado e aos 24 anos não ter uma resposta se sobreviveria tudo aquilo, se teria cura, só mexer do pescoço para cima, tudo paralisado e os médicos não ter uma solução era muito ruim. 
A palavra é superação, aprendi aos poucos que a vida de uma pessoa são tijolinhos, construir um castelo aos poucos, mudar a cada dia, um processo de evolução mental, sempre sendo melhor dia a dia. É como no Karate começar do básico e evoluir aos poucos, como fazer um kata começando de um Heian Shodan e chegar a um Gankaku. 


Jefferson: Conte-nos como foi esse retorno ao Karate já nessa fase mais complicada. E o que motiva você hoje a seguir em frente? 
Oscar Garcia: Meu retorno ao Karate nesta nova fase de deficiente veio em forma de busca de saúde, de melhora no meu organismo, enfim, devido aos medicamentos que tomava para a melhora da minha doença cheguei a pesar 98 quilos precisava muito emagrecer então comecei a fazer musculação, mas sempre gostei de artes marciais e a academia que eu fazia tinha Jiu-jitsu, decidi fazer porque se caísse do chão não passaria, por ser mais chão no Jiu-jitsu, então depois de 4 meses vi que podia voltar a lutar, então conheci um Sensei chamado Antônio Nascimento que foi muito receptivo me deu muito apoio, com um trabalho especifico para minha deficiência, ter ponto de equilibro ao chutar e então estamos aqui. 
Minha motivação hoje nessa jornada de deficiente é mostrar a pessoas com deficiência ou normais que o karate traz uma alto confiança, como trouxe a minha vida novas vertentes que já estavam dentro de mim, mas ampliou cada uma delas, como caráter, o poder da mente, coordenação motora, e como karateca é trazer essas mudanças para outras pessoas. 


Jefferson: Na sua opinião o que falta para promover mais igualdade? O que pode melhorar em relação aos projetos e incentivo a pessoas com necessidades especiais? 
Oscar Garcia: Bom, o que falta para promover a igualdade é a consciência, não somente levantar uma bandeira, fazendo mudanças físicas em ambientes, mas o respeito a pessoa com necessidades especiais, não somente ter um espaço para o deficiente estacionar o carro, mas, ter a consciência do indivíduo de não estacionar em vaga de deficiente pois, a nossa mobilidade é reduzida e deve ser facilitada. 
Para melhorar a inclusão de pessoas com deficiência em projetos e ter a certeza que temos capacidade de realizar muitas coisas, então ter uma cota para que o PCD, é importante. Exemplo queria participar de um curso por uma determinada escola, eles não falaram com todas as letras, mas eu não me enquadrava naquele curso devido a meu estado físico. Então vejo que falta entendimento não pelos deficientes, mas para que entendam que podemos sim fazer cursos, porém com a limitação de cada um. Tenho certeza que sou capaz de muitas coisas dentro do karate, mas sei o meu limite também. 


Jefferson: Qual a maior dificuldade você sente em praticar o Karate? 
Oscar Garcia: Minha maior dificuldade para praticar o Karate é minha movimentação, alguns giros e pulos, direção e passos do kata. 
Por falta de estabilidade do meu equilíbrio e minha mobilidade. Mesmo assim supero minhas dificuldades e nunca disse que não conseguiria. Faço dentro do meu tempo, e da forma que fique o mais próximo possível do kata que os demais fazem. 


Jefferson: O que você acha que o Karate Do mais influência em seu dia-a-dia nessa busca por melhorar a sua qualidade de vida? 
Oscar Garcia: Karate influencia na minha vida em vários aspectos, primeiramente em disciplina, em questão do autocontrole, auto analise e superação. 
Nunca desisti e o Karate trouxe sonhos a mais, uma garra a mais em levar o Karate á diversas pessoas. 


Jefferson: Em nossas conversas pude notar em você uma grande aplicação, em relação aos estudos e principalmente pela busca de qualificação dentro da arte. Afinal você está sempre presente em cursos e seminários. Você já encontrou alguma tarefa que o impedisse de participar no momento da parte prática nesses eventos. Se puder conte-nos. 
Oscar Garcia: Logo de cara a mente me diz que não consigo, mas a batalha da mente com meu corpo é dizer que não conseguiria fazer certo exercício, ai vem uma força maior que faz com que eu realize o exercício superando o meu medo e minha insegurança em realizar a tarefa, e para minha surpresa supero e realizo o exercício. Então o deficiente tem que ter em mente a superação diária. Nunca desistir. 


Jefferson: Deixe-nos uma mensagem sobre a sua vontade em dar continuidade à prática do Karate Do. Principalmente aqueles que estão em busca de maior motivação. 
Oscar Garcia: Volto a dizer de um jovem normal cheio de sonhos e de repente me tornei uma pessoa com deficiência, o que dizer... tudo está na sua mente, como lidar com o que a vida nos proporciona está na mente, as barreiras e sonhos, estão ali, como você vai superar suas limitações, como você vai conquistar, está ali na sua mente. 

O não já temos para tudo, até para nós mesmos, que muitas vezes nós nos limitamos. Mas não podemos nos entregar a nossas limitações, devemos seguir e buscar os nossos sonhos. 

Eu sigo os meus como Karateca, treino, estudo, leio e faço cursos. 
Faça o mesmo busque seus. Não deixe que ninguém diga que não pode fazer algo, acredite na capacidade de mudar sua vida sendo Karateca, sendo uma pessoa normal ou até mesmo com qualquer tipo de dificuldade. 
Oss! 

AGRADECIMENTOS

Por vezes nos sentimos mais fortes e capazes com o sentimento de que tudo podemos, sem ao menos olhar do lado, tampouco mostrar um sorriso, ou aperto de mãos sincero, um abraço.
Hoje gostaria deixar aqui todos esses gestos de amizade e de gentileza e principalmente respeito ao amigo Oscar pela sua rica história de superação.

Parabéns guerreiro que todos os seus sonhos sejam concretizados e jamais desista de seus objetivos.
Muito Obrigado por essa aula e lição de vida.        


CONCLUSÃO 

Quando ouvi a história inteira do Oscar pela primeira vez confesso que não entendi toda a sua luta em relação a questão da inclusão nas competições esportivas. E no decorrer de nossas conversas percebi a garra e determinação que ele tem. A luta nunca foi só a questão da possibilidade da competição, mais pelo direito de igualdade. 

Não é só uma questão de falar sobre a inclusão em linguagem polida e um discurso politicamente correto. É preciso saber ouvir essas pessoas, porque é natural para muitos só olhar e pensar que a deficiência é fator de impedimento para determinadas práticas. Logo a tarefa é buscar alternativas para realiza-las sem risco a condição atual, algo que efetivamente o ajude a progredir superando os limites. 

Durante esses dias pude observar as pessoas constantemente elogiam um movimento plástico, uma coordenação motora impecável, porém é muito pouco valorizado a questão do esforço. 

Ao indivíduo considerado saudável é fácil elogiar um campeão com a medalha no peito, o difícil é no dia-a-dia é elogiar e incentivar a sua pratica diária em busca por melhorar a condição atual, seja ela física ou técnica.  

Se nós olharmos para as pessoas valorizando o seu esforço logo teríamos um indicador mais correto da evolução pessoal e também da prática. Dar socos para um Karateca bem treinado são simples feitos, o difícil é estender as mãos com sinceridade e respeito. 

Aprendi que ouvir é uma ótima oportunidade, e nos faz questionar os nossos mais profundos sentimentos em relação a prática do Karate Do. O segredo é não se acovardar e nunca aceitar que a vida lhe tire a vontade em lutar por seus ideais. 

A questão não é se 1 pessoa ou se 999 pessoas querem lutar. O que preocupa é se 1000 pessoas simplesmente não fizerem nada. 

OSS! 
Jefferson Oliveira                                                                                                                        Professor de Educação Física e Estudante de Karate Shotokan 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/16794-pessoas-com-deficiencia-adaptando-espacos-e-atitudes.html

https://exame.abril.com.br/brasil/ibge-24-da-populacao-tem-algum-tipo-de-deficiencia/

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

SETEMBRO MÊS PARA INCLUSÃO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS NO KARATE


Olá Karatecas, 

Nesse mês de setembro comemoro 1 ano de trabalho com esse Blog. 

E em prol de uma causa muito importante gostaria de apresentar uma ideia: A de promover maior inclusão e introdução a prática do Karate Do também para as pessoas com necessidades especiais dedicando esse mês para promover essa essa causa. E quem sabe contar com a ajuda de vocês e mostrar alguns exemplos de trabalhos nessa área .       

Aos que desejarem apoiar nosso projeto de inclusão durante o mês de setembro 2018, aos que fazem esse tipo de trabalho com PCD (Pessoas com necessidades especiais) e quiserem nos enviar videos curtinhos de até 2 minutos teremos o prazer em postar em nossa fan page no Facebook e desta forma mostrar tanto o trabalho do professor quanto a determinação do aluno. 

Não precisa necessariamente ser um vídeo da prática do Karate, mais também pode ser. Pode ser um vídeo de apresentação de ambos, respectivamente, professor e aluno. 

O trabalho é de carácter motivacional e informativo. Se você desejar contribuir envie os videos aos cuidados de Jefferson (11) 97382-4360 

#SETEMBROINCLUSAONOKARATE 
#APRENDEMOSJUNTOS

OSS!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e Estudante de Karate Do Shotokan

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

AFINAL O QUE É UMA COMPETIÇÃO DE EN-BU NO KARATE TRADICIONAL?



EN-BU – Defesa pessoal combinada demonstrada por duplas (masculina, feminina ou mista). Os dois participantes devem demonstrar habilidades técnicas extremamente eficientes tanto quanto demonstrar uma realidade de combate.

A ênfase recai na criatividade e na performance das habilidades dos dois competidores envolvidos neste confronto que tem a duração de 55 á 65 segundos. Existe técnicas obrigatórias na sequência, assim como há penalidades por falta de Técnicas, contato, TodomeWaza, saídas fora da área do shiai-jo.

Esta modalidade faz parte da ITKF Federação de Karate Do Tradicional e consta no quadro oficial das modalidades (juntamente com Kata, Kumite e o Fukugo ).

Créditos e informações:
Sensei Rodrigo Alves Arita 3º Dan ITKF e JKA

Imagens: Rodrigo Alves Arita e Andrew Ramos Marques atuais campeões Brasileiros de En-Bu e Kata equipe Karate Tradicional.

#Aprendemos juntos!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Fisíca e Estudante de Karate Shotokan
Oss!

terça-feira, 7 de agosto de 2018

SHUHARI UMA JORNADA SEM FIM DE DISCÍPULO Á SENSEI

Olá Karatecas,

Hoje o tema de estudo é a essa jornada do discípulo até o momento em que se torna um Sensei. E nesse processo, resolvi tentar envolver o conceito de SHUHARI, ao trazer aqui nesse estudo dois grandes nomes do Karate, Sensei Hélio Arakaki e Sensei Andrey Xavier ambos responsáveis pelo projeto SHUHARI sobre o qual também falaremos no decorrer dessa entrevista. 

Atualmente vivemos em um momento bastante conturbado na questão da formação do cidadão, quando ocorre inversão dos valores e às vezes somos conduzidos até mesmo por nossos pais a tão somente ocupar um local de destaque na sociedade. Embora isso não seja errado, nos conduz à busca de status social, seja na aquisição de bens ou até do consumo. 

Será que efetivamente precisamos de muita coisa para nos sentirmos realizados? 

Onde podemos encontrar os exemplos de sucesso pessoal?

O que é primordial ser útil ou ser importante?

Qual o seu estágio atual no conceito de SHUHARI? 

Tentarei conduzi-los à descoberta dessas questões através desse estudo e proponho que estejamos atentos ao tema e que possamos refletir a nossa fase atual de desenvolvimento, e que nesse estudo particularmente falamos do Karate Do, porém poderia ser muito bem aplicado à escala de desenvolvimento humano. 

RAIO X DOS CONVIDADOS

SENSEI ANDREY XAVIER

Andrey Xavier é discipulo de Sensei Hélio Arakaki e a base de sua formação está na metodologia Tridimensional, deixada por Sagara Sensei. Ademais estudou por um bom período de tempo com o grande Sensei Tasuke Watanabe 9° Dan.

É representante da ISKF Brasil no Estado do Espírito Santo e responsável pelo Dojo Muryokan/ES.

Praticante de Karate Do desde 1985 formou-se sob as orientações de Sensei Hélio Arakaki e atualmente é faixa preta 3º Dan. É Coordenador Metodológico do Projeto SHUHARI.


SENSEI HÉLIO ARAKAKI 

Hélio Arakaki, 6º Dan, é representante da ISKF Brasil no estado do Mato Grosso do Sul, discípulo direto de um dos introdutores do Karate Shotokan no Brasil o mestre Juichi Sagara 9º Dan do Karate Shotokan no Brasil, que faleceu no ano de 2001.

Sensei Hélio Arakaki é o Instrutor Chefe do Instituto Muryokan e faz um grande trabalho através de palestras e seminários sobre Karate-do. Ele que formou-se sob os ensinamentos do mestre Sagara há 35 anos atrás. É Coordenador Técnico do Projeto SHUHARI.


Vamos as nossas perguntas...

Jefferson: Sensei Andrey, como você conheceu o Karate? E, francamente, qual a sua primeira impressão ao conhecer o sensei Hélio Arakaki?

Andrey Xavier: Ingressei em meados do ano de 1985, aos 10 anos de idade. Meu pai havia percebido o meu interesse por filmes de lutas e o meu comportamento hiperativo, me levando, à época, a um Dojo no Clube dos Sargentos em Campo Grande/MS, onde permaneci até o ano seguinte.
Após quase 2 anos de intervalo, retornei ao Karatê já no Dojo Muryokan, indicado ao meu pai por Sagara Sensei em uma de suas vindas a Campo Grande/MS. Alguns dias depois, fomos ao endereço do Sensei Hélio Arakaki e chegando no Dojo tive uma impressão muito positiva, principalmente pela postura e etiqueta com as quais fomos recebidos. Senti um verdadeiro ambiente marcial e ao conhecê-lo passei a estimá-lo por sua solidez técnica e ponderação nas instruções ministradas.


Jefferson: Sensei Arakaki como o Sr. enxerga o estágio iniciante? E o que o Sr. considera ser mais importante na escalada de desenvolvimento na concepção e conquista dos Kius principalmente na questão comportamental? 

Hélio Arakaki: Eu costumo dizer que o espirito do faixa branca deve ser sempre cultivado pelos Karatecas veteranos, uma vez que é uma fase de grande motivação. Quem não traz na recordação aqueles momentos em que tudo no Karate eram descobertas e fascínio? E eis o grande desafio, levar pela vida toda na prática do Karate esta atitude motivada e marcada principalmente pela humildade e vontade em aprender.
Infelizmente, somos muito influenciados pelo ego. Na medida em que vamos progredindo nas técnicas, temos que ter cuidado para que a vaidade não influencie o nosso comportamento, levando-nos a colocar em primeiro plano a avidez em obter novas graduações. E, geralmente, este comportamento está associado ao sentimento de comparação e competição, tão comuns em nossa sociedade, onde muitos passam a vida visando obter coisas materiais como modo de afirmação sobre os demais. Hoje, vemos esse comportamento quando muitos, não satisfeitos com o título de Sensei, passam a buscar a todo custo a denominação de Shihan.


Jefferson: Sensei Andrey, seja introspectivo e tente nos contar o que mudou em relação ao seu entendimento sobre o Karate-Do comparando antes e hoje? 

Andrey Xavier: Durante todo o tempo de prática, pude perceber que as mudanças ocorridas no Karatê Do, de um modo geral, sofreram um certo distanciamento da Arte dando lugar à "esportivização". Muitos praticantes e Organizações afastaram-se da essência marcial em detrimento das regras competitivas.
O Sensei sempre nos instruiu consoante os fundamentos do Budo e acredito que, por isso, me mantive neste mesmo trajeto até hoje. 

Atualmente, tenho visto o surgimento de uma quantidade imensurável de Entidades de karatê, do qual advêm dissidências que levam apenas à fragmentação e à satisfação de interesses particulares. No entanto, existem muitos professores que preservaram as raízes e isso é um bom sinal de que o legado continuará vivo e forte.

Jefferson: Sensei Andrey, conte-nos como é a sua relação de respeito, e principalmente o que é essa gratidão em relação à figura do Sensei.


Andrey Xavier: O respeito veio naturalmente e em forma de gratidão por sua confiança em nos ensinar e pela integridade como conduz o Dojo. 

Sempre nos mostrou exemplos práticos de como o Karatê podia nos ajudar em nossa forma física, mental e espiritual, além de nos tornarmos pessoas melhores em casa e na sociedade. 

Realmente tive um grande privilégio de ter esse aprendizado e constatar esses benefícios em minha vida, isso para mim continua sendo motivo de agradecimento e respeito para com o Sensei.

Jefferson: Sensei Arakaki, como bem sabemos o Sr. mantém um trabalho voltado ao conceito de SHUHARI, o Sr. Poderia nós passar de uma forma mais objetiva, o que é SHUHARI? e qual é a aplicação prática desse conceito dentro do Karate-Do? 

Hélio Arakaki: Hoje, inclusive, conversei com um Sensei da Bahia e ele tocou nesse assunto. Dizia que ouviu de uma pessoa o conceito de Shuhari de forma deturpada. 
Explico. No meu livro “Sensei, A Jornada Espiritual”, conceituei SHUHARI como as três etapas de aprendizagem e desenvolvimento no caminho. A primeira etapa é o “SHU”, a da prática, em que o aluno segue com abertura e humildade as orientações do Sensei. A etapa seguinte é o “HA”, na qual buscamos pelo aperfeiçoamento do que foi aprendido e, finalmente, chegamos ao “RI”, a etapa da transcendência, em que o conhecimento se funde ao ser, dando ao aluno uma personalidade própria a ponto de se diferenciar do próprio Sensei. Para muitos isso será motivo de ruptura com o Sensei devido à influência do ego. Mas “RI” não se trata disso, uma vez que o aluno sempre cultivará o sentimento de gratidão ao seu Sensei. Ele irá trilhar um caminho próprio, mas o sentimento de devoção espontânea manterá o vínculo entre discípulo e Sensei.

Jefferson: Sensei Andrey, conte-nos um pouco da sua experiência durante sua caminhada rumo a conquista da faixa preta. Quais eram suas expectativas antes, e se algo mudou atualmente já nessa fase mais madura dentro da arte? 

Andrey Xavier: Quando iniciei, lembro que nossa preocupação não era mudar de faixa como vejo hoje, tínhamos apenas a motivação em treinar. Dessa forma, mantínhamos nosso foco na prática, nosso interesse era buscar superar nossos colegas de Dojo nos treinos rotineiros.
Já na fase adulta, a expectativa voltou-se para o aperfeiçoamento dos fundamentos nos Kihons, Katas (e seus Bunkais) e nos fundamentos de Kumite. Quando me mudei para
Vitória/ES no final do ano de 2005, visitei alguns Dojos, mas fui abraçado pela afinidade técnica do grupo Karatê Tradicional do Espírito Santo, no qual passei a treinar conjuntamente, tendo inclusive me submetido a duas avaliações com Tasuke Watanabe Sensei, no Hombudojo em Setiba/ES. Contudo, mantinha, mesmo à distância, a supervisão técnica de Hélio Arakaki Sensei e Edson Nakama Sensei, responsável pela Escola ISKF Brasil (Internacional Shotokan Karate Federation).
Procuro manter meu aperfeiçoamento através de Treinos Técnicos, Cursos, Seminários, Gasshukus e Goshin. Anualmente, realizo Cursos Técnicos em Vitória/ES, nos quais busco estimular uma interação do aprendizado nos alunos e demais participantes, independentemente de organização ou estilos.


Jefferson: Sensei Andrey, algumas pessoas, principalmente a crianças, criam a imagem do sensei “Herói”. Para você como isso é construído e como podemos melhor definir um sensei em sua opinião? 

Andrey Xavier: A figura do Sensei, para a maioria das crianças e também para alguns jovens, a mais tempo reporta ao arquétipo do super-herói ou a alguém que detém “poderes” pelo fato de ser um professor de Artes Marciais. E sabemos que não é isso, ou melhor, que é bem distante disso. De qualquer forma, essa personificação ainda provoca interesse e faz com que tenhamos um canal de orientação dos princípios e benefícios que o Karatê-Do proporciona ao praticante.
Na minha visão o Sensei é, ou pelo menos deve procurar ser, da melhor forma possível, o exemplo na prática. Tudo que ele fizer, bem ou mal, servirá de lição para a vida de seus alunos e discípulos. E nada melhor para se ter uma boa aprendizagem do que haver um bom professor. E, para isso, espera-se que possua autêntico fundamento prático e teórico e que seja coerente em suas ações formadoras. Em contrapartida, o Sensei espera a mesma lealdade e comprometimento de seus alunos.


Jefferson: Sensei Hélio Arakaki, como sabemos muitos se autodenominam Sensei. Para o Sr., particularmente, o que deve mudar, seja técnica, física ou mentalmente, tendo em vista ver um aluno na figura de praticante de Karate-do e já em outro momento reconhecê-lo efetivamente como um Sensei? O que é primordial para se tornar um sensei? 


Hélio Arakaki: Como em qualquer profissão, ser Sensei exige competência. Para ser competente, antes de tudo, deve-se ter abertura para o aprendizado continuo e nunca se dar por satisfeito pelo conhecimento adquirido, ainda mais se tratando do Karate, que é um poço sem fundo de aprendizados, e Karate é prática. 

Não podemos nos apropriar de uma técnica sem o suor e a dor da dedicação. O conhecimento adquirido sentado na cadeira é inócuo, pois na posição de Sensei, temos que obter não somente o conhecimento teórico, mas o conhecimento aprendido na prática, uma vez que sempre teremos que demonstrar aos nossos alunos a técnica correta. 


Jefferson: Sensei Arakaki qual a sua visão sobre a importância da consciência do movimento dentro do Karate Do? E conte-nos sobre essa capacidade de encontrar múltiplas soluções técnicas dentro de um mesmo movimento na questão das aplicações dos golpes, nessa fase que é mais conhecida como “RI”? 

Hélio Arakaki: Metaforicamente, costumo dizer que o papagaio fala, mas ele não tem consciência do que fala, ele foi apenas adestrado. 
Da mesma forma um praticante de Karate que não tem consciência do movimento que envolve a técnica, pode até estar executando a técnica, mas de maneira inconsciente. 
A consciência do corpo abre as portas da nossa percepção, da forma como sentimos e interpretamos o que acontece dentro e fora de nós. Muito importante para que possamos nos relacionar harmoniosamente com o meio em que vivemos. E o Karate, sendo uma prática corporal, deve aproveitar dessa qualidade para que o praticante tenha acesso a essa consciência global de si mesmo e com o meio em que interage. Estou me referindo ao autoconhecimento que nos leva a melhorar não somente a técnica, mas como ser humano. 
Quanto ao "RI", penso que é um momento da colheita, onde todo o nosso conhecimento adquirido começa a dar novas formas do que foi aprendido. Nesta etapa, a intuição age de forma natural, dando-nos uma compreensão global de uma determinada técnica, novas formas de aplicação do Bunkai, até mudar um ponto de vista radicalmente. E esse conceito tem a ver com essa frase atribuída a Bruce Lee: “Absorva o que for útil, descarte o que não for, e adicione aquilo que for unicamente seu.”

Jefferson: Sensei Andrey, o que é o projeto SHUHARI? E qual seu principal objetivo? 

Andrey Xavier: O Projeto SHUHARI surgiu durante uma conversa informal com o Sensei, vendo a necessidade de preencher uma lacuna técnico-filosófica e que fosse voltada para a conscientização teórica e prática do Karatê Do. 

O termo SHUHARI remete ao conceito de autoconhecimento e de autodesenvolvimento, sendo que tem entendimento no ciclo – Aprender, Praticar, Aperfeiçoar. Neste sentido, o Projeto tem como tema central “Karatê Do para vida”, isto é, intuito de fazer com que o praticante tome como hábito consciente os benefícios dessa atividade. 

O objetivo original é desenvolver interação técnica-cultural entre praticantes e professores parceiros, independente de organizações e estilos, através de palestras, seminários, cursos, workshops, debates, conferências ou fóruns. Em todas as atividades práticas desenvolvidas, realizamos um momento para conversa e/ou explanação técnica vinculada a um tema. Esse momento é registrado e avaliado, a fim de servir como fonte de pesquisas técnicas e assim continuar o ciclo de aprendizado.


Jefferson: Sensei Arakaki, queremos saber o que o senhor espera de seu aluno em relação à progressão, seja no Karate Do ou na vida? 

Hélio Arakaki: Eu espero que ele se dê bem na vida. Que tenha o espírito sempre em zanshin para que possa agir da maneira mais assertiva diante das situações inesperadas. E que seja uma pessoa harmoniosa, que cultive o respeito em relação às pessoas com quem convive.


COMENTÁRIOS SOBRE O ESTUDO. 

Creio que será esclarecedor para todos aqueles que realmente buscam o desenvolvimento do Karateca e do ser humano. Obrigado pela oportunidade, caro Jefferson, e muitas colheitas nesse seu trabalho. 

Sensei Hélio Arakaki 


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse estudo falamos sobre SHUHARI e a escala de desenvolvimento dentro do Karate Do. A ideia foi passar uma perspectiva de desenvolvimento na prática, de modo que em um momento somos um aluno e em outro podemos nos tornar um professor. 

Se você pensar como ocorre essa construção do conhecimento certamente você verá que a solidez no Karate Do só poderá ser alcançada na medida em que estejamos sempre buscando por novas experiencias, e sempre haverá muito suor, teoria sem pratica é como água sem um copo, difícil de acondicionar. 

As três fases do SHUHARI são decisivas para que você se torne um grande Karateca, e é extremamente importante que você tome consciência da sua fase atual e que tenha a humildade necessária para ser além do professor, também um exemplo de vida para seus futuros alunos. 

Esses dias me perguntaram posso ganhar dinheiro ensinando Karate? Fiz uma reflexão para responder e poderei dizendo: Acredito que você deve ganhar dinheiro, porém, se estiver capacitado. Se você estiver apto para entregar aquilo que seu aluno espera, caso contrário, pense há quem estará enganando, o seu aluno ou a si mesmo. 

Treine, se capacite, busque, esteja sempre em zanshin para as variadas tarefas da vida, use o  Sen-no- Sen antes que a vida te tire algo como sua própria vontade. E quando estiver com idade mais avançada certamente você terá a inteligência cinestésica bem desenvolvida. 

Pessoas úteis são essenciais por algum período. Pessoas importantes sempre serão parte integrante e são insubstituíveis em nossas vidas. Quem você quer ser?

Como sempre karatecas, os convido a deixarem seus comentários à respeito desse estudo, e assim enriquecer ainda mais essa matéria. 

AGRADECIMENTOS

Gostaria de manifestar minha gratidão ao Sensei Andrey e Sensei Hélio, que demonstraram a todo momento muito solicitos  quanto ao esclarecimento desse tema tão importante na caminhada do Karateca. Personificaram, assim, as figuras de Sensei e Discípulo deixando a melhor mensagem possível. Respeito acima de tudo.

Espero encontrá-los um dia e agradecê-los pessoalmente por essa aula de vida e amor ao Karate.
Que vocês encontrem todo o sucesso e prosperidade nessa caminhada.

Muito Obrigado!

OSS!
Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e estudante de Karate Do estilo Shotokan


AFINAL O QUE É INTELIGÊNCIA CINESTÉSICA?

A inteligência corporal-cinestésica é a capacidade de manipular objetos e usar uma variedade de habilidades físicas. Essa inteligência também envolve um senso de tempo certo e perfeição de habilidades através da união mente-corpo. Atletas, dançarinos, cirurgiões e artesãos exibem essa inteligência bem desenvolvida.

FONTE: 
https://hypescience.com/os-9-tipos-de-inteligencia-que-todos-temos/ (Acesso em 01/08/2018) 


PRÓXIMOS EVENTOS, PALESTRA E SEMINÁRIOS DO PROJETO SHUHARI. 

Abaixo destacamos os eventos do Projeto SHUHARI referente ao Calendário Ano 2018. 

26 de Maio / Vitória ES - "Tridimensionalidade na prática do Karatê-Do" (contato: 27-981945678 / Prof. Andrey Xavier) 

23 e 24 de Agosto/ Santos SP – "Karatê para a Vida" (contato: 13-997043958 / Prof. Paulo Bartolo) 

22 e 23 de Setembro/ SP – "O equilíbrio da ancestralidade com a modernidade (Tode/Karatê)" (contato: 11-996047640 / Prof. Flavio Vicente) 

15 e 16 de Setembro/ Salvador BA "Os estados mentais no Karatê - Zanshin, Fudoshin e Mushin" (contato: 71-992634235 / Djalma Caribe Filho) 

14 de Outubro / Campinas SP – “Movimentos conscientes na prática do Karatê”                      (contato: 19-992083042 / Prof. Gilson Gomes)

20 de Outubro / Curitiba - "A prática continua e consciente do karatê Do"                                 (contato: 41 988188676 / Sensei Walger)

27 de Outubro / Juiz de Fora MG – "O Hara aplicado nos fundamentos e no cotidiano" 

Obrigado a todos pela atenção e desejamos sucesso como Karatecas e cidadãos.

Cordialmente! OSS!

terça-feira, 10 de julho de 2018

KAMIDANA E A RELEVÂNCIA DENTRO DE UM DOJO DE ARTES MARCIAIS JAPONESAS

Olá amigos Karatecas, resolvi estudar um pouco mais sobre a Kamidana e também da organização de um Dojo tradicional e assim poder compartilhar algumas informações absorvidas através desses estudos. 

Nesse primeiro momento tentarei usar uma linguagem mais natural para que você possa aos poucos abstrair melhor as questões que envolver esse tema. E você já deve ter se perguntado o que é aquela prateleira e aquela espécie de templo que fica no Kamiza em dojos tradicionais japoneses. 

Em conjunto tentarei novamente trazer algumas regras de etiqueta e respeito que precisam ser consideradas ao adentramos a nossa segunda casa o Dojo. 

Para falar sobre o tema procurei na matéria anterior de uma forma mais simples explicar o que é o do Xintoísmo. 

E agora tentarei contextualizar no presente objeto de estudo porém no intuito educacional, para que antes montar uma Kamidana você ao menos conheça o minimo sobre os aspectos culturais existentes.  

Não é meu objetivo fazer apologia a questões religiosas tampouco conduzir você as práticas Xintoístas embora você poderá a partir dessa matéria entender um pouco mais sobre esse tema e sua relevância dentro de um Dojo de artes marciais japonesas. Obviamente esse tema é gigante e haverá muitas fontes de informação apenas tentarei falar de uma forma mais simples e objetiva. 

Primeiro falaremos dos atores e depois dos objetos. Vamos lá... 


INDIVÍDUOS QUE COMPÕEM O DOJO 


SHIHAN – Embora para alguns estilos de Karate seja pouco usado, alguns mestres não gostam de receber essa forma de tratamento até mesmo por aspectos latentes de manter sempre humildade, porém o devemos assim o definir um mestre dentro da arte. 

SENSEI – Esse é um dos personagens principais dentro do Dojo, aquele que veio antes para pratica e através de longos anos se preparou para passar o conhecimento adiante, podemos dizer que está na fase transcender as técnicas básicas. 

SHIDOIN - É um faixa-preta que por um condição técnica e mental e por ocorrência de longos anos de treinamento atingiu um nível técnico diferenciado dentro da arte 

SENPAI - Podemos o assim chamar de aluno experiente, esse por sinal é considerado apenas uma relação entre um Karateca mais antigo dentro do mesmo Dojo com o de menos tempo dentro da arte e do Dojo. Poderíamos fazer uma analogia ao um irmão mais velho dentro de uma familia, embora o Senpai tenha responsabilidade dentro do Dojo e ele deve buscar ajudar os Kohai sempre que o Sensei assim solicitar. 

KOHAI – Qualquer aluno seja iniciante ou intermediário que tenha relativa ou nenhuma experiência dentro da arte e que constantemente buscará informações seja com os Senpai ou ensinamentos diretamente com o Sensei.


ELEMENTOS QUE COMPÕE UM DOJO TRADICIONAL JAPONÊS 


KAMIZA é o local por tradição deverá orientar-se sempre ao leste que é um local onde nasce sol de onde surge a luz que nos permite a vida. 

JOSEKI de acordo com a orientação do Kamiza é o local a direita onde ficam normalmente os alunos mais adiantados ou faixas pretas dentro de um Dojo 

SHIMOSEKI também de acordo com o posicionamento do Kamiza e ficam à esquerda os alunos iniciantes e intermediários na pratica. 

SHIMOZA onde os alunos normalmente os Kohai se perfilam de frente para o Kamiza 

KAMIDANA é uma prateleira, e nela estão alguns objetos que dentro da cultura do Xintoísmo buscam representar alguns preceitos e as relações entre ambiente natureza e as pessoas. Na Kamidana cada objeto tem uma relevância dentro da cultura e podem ocorrer a organização diferente porém é indispensável falando em respeitar a essa cultura a presença de alguns objetos.


ALGUNS OBJETOS EMBLEMÁTICOS DE UMA KAMIDANA:


SHIDEN é um pequeno tempo encontrado na Kamidana é onde fica guardado o amuleto que é um dos objetos sagrados da cultura Shinto 

SHIMENAWA é aquela corda retorcida que fica posicionada na Kamidama. Na cultura oriental acredita-se que a Deusa do sol Amaterasu que por algum tempo esteve dentro de uma caverna escura, ao sair desse local fora colocado o Shimenawa para marcar um local sagrado afim de impedir que a Deusa novamente retornasse a caverna. 

KAGAMI é um espelho. Reza a lenda de que a Deusa Amaterasu estava envergonhada com atitudes egoísta do Deus da tempestade ao saquear a terra. Nesse momento procurou refúgio em uma caverna escura e por lá ficando por muito tempo e o Kagami teria sido colocado pendurado em frente a caverna e em uma arvore, no momento que Amaterasu viu sua bela imagem refletida no espelho resolveu sair dessa caverna restabelecendo assim a luz ao mundo novamente. O Kagami teria a capacidade de refletir o nosso eu de forma mais verdadeira, revelando aspectos interiores do ser humano 

O espelho, a espada e a joia são considerados objetos sagrados dentro da cultura Shinto 

OFUDA é um amuleto e ele teria o poder de proteger o nosso treinamento 

TOMYU são as velas que simbolizam a luz o universal das quais somos pequenos fraguimentos. 

SASAKI são espécies de plantas resistentes que simbolizam a ocupação de um espaço dentro da natureza. 

KAKEMOTO (Pintura em papel) pode representar a imagem de alguém iluminado dentro daquele local, comumente alguém que veio ante e trouxe a luz a nossa pratica. 

IKEBANA (arranjo de flores) 

ANDON (abajur de papel) e outros arranjos artísticos.


ALGUMAS DICAS DE ETIQUETA DENTRO DO DOJO 


O seu Dogi deve estar sempre limpo. Sua faixa deverá estar devidamente amarrada. 

Deixe seus chinelos em local apropriado normalmente determinado pelas regras do próprio Dojo e a posição alinhados com a posição das pontas para a parede. 

Deixe objetos como relógios, brincos, alianças, anéis, colares guardados. Nunca utilize-os durante o treinamento. 

Ao entrar na sala de treinamento vire-se em direção ao Kamiza a partir da posição natural Shizentai posicione-se em Ritsu-rei pronuncie de forma expressiva a palavra OSS ela deve ser pronunciada mostrando assim respeito e sua intenção estando com o seu pote vazio, porém sempre pronto para receber o conhecimento. Ao final do treino antes de sair repita o mesmo ato. 

Ao entrar no Dojo utilize sempre os pés descalços para isso mantenha-os limpos e tenha suas unhas aparadas. 

Respeitar seus colegas sejam eles: Kohais, Senpai, Fudoshin inclinando-se e cumprimentando-os em Ritsu-rei respeitosamente sempre com o uso da palavra OSS 

Busque sempre o silencio, afinal dentro de um Dojo as palavras que deveram ser pronunciadas com maior entonação será sempre a do Sensei e sempre precedidas da palavra OSS. 

Ao ouvir os ensinamentos busque sempre uma posição de frente ao Sensei esteja em seiza ou Shizentai a posição natural. 

Nunca fique de braços cruzados ou com as mãos na cintura isso é profunda falta de respeito. 

Seja pontual, atrasos podem ser considerados falta de respeito ao Sensei e aos colegas. Se ocorrer permaneça em Seiza a margem da área de treino aguardando a autorização para participação do treino. 

Ao sentar em Seiza para os cumprimentos iniciais, primeiro flexione seu joelho direito e logo após o esquerdo. A levantar-se faça o contrário. 

Dirija sempre ao companheiro de treino com maior experiencia de forma respeitosa, logo isso demonstra que você entende que seu copo permanece pronto a receber conteúdo. 

Seja um espelho aos menos experientes, busque aperfeiçoar sempre. 

Honre sua faixa, sempre que não puder demonstrar por questões físicas, então que seja pela sua atitude honrosa e sua liderança. 

Respeite sempre de forma incondicional o seu Sensei.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Embora as práticas Xintoístas não sejam comumente aplicadas em nossa vida e rotina ocidental, tem se por mania dizer a seguinte afirmação: “Eu já tenho a minha própria religião.” 

Respeitar a cultural ou outra religião nada mais é que reconhecer aspectos bastante latentes do ser humano que é por mais que você estude, que se dedique, que treine, todo o conhecimento que puder abstrair será importante para estabelecer a maior das virtudes: a tolerância e o respeito acima de tudo.

Sobre o Kamidana acredito que devemos manter essa forma respeitosa ao olhar, e assim manter parte das tradições da arte marcial japonesa. Assim como um Dogi branco pode representar para alguns a pureza talvez o Kamidana possa ser também um ponto onde sempre relembraremos de onde veio esse conhecimento que foi desenvolvido e aprimorado pelos mestres antigos. Conhecimento esse o qual buscamos e que é a herança de uma luta marcial muito eficiente e também uma ferramenta de formação de pessoas incontestável.   

Simplesmente aprenda. Qualquer ensinamento que o conduza a viver em uma sociedade harmônica deveria no mínimo ser considerado. E na medida que evoluímos nessa constante, que é a Era da Informação, acabamos por nos distanciar das melhores coisas da vida e das belezas da natureza. 

Se olharmos para os momentos como se fossem únicos em nossa existência, logo a sede de aprender e de ensinar será tão latente quanto necessário visando sempre a manutenção das melhores práticas de humanidade. 

Ser Karateca na minha opinião é ter um copo vazio e uma sede insaciável. 

OSS!
Jefferson Oliveira                                                                                                                       
Professor de Educação Física e estudante de Karate Do Shotokan


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

www.uwbk.com.br/espirito/56-religiao-shukyo/324-kamidana-e-kamiza ( Acesso em 05.07.2018)

www.associacaoaraponguensedekarate.blogspot.com/p/r-e-i-g-i-comportamento-educado-no-dojo.html (Acesso em 09.07.2018)

Ydenir P. Machado Goju Ryu Karatê Do (pag. 44)



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"Compartilhamos o mesmo amor pelas artes marciais"

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O SENTIMENTO E A EMOÇÃO DE VESTIR UM KARATE GI PELA PRIMEIRA VEZ


Olá Karatecas hoje resolvi falar um pouco sobre o uso do DOGI, e que para nossa arte marcial é o denominado de KARATE GI.

Tentarei falar mais tecnicamente sobre as terminologias mais usadas, também sei que é um assunto já bastante discutido em outros meios, porém é muito enriquecedor saber também sobre os sentimentos de vestir o Karate Gi pela primeira vez. Tentando entender mais afundo desde a parte cultural até o aspecto espiritual. 

Ainda hoje me pego a pensar e lembrar o meu sentimento inicial de colocar o primeiro Karate Gi. E gostaria de falar sobre esse sentimento ao menos sob minha percepção. 

Então um dia você vê alguém usando aquela vestimenta (GI) e com uma faixa (OBI) amarrada na cintura e fica a pensar o que representa para os praticantes usa-lá. Eu tenho certeza que isso o deixa muito intrigado em saber o que é vestir um Dogi e qual a sensação, e cito essa terminologia por que estamos falando sobre artes marciais tradicionais japonesas de um modo geral, e falarei mais sobre o uniforme especifico para a prática do Karate do 

Para você que está a observar digo colocar um Karate Gi e ir treinar não é para qualquer pessoa, primeiro você deve experimentar o Karate do através da prática, e nos primeiros treinos possivelmente não entenderá muita coisa, o certo é que se você gostar logo desejará vesti-lo e terá a percepção de que ele será como uma segunda pele. 

Pergunte a seu sensei ou professor se nesse momento inicial você pode usar roupas simples pensando nessa fase adaptação, porque antes de coloca-lo é sempre bom ter a convicção de que o usara por longo período e quem sabe por toda a vida.

Pode ser que sem o uso do Karate Gi nesse primeiro contato seja revelado um fato simples: O Karate do não é uma arte marcial simples tampouco é para qualquer pessoa, o uso do Karate Gi não deve ser banalizado e nunca deve ser encarado como um forma de ostentar o fato de ser um praticante de arte marcial. Logo se você gastar dinheiro para comprar um uniforme só seria benéfico a quem o produz ou vende o mesmo. 

O mais importante no Karate Gi não é seu estado de uso, se é novo ou usado, esteja ele já com bastante uso ou amarelado pelo tempo de uso ou as lavagens. Ele é para muitos comparado a uma farda, no momento em que você descobrir-se para a prática comum do Karate Do o simples ato de vestir Karate Gi será como defender a sua nova bandeira, que é a do caminho das mão vazias. 

Vamos falar das terminologias mais usadas: 

Do: Caminho, e GI: Vestimenta, roupa ou uniforme 

O Gi ainda é usado em outras áreas, para se referir à uniformes de trabalho, escolas, academias e outros. 

Obi: é faixa ou cinturão

Dogi é o termo que refere-se a vestimenta inicialmente padronizada pelos nossos irmãos de arte marcial o Judô, no pensamento do grande mestre Jigoro Kano para dar uma forma mais padronizada e emblemática e para se determinar o uniforme e também a essência da palavra para prática das artes marciais japonesas. 

Karate Gi: esse é o termo que melhor reflete ao uniforme de Karate Do. E foi instituído pelo mestre Gichin Funakoshi que era muito amigo de Jigoro Kano criador do Judô  e da aplicação do conceito “GI” nos uniformes. 

O Kimono é o termo mais usado ao menos aqui no Brasil ainda que seja um termo incorreto é muito disseminado e para entender como surgiu talvez tenhamos que olhar para o passado e tentar contextualizar com a cultura Japonesa e os impactos de sua chegada em nosso país.

O termo Kimono para nós nada mais é que um mal entendimento sobre o significado da palavra ou até mesmo por uso continuo talvez comparado ao uma gíria para nós brasileiros, ele está relacionado ao uma visão superficial de como começamos a enxergar a vestimenta dos primeiros lutadores que aqui  o vestiram. Pode ser que seja tão somente um erro de tradução ou interpretação quando os primeiros colonos japoneses que aqui chegaram ou talvez seja também uma tentativa de tentar dar uma nomenclatura mais ocidental e claro isso é apenas uma especulação já que não sabemos ao certo quem pronunciou pela primeira vez o nome Kimono para Karate em nosso país.

Para alguns professores aplica-se a ideia de que o uniforme GI nas artes tradicionais japonesas, possa representar como deveria ser a nossa mente, ser branco, puro e imaculado; a faixa corresponde ao nosso caráter, nossa formação marcial, ela nos envolve de muita responsabilidade em nossos atos dentro e fora do tatame; o DO é a nossa fé, nosso respeito, nosso compromisso, por isso não é correto desamarrar nossas faixas em frente aos nossos superiores.

Penso que se essa versão pode ser um dogma ou um dito popular, porém acredito que possa sim ainda que por analogia representar verdadeiramente a parte espiritual da arte marcial, usamos exemplos em tudo porque seria diferente quando relacionamos a nossos sentimentos em relação a prática, logo isso deve ser uma tarefa individual de cada um enxergar a sua própria representação do Karate GI. 

O fato é: Você consegue imaginar treinar sem o seu Karate Gi após conhecer um pouco da cultura marcial Japonesa? 

Falo muito sobre cultura no Blog, porque acredito que devemos respeitar a todos ainda que não seguimos no mesmo caminho. Isso é o principal meio de aprender ou aperfeiçoar-se de forma contínua ao longo na vida. 

O povo japonês em grande parte é adepto do Xintoísmo daí talvez a preocupação de fazer tudo com etiqueta e respeito incondicional as tradições. E afinal o que é Xintoísmo? 

O xintoísmo é uma religião baseada no respeito e culto da natureza, sendo considerada uma grande aliada e imprescindível para a existência da vida na Terra. A relação homem-natureza é o ponto central do xintoísmo. 

Me pergunto será que o xintoísmo não é uma forma de sinergia da natureza e também com as pessoas e um processo contínuo de troca entre as partes. 

Quis falar do Xintoísmo não como uma religião, mais como uma forma de representar as vestimentas GI pois acredito que tudo é um processo de integração. 

Chegará o dia que vestir o Karate Gi será para você como um processo, onde deixa-se as roupas comuns e carregadas de energias negativas, para vestir a sua segunda pele, aí sim, sem o ego das cores e das formas e sem o glamour das marcas e a exclusividade do status que é peculiar de altas classes sociais para finalmente vestir algo realmente tão comum quanto representativo dentro do caminho que você escolheu, certo de que no Karate Do Tradicional Japonês ele será sempre na cor branca.

OS DEPOIMENTOS DE PROFESSORES E SENSEIS:


"Quando eu vesti o Kimono pela 1º vez ainda na adolecência ali tive certeza de estar fazendo a melhor escolha da minha vida. E até hoje sinto-me confortável, preparado, confiante e seguro como se vestisse a minha armadura pronta para luta ao mesmo tempo sinto-me elegante como se usasse o meu melhor terno para ir para a maior festa da minha vida. Karate é o meu estilo de vida. O Kimono e o Karate mudaram minha vida."

**** Benicio Soares Karate Goju Ryu Shobukan 4º Dan CBKGST de Santo André/SP


"Colocar o Karate Gi pela primeira vez aos nove anos de idade me trouxe a mesma sensação de vestir uma fantasia de super herói aos 5 anos. Me senti mais forte, rápido e autoconfiante, pronto para enfrentar todos os desafios."

                                             *** Fábio Abreu Karate Shotokan 3° Dan pela CBK de Guarujá/SP


"A primeira vez que vesti meu Karate Gi me senti poderoso talvez por ser uma criança e não tive o  entendimento sobre a essência do Karate Do. Hoje sinto-me simplesmente com maior serenidade"

                                             ** Adriano Lima Castelo Branco Shotokan 2° Dan de Caucaia/CE


"Para uns a 2ª pele, para outros armadura, ao usar pela primeira vez o Karate Gi tem-se o momento mágico de vestir um dos mais tradicionais costumes japoneses e dar um grande passo ao adentrar na cultura nipônica“
       ****** Paulo Bartolo Karate Shotokan 6º Dan pela CBK de Santos/SP


"Eu sempre quis ser um herói, acho essa palavra fantástica, e ser sensei é exatamente o que isso significa, e quando coloquei meu Kimono a 17 anos atrás então com 21 anos, eu jamais imaginei que minha capa seria o kimono e meu "S" seria de sensei, a sensação em treinar, ensinar e principalmente aprender é indescritível, comparada somente na minha visão ao dom de dar a vida a alguém, pois é o legado mesmo que o aluno pare, sempre será imortalizado tanto dentro de mim quanto daqueles que aprenderam algo comigo"

*** Alex Castro Goju Ryu IKGA 3º Dan pela CBKI de Taboão da Serra/SP


"A primeira vez que vesti meu Karate Gi  me senti forte, confiante e determinado e ali tive a certeza que estava fazendo a melhor escolha para minha vida, hoje após 33 anos de Karate Do, O Karate Gi é muito mais que a segunda pele e armadura na minha vida."

**** Roque Bispo 4º Dan pela CBK de São Paulo/SP 

CONCLUSÃO

O processo todo de vestir o Karate Gi ao menos para mim chama-se limpeza da alma. E quando coloco o meu Gi deixo do lado de fora do Dojo as vibrações negativas, as substituo pelo sentimento de tentar de novo e novo e quantas vez forem necessárias até conseguir obter exito dentro da minha prática. 

Nessa matéria optei por não falar sobre o tipos de tecido ou uniforme mais recomendado pois esse não erá o tema principal. Logo peça orientação ao seu Sensei que certamente será a pessoa mais indicada para lhe indicar e ajudar nos primeiros passos.  


Convido-os a deixar suas opiniões, relatando o seu sentimento antes e depois de vestir seu primeiro Karate GI.
Aprendemos juntos!!!     

OSU! 
Jefferson Oliveira                                                                                                                                Professor de Educação Física e estudante Karate-do Shotokan 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Judogi (acesso em 18.06.2018)
https://pintokaratedojo.com/2014/03/06/kimono-de-karate/ (acesso em 19.06.2018)
https://www.significados.com.br/xintoismo/ (acesso em 18.06.2018) 

Imagem Ilustrativa: Yoshitaka Funakoshi (Gigo)

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quarta-feira, 6 de junho de 2018

OKINAWA O ENCONTRO COM AS ORIGENS DO KARATE NA VISÃO DE SENSEI PAULO BARTOLO


Esse mês trago no blog um convidado especial que além de um bom amigo que fiz nos últimos anos, porque não chama-lo de conselheiro para os assuntos de Karate. Obviamente é a minha impressão pessoal devido a uma conduta irrepreensível e seu grande amor pelo Karate-Do. 

Nessa matéria quis trazer um pouco sobre as históricas viagens, e sua trajetória como Karateca até o momento em que ele efetivamente ele resolveu realizar essa viagem ao berço do Karate.

O objetivo a todo momento foi conhecer um pouco sobre Okinawa através das experiências vivenciadas por meu convidado, que tenho o prazer de anunciar agora: O Sensei Paulo Bartolo 6º Dan de Karate Shotokan pela Confederação Brasileira de Karate (CBK). 

O sensei Bartolo também tem graduações reconhecidas em outros estilos de Karate, e por esse motivo tem know-how suficiente para nos passar grandes conhecimentos sobre a pratica do Karate de Okinawa, além de uma pessoa que se apresenta de forma serena e perspicaz, é sempre muito amistoso, ele que recentemente escreveu mais um grande livro sobre Karate Do: OKINAWA UMA VIAGEM AO BERÇO DO KARATE-DO e que fiz questão de ler 2 vezes e recomendo.

Abra sua mente e vamos conhecer um pouco sobre essas experiências vivenciadas pelo sensei Bartolo. Vamos juntos nessa viagem especial a Okinawa que tentarei conduzir os amigos e comunidade Karateca. Convido-os a sentar-se na poltrona vizinha a do sensei em um avião de emoções e nas assas da imaginação.

APRESENTAÇÃO DO CONVIDADO

Engenheiro Civil formado na UNISANTA e Professor de Educação Física formado pela FEFIS. Especializado em Treinamento Desportivo na UNAERP e Pós-Graduado em Karate-Do Bases Metodológicas e Psicológicas do Treinamento na UNISANTA. É professor universitário e Karate, assim como Escritor, Organizador de eventos de Karate e faixa preta 6º Dan pela Confederação Brasileira de Karate.

Em 1985, passou a ser aluno do mestre Yasuyuki Sasaki, do estilo Shotokan que representa a JKA (Japan Karate Association) no Brasil que mesmo após seu falecimento é reconhecido como um exemplo e grande líder do Karate no Brasil.

É professor de Karate desde 1979, fundando os Departamentos de Karate da UNISANTA e do Clube Sírio Libanês. Fundou a Associação Resistência de Karate em 1986. Escreveu 5 livros de Karate com mais de 7 mil exemplares vendidos. 

O Prof. Paulo Bartolo desenvolve as seguintes atividades atualmente: Ministra aulas na Associação Resistência de Karate, escreve livros de Karate, organiza eventos como torneios, cursos e palestras, é coordenador do curso de pós-graduação em Karate. 

Vamos a nossa entrevista... 


Jefferson: Sensei Bartolo como você conheceu o Karate-do e a quanto tempo você treina?
Sensei Paulo Bartolo: Foi em 1973 no Clube Internacional de Regatas em Santos. Eu já era judoca e aos 13 anos vi uma aula de Karate com o Prof. Manoel Lameiro, que foi, meu primeiro professor. Me identifiquei rapidamente e comecei a treinar. 


Jefferson: Como surgiu a ideia de ir para Okinawa? E o que o motivou a voltar outras vezes?
Sensei Paulo Bartolo: Okinawa era um sonho antigo, é o berço do Karate. E quando recebi um convite de um seminário em 2010 que ocorreria em Naha com 10 mestres diferentes achei que era a hora de realizar esse sonho. Fui sozinho e era o único brasileiro no curso com 20 faixas pretas. O idioma era o inglês e essa história que conto no meu livro. Foram tão fantásticos a recepção e o curso que estipulei que voltaria a cada 3 anos para reciclar e respirar aquele ar. Voltei já levando alguns alunos em 2013 e 2016. Agora vem os planos para a ida em 2019. 


Jefferson: Qual(s), as principais diferenças você observou em comparação com a nossa cultura, especificamente a questão comportamental?
Sensei Paulo Bartolo: A diferença é muito grande. Quando cheguei no hotel em Naha, no 1º dia deixava a chave do quarto na mesa do lobby e saía. No fim da viagem eu já estava entregando para a recepcionista com as duas mãos e olhando e seus olhos agradecendo com um Domo arigatô. Ver alunos da escola fundamental se manter em fila para varrer a escola logo de manhã com alegria, ao pagar conta em caixas de loja, restaurantes e ir ao banheiro sempre se mantendo em fila respeitosamente, não tem lixo na rua de jeito nenhum, entre tantas outras coisas é o grande diferencial do povo. Abordo isso também em meu livro sobre Okinawa.


Jefferson: Quais as principais diferenças na sua visão em relação ao Karate praticado em Okinawa em relação ao modelo japonês e até o Ocidental?
Sensei Paulo Bartolo: O Karate em Okinawa é utilizado em uma distância (MAAI) mais curto, a ênfase para a luta pela sobrevivência é maior assim como os calejamentos são uma constante feita pelos praticantes. 


Jefferson: Quais os principais passos para se organizar uma viagem natureza? 
Sensei Paulo Bartolo: Um dos objetivos do meu livro foi facilitar a vida de quem deseja ou pretende ir a Okinawa. Reservo um capítulo só com as orientações necessárias: visto, passagem aérea, seguros ne, câmbio, postos turísticos, como se locomover, etc.... Então o principal passo para se organizar uma viagem dessa é comprando meu livro, hehe


Jefferson: De acordo com as experiencias que você vivenciou nos treinamentos na prática, poderia nos falar uma pouco sobre os estilos nativos de Okinawa?
Sensei Paulo Bartolo: Treinei no Seminários com grandes expoentes do estilo Goju-Ryu, Shorin-Ryu da escola Kyudokan e Shorin-Ryu da escola Seibukan, Isshin- Ryu, Uechi-Ryu e Kenyu-Ryu. Eu já conhecia os estilos Shorin e Goju e a novidade foi o Isshin-Ryu com as suas aplicações de socos verticais, (Tate Ken). Nos estilos Uechi-Ryu e Kenyu-Ryu tive a oportunidade de aprofundar mais os conhecimentos sobre eles. No livro falo detalhadamente as origens desses estilos, suas variações e suas escolas. 


Jefferson: Qual(s) o mestre(s) o Sr. treinou que efetivamente o fez sentir o Karate na essência e qual o ponto mais marcante durante os treinos?
Sensei Paulo Bartolo: todos são muito bons, mas Mestre Higaonna da Goju-Ryu é fantástico. Treinei em seu Dojô com seus alunos e foi uma experiência inesquecível. Demonstrou uma técnica de agarramento e projeção comigo e o fez com muita maestria e técnica. Dono de um conhecimento fora do comum e uma atenção com os novos e visitantes impressionante. Um calejamento de mãos absurdo. Andar em Santin Dachi segurando os vasos com areia nas mãos foi um momento marcante. Ninguém aguente mais, mas ninguém larga, hehe 


Jefferson: O Sr. recomendaria essa viagem a Okinawa para fins de estudo do Karate para qual perfil ou nível de conhecimento dentro do Karate? 
Sensei Paulo Bartolo: Isso é muito delicado para responder. Eu começo o livro falando sobre isso. Recebi o convite quando estava com 50 anos e achei que era o momento certo para participar. Na minha análise, eu já tinha participado em eventos nas Américas, Europa e África e citei a idade porque a maturidade do entendimento do Karate vem com o tempo. Meu Sensei Sasaki sempre dizia: “O Karate com 20 anos é um, com 40 anos é outro e com 60 anos também é diferente” Não que tenha idade para ir, mas é o jeito de ver que importa. 


Jefferson: O Sr. poderia nos deixar uma dica para aperfeiçoamento, e dessa forma nos ajudar crescer dentro da arte marcial Karate-do?
Sensei Paulo Bartolo: Treinar e estudar. A prática e o conhecimento formam a dupla ideal para o aperfeiçoamento. Não vou poder deixar de citar outra fala de meu Sensei Sasaki: “Se só treinar e não estudar o seu karate fica rude, vira ogro, se só estudar e não treinar fica louco, só imaginando. O certo é fazer ambos, achar o caminho do meio, o equilíbrio.” Sábias palavras. Tenho saudades do meu mestre! 

“Sou um professor de Karate-Do e fiz desta arte marcial minha vida. O Karate-Do não é meramente um esporte, mas sim, uma arte marcial complexa que harmoniza a mente, o corpo e o espírito. Escolhi como missão da minha existência ser educador através do Karate-Do, enaltecendo valores como respeito, honra, virtude e disciplina. Seguindo esse caminho me tornei também escritor e coordenador de curso de pós-graduação em Karate”


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como narrou Sensei Paulo Bartolo durante a entrevista, a prática e a teoria se complementam, logo tudo deve estar em perfeito equilíbrio. Nunca negligencie respectivamente teoria e prática, agregue e assim como um bolo simples tem uma forma básica, os ingredientes certos darão a textura e o sabor desejado.

Okinawa apresenta uma diversidade de estilos de Karate imensa e o Shotokan não é nativo e é pouco disseminado e conhecido por lá. Certamente você encontrará uma escola Shotokan lá talvez na mesma proporção de encontrar um lutador de capoeira no Japão.

Logo Karate é também uma herança cultural de grandes mestres que dedicaram suas vidas na evolução marcial para combate de sobrevivência, e nesse caminho foram buscando as melhores técnicas e estratégias para vencer seus adversários.

Em Okinawa o Karate é mais treinado para combates a curta distância, proporcionado maior contundência e calejamento.

Na questão comportamental estamos ainda muito longe desses povos que dão maior valor ao aspecto humano e social para um boa convivência entre si.

Em relação a maturidade para esse passo de ir a Okinawa, tem um aspectos muito importante a ser observado e ao que me parece quando você vai ao lugar igual a Okinawa precisa estar apto a vestir a faixa branca ainda que seja em seu coração. Talvez você precise reconhecer que aprendizagem vem na medida que reconhecemos nossa própria ignorância assim evoluímos em todos os aspectos.

Viajar com certeza todos podem e devem, existem viagem em que você vai conhecer lugares fantásticos  e em outras viagens vai conhecer a si mesmo.

AGRADECIMENTOS

Posso dizer que o Sensei Paulo Bartolo desde a idéia até a formação dessa matéria mostrou-se muito cortez e muito solicito ao objetivo desse blog, e por esse motivo gostaria de demonstrar aqui meus sinceros e humildes agradecimentos, deixando sempre as portas abertas para novas pautas.

Desejo a você sensei todo sucesso, que possam surgir ainda mais livros e reconhecimento nessa incessante busca pelo conhecimento.

OSU!

Jefferson Oliveira
Professor de Educação Física e Estudante de Karate Do estilo Shotokan


PRÓXIMO EVENTO COM SENSEI PAULO BARTOLO


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UMA EXPERIÊNCIA COM UM ESTILO DE KARATE DE OKINAWA E ENTREVISTA COM O MESTRE TAKESHI MIYAGI

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